A comunicação durante a crise

No último episódio desta série, realizado em francês, Isabel Caño Aguilar, vice-presidente do CESE responsável pela Comunicação, fala da experiência da COVID. Descreve a forma como a pandemia mudou toda a atividade de comunicação do CESE, fazendo da solidariedade e do empenho as palavras-chave de todo o seu trabalho e de todas as suas iniciativas, a começar pelo Prémio para a Solidariedade Civil de 2020. Para a vice-presidente, «nada será como dantes depois desta pandemia. Mas temos a responsabilidade de reagir, de construir uma Europa mais forte. São as cidadãs e os cidadãos da Europa que exigem que o façamos.»

Dessine-moi… xxxx

A rubrica «Dessine-moi...» chega ao fim. Os últimos artigos enriquecem o florilégio de testemunhos que nos acompanhou desde o início da pandemia. Evocam de forma sincera esse tempo de isolamento involuntário tocando-nos, e incentivando-nos a procurar a beleza nos outros, a estar mais atentos ao sentido da vida e a ser mais sensíveis à importância de aproveitar o momento presente.

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Editorial

Nesta era de transformações aceleradas, temos vindo a testemunhar a fragilidade das nossas democracias, das nossas sociedades e do nosso planeta. 

Iniciei a minha presidência em abril de 2018, pensando que era necessário redescobrir o espírito humanista do Renascimento para acelerar a nossa viagem rumo a uma Europa sustentável. Volvido o Brexit e a pouco tempo das eleições europeias, sabia que a sociedade civil devia desempenhar um papel crucial para fazer avançar a economia rumo a modelos mais sustentáveis e inteligentes.

Quando o meu mandato terminar no final do mês, estarei em posição de dizer que a Europa demonstrou mais uma vez resiliência. Os nacionalistas e os eurocéticos foram derrotados nas eleições europeias e a pandemia de COVID-19 deu um rude golpe na sua narrativa falsa. A UE adotou medidas sem precedentes e, em alguns meses, deitou por terra tabus que pareciam ser imutáveis, protegendo os cidadãos e as comunidades e investindo numa estratégia forte para o futuro, que obteve o consenso mais amplo de sempre.

Agenda

6 e 7 de outubro de 2020, Bruxelas, Bélgica
Acolhimento dos novos membros do CESE

27, 28 e 29 de outubro de 2020, Bruxelas, Bélgica
Renovação do mandato – Reunião plenária do CESE

Karolina Dreszer-Smalec: «COVID-19: ensinamentos retirados»

Em março de 2020, começámos a perceber que a pandemia de COVID-19 não era apenas uma crise sanitária e que influenciaria muitos aspetos das nossas vidas. Foi também evidente para as associações e os ativistas que enfrentaríamos novos desafios no nosso trabalho habitual. Na realidade, a situação foi ainda pior do que esperávamos.

Martin Siecker: Sempre o lado positivo da vida

Se eu gostaria de partilhar os meus pensamentos, análises e emoções sobre a minha vivência da crise da COVID-19, em 2000 carateres? Um carater por século não é muito para algo tão perturbador como esta crise. Mas, seja como for, aqui estão os meus pensamentos privados e caóticos.

Jože Smole: «Saímos da crise unidos e mais fortes»

Fomos confrontados com uma situação nunca antes vivida por nós. O vírus apareceu de repente e espalhou-se muito rapidamente, levando a que todo o país ficasse em quarentena absoluta. Por se tratar de uma situação sem precedentes, faltava-nos experiência em como lidar com ela da forma mais eficaz.

Janusz Pietkiewicz: serviços de interesse geral e a pandemia

No final de fevereiro/início de março, enquanto decorriam estudos e debates, partilhámos com os nossos amigos da Bulgária o alegre espírito das celebrações da Martenitsa, como sempre fazemos nessa época do ano. Colocámos as finas pulseiras de fio vermelho e branco entrelaçado e divertimo-nos com os pequenos bonecos de lã oferecidos como amuleto de boa sorte.

Giulia Barbucci: Ao longo destes meses, a voz dos sindicatos fez-se ouvir mais do que nunca

11 de março, regresso a Roma, a casa. Clima pesado, angústia; no norte de Itália já se contam os mortos. A minha filha Ilaria regressou de Milão, onde estuda, e a Miriam, a mais velha, que vive e trabalha em Barcelona, está muito preocupada.

Dilyana Slavova: A COVID-19 ensinou-me a não adiar projetos pessoais

O impacto da pandemia tornou as fronteiras na Europa de novo visíveis, em alguns casos até dentro do mesmo país. Poder-se-ia pensar que, consequentemente, o âmbito da cooperação transnacional entre regiões e municípios tenha diminuído. Mas, na verdade, aconteceu exatamente o contrário.

Claudine Otto: A nível europeu, há que pensar numa maior autonomia em relação à globalização.

Com o início do confinamento, as ruas ficaram desertas. O que é impressionante é o silêncio. Acabaram-se as correrias de um lado para o outro, as deslocações ao estrangeiro para duas horas de reunião, as buzinadelas na cidade, os autocarros que não chegam...

Renate Heinisch: Unir esforços para vencer a solidão

Enquanto farmacêutica, durante a pandemia de COVID-19, ocupei-me intensamente do tema da medicina de género. Particularmente no domínio da saúde mental, saltam à vista as diferenças entre os géneros no que diz respeito à COVID-19.

Em comparação, os homens são internados com maior frequência nas unidades de cuidados intensivos e também morrem com maior frequência, sobretudo os mais jovens.

Laure Batut: Medo, resiliência, e depois?

Primeiro, o medo, a estupefação

Medo, medo do visceral. Daquele que tudo imobilizou e que, na contagem dos mortos ao final de cada dia, nos faz recear por aqueles que nos são mais próximos, pelos mais jovens, pelos mais velhos, pelos mais frágeis. Medo daquele que nos recorda que as trevas nos cortejam, que nos aguardam.

Bente Sorgenfrey: Privilegiar os aspetos essenciais da minha vida

Quando a crise da COVID-19 eclodiu na Dinamarca, em 11 de março, eu e os meus colegas empenhámo-nos em assegurar um encerramento ordenado das atividades dos nossos membros. Muitos trabalhadores tiveram de trabalhar a partir de casa e outros viram-se confrontados com situações de grande tensão nos hospitais, nos lares e no setor dos serviços, que permaneceram abertos durante a crise. Impunham-se respostas claras e uma cooperação estreita com os colegas. 

Arnaud Schwartz: crises sanitárias, ecológicas, sociais e económicas: para um mundo habitável, cooperemos

Em vez de atitudes nacionalistas e de tentações autoritárias, a cooperação afigura-se vital a nível europeu. A colaboração entre os Estados é indispensável para combater o vírus, bem como as suas causas e consequências, uma vez que as pandemias futuras – tal como a poluição, as alterações climáticas e a crise da biodiversidade – não conhecem fronteiras.

Notícias do CESE

Isabel Caño Aguilar, vice-presidente responsável pela Comunicação: É apenas um adeus

Há um momento para tudo. Chegou agora o momento de me despedir. Passámos dois anos e meio juntos. Desde abril de 2018, tenho a honra de ser a vice-presidente responsável pela Comunicação, na companhia de Milena Angelova, vice-presidente responsável pelo Orçamento.

Milena Angelova, vice-presidente responsável pelo Orçamento: Escolher a melhor linha de ação

A União Europeia vive momentos dinâmicos e cruciais. Necessita dos esforços coordenados e das sinergias entre todas as instituições, todas as partes interessadas e todos os cidadãos europeus, a fim de encontrar a estratégia certa para superar todos os desafios e desempenhar um papel de interveniente forte na cena mundial.

Inteligência artificial: legislação da UE deve estabelecer limites de segurança para aplicações de alto risco

A biometria para efeitos de seguimento, vigilância e deteção de emoções não tem lugar na estratégia europeia para a inteligência artificial (IA) centrada no ser humano, defende o CESE no seu ParecerLivro Branco sobre a IA da Comissão Europeia, adotado na reunião plenária do CESE em julho.

Estratégia da UE para a Igualdade de Género não pode deixar de dar resposta ao impacto negativo da crise da COVID-19 nas mulheres

O Comité Económico e Social Europeu (CESE) insta a Comissão Europeia a pôr rapidamente em prática a sua nova Estratégia para a Igualdade de Género e a combater, ao mesmo tempo, o impacto negativo da pandemia de COVID-19 nas questões de género, ao exacerbar as desigualdades entre homens e mulheres no plano social e económico, a violência contra as mulheres e as diferentes formas de discriminação de que são alvo.

A concretização da neutralidade climática dependerá, em grande medida, da capacidade da UE para envolver os seus cidadãos

A concretização da neutralidade climática dependerá, em grande medida, da capacidade da UE para envolver os seus cidadãos. A tarefa de enfrentar os desafios climáticos e ambientais tornou-se uma grande prioridade para a UE. Das alterações climáticas à emergência climática, a UE tem de realizar mudanças substanciais que promovam uma economia de bem-estar.

CESE defende intercâmbio de dados para economia digital e colaborativa

O CESE insta os Estados-Membros da UE a intensificarem a coordenação em matéria fiscal a nível europeu e internacional, tendo em vista a economia digital e colaborativa. A coordenação mais estreita das políticas fiscais aplicáveis ao novo setor económico e a elaboração de instrumentos e de soluções operacionais poderiam reforçar o cumprimento das obrigações fiscais, garantir uma concorrência leal e explorar todo o potencial deste novo setor económico.

CESE apoia Ano Europeu do Transporte Ferroviário em 2021

O transporte ferroviário deve desempenhar um papel de destaque na mobilidade futura da UE e passar a ser o modo de transporte principal. Por esta razão, o CESE apoia com agrado a proposta da Comissão Europeia de declarar 2021 «Ano Europeu do Transporte Ferroviário».

CESE destaca papel fundamental do comércio na promoção de uma retoma económica sustentável depois da crise de COVID-19

Na sua reunião plenária de julho, o Comité Económico e Social Europeu (CESE) adotou um parecer sobre o último relatório anual publicado pela Comissão Europeia sobre a aplicação dos acordos de comércio livre (ACL), que abrange 2018. O CESE destaca o papel fundamental do comércio «na promoção de uma retoma económica sustentável e na reconstituição e reorganização pelas empresas das suas cadeias de valor afetadas». Ao mesmo tempo, lamenta que o trabalho de acompanhamento continue, em grande medida, ausente do relatório sobre a aplicação.

Crise da COVID-19: CESE considera que empresas da UE devem repensar modelos de negócio

É imperativo mudar o modo como fazemos negócios na Europa e a nível mundial. Porém, os objetivos a longo prazo da UE para um crescimento económico sustentável devem permanecer os pilares do nosso futuro, apesar da crise da COVID-19.

Alterações constantes põem em risco conclusão da rede transeuropeia de transportes

As alterações constantes nas prioridades políticas nacionais dos Estados-Membros da UE constituem um obstáculo importante à execução atempada dos projetos da rede transeuropeia de transportes (RTE-T), o que suscita dúvidas quanto à possibilidade de concluir a rede principal até 2030.

Aquecimento global: CESE apela para novas medidas fiscais com vista a reduzir emissões de CO2

A criação de novos impostos e medidas adicionais para as emissões de CO2 será útil, mas não suficiente: o aquecimento global deverá persistir, a menos que o CO2 já emitido possa ser retirado da atmosfera.

Globalização sem regulamentação gera mais desigualdades, diz o CESE

Promover a competitividade, a inovação e a criação de emprego deve ser uma prioridade da cooperação regulamentar mundial através de um sistema de comércio multilateral renovado, afirma o Comité Económico e Social Europeu (CESE) num parecer elaborado por Georgi Stoev e Thomas Student e adotado na reunião plenária de julho do CESE.

Notícias dos grupos

CESE apela à melhoria das cláusulas de salvaguarda agrícolas nos acordos comerciais

Pelo Grupo dos Empregadores do CESE

A reunião plenária de julho foi a ocasião para adotar um parecer de iniciativa sobre a introdução de medidas de salvaguarda para os produtos agrícolas nos acordos comerciais da UE.

Como reagiria a economia se garantíssemos normas mínimas comuns no domínio do desemprego na Europa?

Pelo Grupo dos Trabalhadores do CESE

A atual pandemia de COVID-19 transformou uma crise iminente numa depressão económica em grande escala, causando a maior queda do PIB em tempos de paz do século, e empurrando milhões de trabalhadores para vários regimes de desemprego ou de trabalho a tempo parcial. Apesar do seu papel na atenuação da maior parte do impacto, os nossos sistemas sociais estão, de um modo geral, tão mal preparados como os nossos sistemas de saúde contra a pandemia, uma vez que foram gravemente comprometidos por anos de austeridade após a crise de 2008.

Publicado novo estudo intitulado «Encontrar um novo consenso sobre os valores da sociedade civil europeia e a sua avaliação», encomendado pelo Grupo Diversidade Europa do CESE

Pelo Grupo Diversidade Europa do CESE

Será que as organizações da sociedade civil em França, Alemanha, Itália, Grécia, Hungria e Polónia partilham de uma noção comum dos valores de democracia, Estado de direito e solidariedade?

O novo estudo intitulado Finding a new consensus on European civil society values and their evaluation [Encontrar um novo consenso sobre os valores da sociedade civil europeia e a sua avaliação], levado a cabo pelo Centro de Política Europeia (CPE) para o CESE, a pedido Grupo Diversidade Europa do CESE, demonstra que as organizações da sociedade civil nos países estudados tendem a convergir na sua definição destes valores, ainda que apresentem interpretações mais diversas de solidariedade do que de democracia e Estado de direito.