É sobre as organizações da sociedade civil que recai a missão de reforçar a coesão para despolarizar as sociedades, dado que têm a força e a motivação para proteger os espaços cívicos e democráticos. Esta foi a principal mensagem da segunda edição da Semana da Sociedade Civil, organizada pelo Comité Económico e Social Europeu (CESE), que debateu a tendência alarmante de polarização generalizada nas sociedades da UE.

Mais de 800 pessoas, incluindo representantes de organizações da sociedade civil, organizações não governamentais (ONG) e organizações de juventude, bem como partes interessadas e jornalistas, reuniram-se no CESE, de 17 a 20 de março, por ocasião da Semana da Sociedade Civil, para partilhar pontos de vista e debater formas de reforçar a coesão e a participação nas sociedades polarizadas.

A Semana da Sociedade Civil acolheu 14 sessões organizadas por membros do Grupo de Ligação do CESE e por parceiros do Dia da Iniciativa de Cidadania Europeia, bem como a cerimónia de entrega do Prémio CESE para a Sociedade Civil. Os participantes elaboraram um conjunto abrangente de medidas concretas e exigências fundamentais para criar sociedades mais coesas, nomeadamente:

  • reforçar a coesão através da educação e da cultura;
  • proporcionar uma habitação sustentável e a preços acessíveis;
  • aumentar a participação pública através da Iniciativa de Cidadania Europeia;
  • assegurar uma transição justa inclusiva e um crescimento verde e azul;
  • elaborar uma estratégia europeia forte para a sociedade civil;
  • reforçar o apoio às organizações da sociedade civil e o seu financiamento;
  • associar os jovens à construção de uma Europa mais forte e mais resiliente;
  • impulsionar a inovação e a tecnologia em prol do bem comum.

Na sessão de encerramento, o presidente do CESE, Oliver Röpke, afirmou: «Ao concluirmos esta segunda edição da Semana da Sociedade Civil, sinto-me profundamente inspirado pela energia, resiliência e empenho dos intervenientes da sociedade civil de toda a Europa. Esta semana demonstrou que uma sociedade civil unida consegue conceber soluções que reforcem a nossa democracia, promovam a coesão social e construam uma Europa verdadeiramente ao serviço dos seus cidadãos.»

Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável pela Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, salientou o papel crucial que as organizações da sociedade civil desempenham para orientar as sociedades em consonância com os valores europeus fundamentais.

Victor Negrescu, vice-presidente do Parlamento Europeu, lançou um forte apelo à ação, solicitando às organizações da sociedade civil que demonstrem a sua firmeza e reajam à retórica agressiva: «Precisamos de uma sociedade civil sólida e de uma verdadeira parceria entre a sociedade civil e os decisores políticos, a fim de construir em conjunto uma sociedade coesa com um impacto real na vida das pessoas.»

Os representantes das organizações da sociedade civil sublinharam que as sociedades civis não se limitam a ser prestadores de serviços: são um elemento fundamental da democracia e da participação. Nataša Vučković, secretária-geral da Fundação Centro para a Democracia na Sérvia, manifestou o seu otimismo quanto ao papel essencial que a sociedade civil pode desempenhar na luta contra as causas profundas e a propagação das narrativas antidemocráticas e antieuropeias, tanto na UE como nos países candidatos. Tal pode ser feito explicando o que faz a União Europeia e assegurando que os seus benefícios chegam a todos os cidadãos na sua vida quotidiana. (at)