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European Economic and Social Committee A bridge between Europe and organised civil society

FEBRUARY 2023 | PT

EDIÇÃO ESPECIAL DO CESE INFO – Prémio para a Sociedade Civil 2022
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Editorial

Homenagem a todos os que trazem luz às suas comunidades

Homenagem a todos os que trazem luz às suas comunidades

Caras leitoras, caros leitores,

No final de 2021, a UE decidiu que 2022 seria o Ano Europeu da Juventude. O seu objetivo era chamar a atenção para a situação dos jovens, especialmente no contexto da crise da COVID-19 que os afetou muito e os prejudicou no mercado de trabalho e na sua educação.

A UE pretendia incentivar os decisores políticos a promoverem oportunidades para os jovens e encorajá-los a tornarem-se cidadãos ativos e agentes de mudança e preconizou um empenho especial nos jovens que tais medidas teriam mais dificuldade em alcançar: os jovens com deficiência, os grupos minoritários e os que vivem em zonas desfavorecidas.

 

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Homenagem a todos os que trazem luz às suas comunidades

Caras leitoras, caros leitores,

No final de 2021, a UE decidiu que 2022 seria o Ano Europeu da Juventude. O seu objetivo era chamar a atenção para a situação dos jovens, especialmente no contexto da crise da COVID-19 que os afetou muito e os prejudicou no mercado de trabalho e na sua educação.

A UE pretendia incentivar os decisores políticos a promoverem oportunidades para os jovens e encorajá-los a tornarem-se cidadãos ativos e agentes de mudança e preconizou um empenho especial nos jovens que tais medidas teriam mais dificuldade em alcançar: os jovens com deficiência, os grupos minoritários e os que vivem em zonas desfavorecidas.

Não podíamos imaginar que, menos de dois meses após o início do ano que a UE dedicara aos jovens, numa reviravolta cruel do destino, os jovens das suas fronteiras orientais estariam a fugir para abrigos para se protegerem de bombas e mísseis, seriam forçados a abandonar o seu país para evitar a morte ou perderiam os seus irmãos, pais ou a sua própria vida nas valas sangrentas dos campos de batalha ucranianos, na sequência do ataque desumano da Rússia à Ucrânia e à sua população civil.
Nesse ano de acontecimentos tão turbulentos, o CESE decidiu criar duas categorias para o Prémio para a Sociedade Civil 2022: a juventude e a Ucrânia.

Na primeira categoria intitulada «Capacitar os jovens», procurámos projetos que encorajaram e ajudaram de forma criativa as novas gerações a encontrar a sua voz e a manter-se firmes num mundo cada vez mais polarizado e hostil, que, por exemplo, luta contra a inflação, as alterações climáticas e a crise energética.

O prémio para a categoria «Sociedade civil pela Ucrânia» visava prestar homenagem à sociedade civil, que se mobilizou rapidamente para ajudar os cidadãos ucranianos quando a guerra começou, e honrar os milhares de iniciativas da sociedade civil que surgiram por toda a Europa em resposta à situação difícil dos ucranianos face à agressão russa.

Recebemos mais de cem candidaturas e não foi fácil selecionar as melhores, pois todos os nossos candidatos mereciam o prémio pela sua dedicação e solidariedade. No fim, o prémio foi repartido entre seis organizações, três de cada categoria, de cinco países da UE: Itália, Polónia, Portugal, Roménia e Espanha (esta com dois projetos vencedores).  

Em 15 de dezembro, celebrámos os seus resultados extraordinários na cerimónia de entrega dos prémios, em Bruxelas.

Os três projetos vencedores na categoria dedicada à juventude ajudaram jovens com uma vida difícil, provenientes de segmentos desfavorecidos da sociedade, a saber, a minoria cigana, os jovens que passaram parte ou toda a sua infância em sistemas de acolhimento e que enfrentam agora o mundo sozinhos, bem como os jovens em situação de exclusão social por vários motivos.

Os três projetos dedicados à Ucrânia ajudaram os refugiados de diversas formas, prestando assistência quando chegavam aos postos de fronteira e recolhendo ajuda, cuidando de crianças com cancro e facilitando a integração dos ucranianos nas suas novas comunidades.

Permitam-me concluir a minha introdução a esta edição especial do Boletim CESE Info dedicada ao Prémio para a Sociedade Civil repetindo as palavras de Martyna Kowacka, representante do nosso vencedor polaco, que, num gesto simbólico, trouxe a luz da paz de Belém para a cerimónia de entrega do prémio e destacou a importância de reagir perante o mal e de construir valores como a tolerância, a amizade e a vontade de ajudar.

Martyna Kowacka afirmou que todos devem contribuir para que, um dia, em vez do fogo da guerra vejamos a luz da paz.
Estamos convencidos que, graças ao altruísmo e aos inúmeros esforços das pessoas no terreno que todos os dias contribuem para tornar o mundo melhor, o fogo da guerra se apagará rapidamente e será substituído pela luz da paz. E, com o nosso prémio, queremos homenagear não só os nossos vencedores e os demais candidatos, mas também todas as outras pessoas e organizações que continuam a trazer luz às suas comunidades.

Cillian Lohan, vice-presidente responsável pela Comunicação

 

Veja a cerimónia de entrega do Prémio para a Sociedade Civil 2022

Reviva a experiência da cerimónia de entrega dos prémios com o nosso vídeo!

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Reviva a experiência da cerimónia de entrega dos prémios com o nosso vídeo!

Ver os vídeos dos projetos do Prémio para a Sociedade Civil 2022

Abaixo pode ver os vídeos dos projetos vencedores.

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Abaixo pode ver os vídeos dos projetos vencedores.

«Aprender Trabalhando»

 

«Escola de Superpoderes»

Care Leavers Network Italia

Associação SUS INIMA

«Estás em Segurança»

Associação Polaca de Guias e Escuteiros

Prémio para a Sociedade Civil 2022 nos meios de comunicação social

O Prémio para a Sociedade Civil 2022 tem sido manchete em vários meios de comunicação social

 

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O Prémio para a Sociedade Civil 2022 tem sido manchete em vários meios de comunicação social

Bulgária – BTA: Европейска институция връчва годишните си награди за гражданското общество за 2022 г

Croácia – HIA: Mladi i Ukrajina - glavne teme ovogodišnjeg natječaja Europskog gospodarskog i socijalnog odbora

Itália – Vita: La rete dei ragazzi fuori famiglia premiata a Bruxelles

Itália – Eunews: L’Italia al Premio Cese per la società civile: fra i vincitori l’associazione Agevolando

Polónia – TVP: Polscy harcerze wyróżnieni nagrodą dla Społeczeństwa Obywatelskiego 2022

Polónia – Onet: Rusza konkurs o europejską nagrodę. Dwa tematy

Portugal – Diário do Minho: Europa precisa mais do que nunca de bons exemplos de cidadania ativa

Roménia – Radio Romania International: România câştigă din nou Premiul Societăţii Civile

Roménia – Curierul Naţional: Asociația românească ”Sus Inima” câștigă ediția din 2022 a Premiului CESE pentru societatea civilă

New publications

A brochura do Prémio para a Sociedade Civil 2022 já está disponível!

O CESE publicou uma brochura em que apresenta os seis vencedores da edição de 2022 do Prémio para a Sociedade Civil. A publicação mostra exemplos notáveis de uma sociedade civil empenhada em criar um futuro melhor para os jovens e em ajudar as vítimas da guerra na Ucrânia.

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O CESE publicou uma brochura em que apresenta os seis vencedores da edição de 2022 do Prémio para a Sociedade Civil. A publicação mostra exemplos notáveis de uma sociedade civil empenhada em criar um futuro melhor para os jovens e em ajudar as vítimas da guerra na Ucrânia.

Pode descarregá-la no seguinte endereço: https://www.eesc.europa.eu/pt/our-work/publications-other-work/publications/2022-eesc-civil-society-prize-youth-and-ukraine. (ab)

Notícias do CESE

Fundación Secretariado Gitano, de Espanha, e associação SUS INIMA, da Roménia, vencem categorias «Juventude» e «Ucrânia» do Prémio CESE para a Sociedade Civil de 2022

Excecionalmente, este ano foram galardoadas duas categorias de vencedores: «capacitar os jovens» e «sociedade civil europeia pela Ucrânia».

O Comité Económico e Social Europeu (CESE) distinguiu seis organizações da sociedade civil pelos seus projetos excecionais, que constituem verdadeiros exemplos do empenho da sociedade civil em criar um futuro melhor para os jovens europeus e aliviar a situação dos ucranianos que sofrem devido à invasão brutal do seu país pela Rússia.

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Excecionalmente, este ano foram galardoadas duas categorias de vencedores: «capacitar os jovens» e «sociedade civil europeia pela Ucrânia».

O Comité Económico e Social Europeu (CESE) distinguiu seis organizações da sociedade civil pelos seus projetos excecionais, que constituem verdadeiros exemplos do empenho da sociedade civil em criar um futuro melhor para os jovens europeus e aliviar a situação dos ucranianos que sofrem devido à invasão brutal do seu país pela Rússia.

O prémio de 60 000 euros foi repartido pelos seis projetos vencedores. A Fundación Secretariado Gitano, de Espanha, recebeu o primeiro prémio, no valor de 14 000 euros, na categoria «Capacitar os jovens». O seu projeto «Aprender Trabalhando» procura dar resposta ao desemprego entre os jovens ciganos. A associação SUS INIMA, da Roménia, recebeu o mesmo montante ao vencer o primeiro prémio na categoria dos projetos relativos à Ucrânia. Esta associação apoia a integração harmoniosa dos refugiados ucranianos na sociedade romena.

Cada uma das outras quatro associações recebeu 8 000 euros. A classificação final destes premiados foi a seguinte:
CATEGORIA 1 – JUVENTUDE
2.º prémio – Movimento Transformers (Portugal)
3.º prémio – Associazione Agevolando (Itália)

CATEGORIA 2 – UCRÂNIA
2.º prémio – Fundação Villavecchia (Espanha)
3.º prémio – Associação Polaca de Guias e Escuteiros (Polónia)

Na cerimónia de entrega dos prémios, realizada em Bruxelas, a presidente do CESE, Christa Schweng, felicitou os seis vencedores e agradeceu a todos os candidatos pelas respetivas candidaturas enriquecedoras: «A vossa solidariedade e as vossas iniciativas pela Ucrânia fizeram a diferença para centenas de milhares de pessoas. As vossas iniciativas para capacitar os jovens desfavorecidos terão um impacto nas suas vidas. Os vossos projetos e o vosso empenho na sua execução constituem um verdadeiro exemplo de cidadania ativa. Nestes tempos difíceis, a Europa precisa deste tipo de exemplos e do vosso empenho mais do que nunca!»

Na entrega dos prémios, Cillian Lohan, vice-presidente do CESE responsável pela Comunicação, afirmou: «Estamos a enfrentar desafios enormes à escala mundial: alterações climáticas, paz, segurança energética, inteligência artificial e outras tecnologias emergentes, desenvolvimento sustentável e muitos outros. Cabe-nos avaliar devidamente o impacto de todas as nossas políticas nos jovens e envolvê-los em todas as fases dos processos de decisão. Já não basta escutar e consultar os jovens. Chegou o momento de criar, conceber e produzir as políticas em conjunto com eles».

PRIMEIRO PRÉMIO
«Aprender Trabalhando», da Fundación Secretariado Gitano, de Espanha, foi o projeto com mais votos no domínio da juventude.  Incide no desemprego entre os jovens ciganos dos 16 aos 30 anos de idade. Através de uma parceria público-privada, o programa combina a formação teórico-prática, com o objetivo de eliminar os estereótipos e os preconceitos contra a população cigana nas empresas que participam na iniciativa e de combater a exclusão social em geral.

Em virtude do seu projeto de integração harmoniosa dos refugiados ucranianos na sociedade romena, centrado na região de Sibiu, a associação romena SUS INIMA recebeu o primeiro prémio na categoria «Sociedade civil europeia pela Ucrânia». Esta ONG já ajudou dezenas de milhares de refugiados ucranianos. Afastando-se do seu trabalho habitual de apoio a doentes com cancro, a SUS INIMA desenvolveu uma série de iniciativas para ajudar os ucranianos, desde as atividades escolares e a procura de emprego até à terapia e ao apoio psicológico. Tal permitiu, por sua vez, que as famílias ucranianas se integrassem de forma harmoniosa na sociedade romena, uma vez que lhes conferiu um sentimento de pertença e um lugar seguro – tanto físico como mental.


MAIS INFORMAÇÕES SOBRE OS OUTROS PROJETOS VENCEDORES

CATEGORIA 1 — CAPACITAR OS JOVENS

O segundo prémio na categoria «Juventude» foi atribuído à associação portuguesa Movimento Transformers e ao seu programa de voluntariado Escolas de Superpoderes, em que os mentores dão aulas semanais aos aprendizes, principalmente crianças e jovens em risco de exclusão social. O programa ajuda os jovens a descobrir os seus talentos – em domínios como a culinária, as artes marciais, a fotografia e a escrita criativa – e a desenvolver competências que lhes permitam tornar-se agentes da mudança e retribuir com base no que aprenderam para transformar positivamente a sua comunidade.

A vencedora do terceiro prémio, a Associazione Agevolando, de Itália, defende os direitos e o bem-estar dos menores e dos jovens adultos que passaram parte ou a totalidade da sua infância em famílias ou centros de acolhimento e que, ao atingirem a maioridade, devem tornar-se independentes. A sua iniciativa Care Leavers Network Italia [Rede italiana de jovens que terminam a fase de acolhimento] é uma rede informal a nível nacional de jovens entre os 16 e os 26 anos de idade que viveram no sistema de acolhimento e visa, principalmente, encorajar as oportunidades de intercâmbio e de aprendizagem.

CATEGORIA 2 — SOCIEDADE CIVIL EUROPEIA PELA UCRÂNIA

O segundo prémio foi atribuído à Fundação Villavecchia, de Espanha. Com o seu fundo de emergência «Estás em Segurança», esta fundação espanhola proporciona cuidados a jovens doentes com cancro e aos respetivos pais. As crianças ucranianas gravemente doentes foram retiradas dos horrores da guerra por organizações internacionais e levadas para lugares seguros para continuarem os seus tratamentos. Um desses lugares seguros foi Barcelona, onde a fundação tem procurado oferecer a melhor qualidade de vida possível a esses jovens doentes ucranianos e às suas famílias, garantindo-lhes cuidados abrangentes a todos os níveis.

O terceiro lugar foi para a Associação Polaca de Guias e Escuteiros (ZHP), a maior organização de educação não formal de jovens do país, que se mobilizou para ajudar os ucranianos assim que a guerra começou. Os voluntários da ZHP têm estado nos pontos de passagem fronteiriços, orientando as pessoas para lugares seguros, prestando informações, recolhendo e transportando donativos e organizando «patrulhas fronteiriças» com experiência em primeiros socorros. A associação centrou-se em particular nas crianças ucranianas, recolhendo brinquedos, apoiando-as psicologicamente e incluindo-as nas atividades dos escuteiros.

SOBRE O PRÉMIO PARA A SOCIEDADE CIVIL

A edição do Prémio para a Sociedade Civil deste ano recebeu 106 candidaturas de 21 Estados-Membros: 60 para a categoria 1 (Juventude) e 46 para a categoria 2 (Ucrânia).

O CESE espera que este prémio incentive a sociedade civil a manter a solidariedade com o povo ucraniano e a continuar a dar voz e capacidades à geração que é o futuro da Europa.
O Prémio para a Sociedade Civil visa recompensar a «excelência em iniciativas da sociedade civil». Todos os anos, o prémio é subordinado a um aspeto diferente do trabalho do CESE. Em 2021, recompensou projetos que combateram de forma criativa a crise climática. Em 2020, o CESE lançou o Prémio para a Solidariedade Civil, de edição única, dedicado à luta contra a COVID-19. Em 2019, o tema foi a igualdade de género e a emancipação das mulheres.

Mais informações sobre o Prémio para a Sociedade Civil de 2022 estão disponíveis aqui.

 

 

Sabia que...?

A taxa de abandono escolar precoce dos jovens ciganos é de 64%, em comparação com 19% na população em geral, e 78% dos jovens desta etnia carecem de competências básicas porque nunca concluíram o ensino obrigatório. Além disso, a taxa de desemprego dos jovens ciganos é três vezes superior à dos outros jovens. O programa «Aprender Trabalhando», da Fundação Secretariado Gitano, de Espanha, vencedora do Prémio CESE para a Sociedade Civil na categoria «Jovens», está a tentar mudar essa realidade. O programa oferece aos jovens ciganos a oportunidade de adquirirem experiência profissional e de receberem formação em empresas de referência que aderiram à iniciativa. Os resultados já são visíveis: 55% dos cerca de 3 500 jovens ciganos que participaram no programa encontraram emprego e 32% regressaram à escola.

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A taxa de abandono escolar precoce dos jovens ciganos é de 64%, em comparação com 19% na população em geral, e 78% dos jovens desta etnia carecem de competências básicas porque nunca concluíram o ensino obrigatório. Além disso, a taxa de desemprego dos jovens ciganos é três vezes superior à dos outros jovens. O programa «Aprender Trabalhando» da Fundação Secretariado Gitano, de Espanha, vencedora do Prémio CESE para a Sociedade Civil na categoria «Jovens», está a tentar mudar essa realidade. O programa oferece aos jovens ciganos a oportunidade de adquirirem experiência profissional e de receberem formação em empresas de referência que aderiram à iniciativa. Os resultados já são visíveis: 55% dos cerca de 3 500 jovens ciganos que participaram no programa encontraram emprego e 32% regressaram à escola.

No projeto de ensino de jovens na Escola de Superpoderes, um programa de voluntariado do Movimento Transformers, o galardoado português, os aprendizes não se limitam a aprender: têm de «devolver» à comunidade aquilo que aprenderam, identificando um problema social e resolvendo-o com o talento ou «superpoder» que adquiriram. Os alunos da Escola de Superpoderes – na sua maioria crianças e jovens em risco de exclusão social – têm aulas semanais nas quais podem desenvolver os seus talentos em domínios como a culinária, a fotografia, a escrita criativa ou a patinagem, mas os seus mentores também os ajudam a adquirir outras competências e sensibilizam-nos para valores como a igualdade de género, a sustentabilidade ambiental ou social e a comunicação positiva. Cerca de 80% dos jovens que frequentaram a Escola de Superpoderes afirmam saber melhor o que querem fazer na vida e 30% deixaram de ter resultados escolares negativos.

A Rede Care Leavers, um projeto experimental criado em 2014 na região italiana da Emília-Romanha pela organização de voluntariado Agevolando – outra galardoada da edição de 2022 do Prémio CESE para a Sociedade Civil – ganhou projeção nacional, e está hoje presente em 12 regiões italianas. A rede já contou com a participação de 500 jovens de toda a Itália que, depois de crescerem numa instituição ou família de acolhimento, apresentaram propostas para inovar o sistema de acolhimento e deram um novo impulso às respetivas políticas nacionais, no intuito de ajudar os jovens a prosseguir o seu percurso de forma independente após abandonarem o sistema. Daqui nasceu, por exemplo, o fundo experimental nacional para jovens que terminam o seu percurso no sistema de acolhimento, que presta apoio concreto aos jovens até aos 21 anos.

O primeiro prémio na categoria «Ucrânia» foi para a associação romena SUS INIMA, cujo modelo de integração dos refugiados se baseia num questionário simples com perguntas sobre diferentes temáticas, como a educação, os serviços médicos, o acesso às necessidades básicas ou a qualidade de vida em geral. A partir dos dados obtidos, a associação desenvolve atividades e iniciativas para responder da melhor forma à evolução das necessidades dos inquiridos. Esta abordagem reforçou a confiança entre a sociedade de acolhimento e os refugiados e rapidamente permitiu que estes se tornassem membros da comunidade.

Em Espanha, «Estás em Segurança» não é apenas o nome do fundo de emergência espanhol para crianças ucranianas com cancro que retomaram o seu tratamento médico em Barcelona após o início da guerra no seu país. São também as palavras com que os membros da Fundação Villavecchia, a associação que gere o fundo, acolheram as mães e outros familiares de 16 jovens pacientes oncológicos quando chegaram a Barcelona em meados de março de 2022. Para transformar as palavras em atos e garantir que os jovens pacientes e as suas famílias são tratados e apoiados da melhor forma, a Fundação Villavecchia associou-se a muitos hospitais, voluntários e entidades.

A Associação Polaca de Guias e Escuteiros vem ajudando ativamente os refugiados ucranianos desde o primeiro dia da agressão russa. Os escuteiros estiveram presentes em seis pontos de passagem de fronteira e, durante o primeiro mês da guerra, ajudaram diretamente mais de 1,5 milhões de refugiados. No total, dos cerca de três milhões de civis que fugiram da Ucrânia para a Polónia, um em cada três recebeu assistência em centros geridos por escuteiros e uma em cada cinco crianças participou em atividades lideradas pelos escuteiros. Nos primeiros meses, os voluntários prestaram apoio 24 horas por dia. A Associação Polaca de Guias e Escuteiros também recolheu 127 toneladas de bens de ajuda, que foram enviados à Ucrânia. (ll)

Nas palavras dos vencedores

Desconstruindo estereótipos: os ciganos também querem trabalhar e aproveitar o seu potencial

A Fundación Secretariado Gitano, vencedora espanhola do primeiro prémio, lançou o seu projeto «Aprender Trabalhando» em 2013. Nos 10 anos da sua existência, o projeto permitiu que mais de metade dos jovens ciganos participantes obtivessem um emprego e um terço regressasse à escola para concluir o ensino secundário obrigatório. Contudo, o mais impressionante é que 87% dos jovens participantes afirmam que a sua vida melhorou e 94% das empresas que, ao contratá-los, participaram no projeto declararam estar dispostas a repetir a experiência. Raúl Pérez, da fundação, contou-nos mais:

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A Fundación Secretariado Gitano, vencedora espanhola do primeiro prémio, lançou o seu projeto «Aprender Trabalhando» em 2013. Nos 10 anos da sua existência, o projeto permitiu que mais de metade dos jovens ciganos participantes obtivessem um emprego e um terço regressasse à escola para concluir o ensino secundário obrigatório. Contudo, o mais impressionante é que 87% dos jovens participantes afirmam que a sua vida melhorou e 94% das empresas que, ao contratá-los, participaram no projeto declararam estar dispostas a repetir a experiência. Raúl Pérez, da fundação, contou-nos mais:

CESE Info: O que motivou este projeto/iniciativa?
O projeto «Aprender Trabalhando» foi lançado em 2013, num momento em que o mundo atravessava uma crise económica grave, que provocou em Espanha, por exemplo, o aumento exponencial da taxa de desemprego. O desemprego atingiu duramente o segmento mais jovem da população: em 2013, a taxa de desemprego jovem situava-se nos 55,48%, o que é inaceitável (relatório sobre os jovens e o mercado de trabalho, de junho de 2014, do Ministério do Emprego e Segurança Social). No que diz respeito à população cigana em Espanha, 60% da qual tem idade inferior a 30 anos e cuja taxa de desemprego é geralmente três vezes superior ao do resto da população, a situação agravou-se pelo facto de, muitas vezes, não possuírem as qualificações de base obrigatórias (apenas 17% cumprem a escolaridade mínima obrigatória) e não terem formação nem experiência profissional anterior (66% dos jovens ciganos não estudam nem trabalham) (estudo comparado sobre a situação da população cigana em Espanha no que diz respeito ao emprego e à pobreza, de 2018, Fundación Secretariado Gitano).

Em resposta a esta situação, foram adotadas várias medidas a nível nacional (por exemplo, a Estratégia para o Empreendedorismo e o Emprego dos Jovens 2013-2016) e a nível da UE (por exemplo, a Garantia para a Juventude). Nessa altura, a Fundación Secretariado Gitano, beneficiava de financiamento através do programa operacional de luta contra a discriminação, no âmbito do FSE, para desenvolver o programa «Aceder», uma iniciativa para a formação e o emprego da população cigana. Assim, os fundos europeus proporcionaram a oportunidade de testar um novo modelo de formação para jovens ciganos oriundos de meios vulneráveis.

Como foi recebido o projeto? Tiveram alguma reação das pessoas que ajudaram? (Pode dar um exemplo, se tiver?)
Durante os seus 10 anos de desenvolvimento, o projeto «Aprender Trabalhando» deu formação a mais de 3 500 ciganos com menos de 30 anos de idade que não estudavam nem trabalhavam, enquanto beneficiários do programa nacional da Garantia para a Juventude. Esta iniciativa permitiu a integração de 55% no mercado de trabalho e o regresso à escola de 32% para concluírem o ensino secundário obrigatório. 87% dos jovens participantes afirmam que a sua vida melhorou, e 94% das empresas parceiras estariam dispostas a colaborar novamente com o projeto «Aprender Trabalhando» (segundo o relatório executivo do projeto «Aprender Trabalhando» 2013-2021).

Seguem-se dois testemunhos de antigos formandos do «Aprender Trabalhando», que também podem ser ouvidos no vídeo que lançámos para assinalar o nosso 10.º aniversário: 10 anos. Aprender Trabalhando, 2022:
«Estive desempregado durante dois anos. Ficámos sem casa, andámos de um lugar para o outro, sem saber onde iríamos parar. Entrei em contacto com o "Aprender Trabalhando" porque queria receber formação e arranjar emprego.» Este é o testemunho de Manuel Lizárraga, que participou no «Aprender Trabalhando», na sede da Fundación Secretariado Gitano, em Burgos. Atualmente, trabalha na empresa Alcampo.
Maria Bruno afirma com orgulho: «Quero trabalhar e realizar o meu potencial como pessoa, como qualquer outro cidadão. Posso ser cigana, mas não quer dizer que não consiga.» Maria participou no «Aprender Trabalhando» em Madrid, com a empresa Bricodepot, situada em Getafe. «Gosto muito de ir trabalhar. Adoro o sítio e estou rodeada de pessoas maravilhosas. Trataram-me como uma pessoa, não como a rapariga nova ou a cigana nova.»

De que modo tencionam aplicar este financiamento específico para prestar mais ajuda à comunidade? Já estão a planear novos projetos?
Desde a sua criação, os programas «Aceder» e «Aprender Trabalhando» têm sido essencialmente urbanos, desenvolvendo-se nas principais cidades de Espanha e centrando-se, sobretudo, no emprego no setor dos serviços, predominantemente em zonas urbanas. Tudo isto limita o seu âmbito de ação, deixando de fora a população cigana das zonas rurais, que, apesar de enfrentar problemas semelhantes à das cidades em termos de discriminação ou de restrição no acesso ao emprego, não tem as mesmas oportunidades de acesso a este tipo de apoio.

Por isso, um desafio seria alargar esta experiência ao maior número possível de ciganos, adaptando o modelo às zonas onde vive uma população cigana significativa mas onde a nossa organização não têm escritórios (principalmente em ambientes rurais) e colaborando com empresas de setores diferentes dos tradicionais setores comercial e hoteleiro.

Para o efeito, sempre que as circunstâncias o permitam, pretendemos utilizar estes fundos para financiar um estudo (ou parte de um estudo) para adaptar o modelo do «Aprender Trabalhando» ao meio rural e a novos setores diferentes do comércio e da hotelaria.
Se, em última análise, não for possível utilizar os fundos para este estudo, eles serão reinvestidos no próprio projeto «Aprender Trabalhando», através da aquisição de materiais para as atividades da componente teórica.

Que conselho daria a outras organizações para obterem resultados em atividades e programas deste tipo?

  • Qualquer projeto de inserção no mercado de trabalho deve incluir a cooperação com as empresas ao longo do processo de conceção, execução e acompanhamento.
  • É importante começar com projetos-piloto e prever uma expansão desde o início, caso a experiência se revele positiva.
  • É importante designar tutores, tanto do lado da ONG como da empresa, e assegurar clareza na comunicação e no processo de coordenação entre as duas partes.
  • Deve haver uma combinação da formação teórica e prática em ambientes de trabalho reais, enquanto via eficaz de formação que corresponde às exigências do mercado de trabalho e como forma de promover a criação de oportunidades de emprego subsequentes.
  • Os cursos e processos de formação devem ser adaptados às necessidades e circunstâncias das pessoas visadas, a fim de garantir a igualdade de acesso aos recursos de formação e de emprego.

Acha que a UE faz o suficiente para ajudar os jovens desfavorecidos? Tem ideias ou recomendações para ações específicas?
É necessário criar mecanismos para garantir que os países (a nível estatal, regional ou local) levam a cabo projetos eficazes para integrar os jovens mais desfavorecidos no mercado de trabalho e que esses projetos chegam efetivamente às pessoas que deles mais necessitam, como a população cigana. É essencial assegurar que as intervenções têm uma abordagem de longo prazo, o que é fundamental para produzir mudanças reais na vida destes jovens.
Talvez os fundos europeus pudessem cofinanciar ainda mais estes projetos, já que tal facilitaria o investimento nos mesmos.
Sempre que a utilização de recursos financeiros europeus esteja associada a recrutamentos (por exemplo, grandes investimentos realizados ou a realizar ao abrigo dos fundos NextGenerationEU), deveria incentivar-se a inclusão de cláusulas para o recrutamento de jovens desfavorecidos.

 

Qual é o teu superpoder?

Os alunos da Escola de Superpoderes – a maioria dos quais são jovens em risco de exclusão social – não desenvolvem apenas competências e talentos como a gastronomia, a fotografia ou a escrita criativa. A escola, lançada pela associação portuguesa Movimento Transformers, é um programa de voluntariado que também os dota de competências e conhecimentos que os ajudarão a desenvolver a sua autoestima e a tornarem-se membros ativos da sociedade. Entrevistámos Joana Moreira, do Movimento Transformers, para saber mais sobre esta iniciativa.

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Os alunos da Escola de Superpoderes – a maioria dos quais são jovens em risco de exclusão social – não desenvolvem apenas competências e talentos como a gastronomia, a fotografia ou a escrita criativa. A escola, lançada pela associação portuguesa Movimento Transformers, é um programa de voluntariado que também os dota de competências e conhecimentos que os ajudarão a desenvolver a sua autoestima e a tornarem-se membros ativos da sociedade. Entrevistámos Joana Moreira, do Movimento Transformers, para saber mais sobre esta iniciativa.

CESE Info: O que motivou este projeto / iniciativa?

Nós acreditamos que os jovens não se envolvem não porque não querem, mas porque ainda não encontraram a sua forma efetiva de fazer a diferença. Foi com base nesta premissa que criámos o Movimento Transformers, garantindo que os jovens podiam participar nas suas comunidades utilizando os seus talentos.

Como foi recebido o projeto? Teve alguma reação das pessoas que ajudou?

O projeto tem sido um sucesso e já mobilizámos mais de 6 000 jovens por todo o país. Grande parte dos nossos aprendizes tornaram-se mentores, partilhando o talento que aprenderam com outros jovens, garantindo um ciclo de transmissão informal de conhecimento e um verdadeiro impacto sistémico.

De que modo tenciona aplicar este financiamento específico para prestar mais ajuda à comunidade? Já está a planear novos projetos?

Com este financiamento vamos poder aumentar o nosso impacto, trabalhando com mais jovens a nível nacional. Vamos também retomar o nosso evento anual, a TCONF (uma conferência de jovens para jovens), este ano dedicada ao tema da saúde mental nos jovens.

Que conselho daria a outras organizações para obterem resultados em atividades e programas deste tipo?

Trabalharem em colaboração com outras entidades, terem uma estratégia de advocacy, recrutarem as melhores pessoas para as suas equipas e pedirem ajuda sempre que necessário. Acreditamos mesmo que nunca se ganham campeonatos a trabalharmos sozinhos, precisamos sempre de aliados e de garantir uma verdadeira mudança da política pública para conseguirmos gerar impacto positivo.

Acha que a UE faz o suficiente para ajudar os jovens desfavorecidos? Tem ideias ou recomendações para ações específicas?

Acredito que o caminho está a ser bem trilhado, com programas de intercâmbio para dar mundo aos jovens, com oportunidades de formação e de participação. No entanto, gostava que houvesse mais partilha de boas práticas de outras organizações, porque existem metodologias que podem atravessar fronteiras, como o nosso programa das Escolas de Superpoderes, que pode ser implementado por qualquer organização da UE que trabalhe com jovens desfavorecidos.

 

Agentes de mudança

A associação Agevolando é uma organização italiana de voluntariado que reúne menores e jovens adultos que passaram parte ou toda a sua infância em sistemas de acolhimento e que têm de abandonar o sistema para viver de forma independente. Dado que essa transição está longe de ser fácil, a Agevolando criou a rede de jovens saídos do acolhimento – Care Leavers Network (CLN), projeto que recebeu o Prémio para a Sociedade Civil 2022 na categoria da juventude. O seu objetivo é, por um lado, criar um espaço para que os jovens que terminam o percurso de acolhimento apresentem as suas próprias propostas e soluções e se tornem intervenientes fundamentais na criação de um sistema de acolhimento que responda verdadeiramente às suas necessidades, e, por outro, tornar a transição para a idade adulta o menos abrupta possível para todos os que se encontram na sua situação. Falámos com o presidente e com a gestora de projeto da Care Leavers Network, Federico Zullo e Cecilia Dante.

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A associação Agevolando é uma organização italiana de voluntariado que reúne menores e jovens adultos que passaram parte ou toda a sua infância em sistemas de acolhimento e que têm de abandonar o sistema para viver de forma independente. Dado que essa transição está longe de ser fácil, a Agevolando criou a rede de jovens saídos do acolhimento – Care Leavers Network (CLN), projeto que recebeu o Prémio para a Sociedade Civil 2022 na categoria da juventude. O seu objetivo é, por um lado, criar um espaço para que os jovens que terminam o percurso de acolhimento apresentem as suas próprias propostas e soluções e se tornem intervenientes fundamentais na criação de um sistema de acolhimento que responda verdadeiramente às suas necessidades, e, por outro, tornar a transição para a idade adulta o menos abrupta possível para todos os que se encontram na sua situação. Falámos com o presidente e com a gestora de projeto da Care Leavers Network, Federico Zullo e Cecilia Dante.

CESE Info: O que vos levou a lançar esta iniciativa?

A CLN (Care Leavers Network) surgiu na sequência da constatação de que os jovens saídos do acolhimento ativamente envolvidos na associação Agevolando precisavam de dispor de um espaço para si, para que pudessem comparar experiências e elaborar coletivamente propostas para melhorar o sistema de acolhimento e a transição subsequente para a idade adulta em Itália e na Europa. A Agevolando optou por promover o apoio dos jovens saídos do acolhimento através da realização deste projeto, que, desde 2013, permitiu a esses jovens assumir a liderança na apresentação de propostas e nos debates com instituições e profissionais, espoletando uma verdadeira mudança no sistema de acolhimento de crianças e de «saída do acolhimento» em Itália.

Como foi recebido o vosso projeto? Tiveram alguma reação das pessoas que ajudaram? Em caso afirmativo, podem dar um exemplo?
O projeto foi muito bem recebido pelas instituições dedicadas às crianças no nosso país, tanto a nível local como nacional. Em 2015, a Provedora de Justiça italiana para a Infância e a Adolescência (Garante Nazionale per l’Infanzia e l’Adolescenza) quis apoiar a expansão da CLN para que se tornasse um organismo nacional – anteriormente estava presente apenas na região da Emília-Romanha – e, desde então, a associação envolve jovens saídos do acolhimento de muitas regiões; todos os anos surgem pedidos para a alargar a outras regiões, o que demonstra o reconhecimento do valor do projeto. Os jovens que participam na CLN apreciam muito os seus objetivos e resultados, tanto em termos da influência que as suas recomendações têm tido na legislação e na cultura profissional, como no que diz respeito às relações que desenvolveram entre si, tendo em vista o apoio mútuo, e com as pessoas de contacto, os adultos que os seguem e facilitam os diferentes processos. Muitos jovens envolvidos no projeto puderam beneficiar de outros projetos e oportunidades internas proporcionados pela associação (por exemplo, com o projeto «Se avessi» tiveram também ajuda financeira para apoio psicológico, alojamento, estudos e trabalho).

De que modo tencionam aplicar este financiamento específico para prestar mais ajuda à comunidade? Já estão a planear novos projetos?
Os fundos serão utilizados para assegurar a continuidade do projeto e a sua sustentabilidade no tempo. Em Itália, é difícil encontrar financiamento e recursos para apoiar os projetos de participação juvenil e apoio aos jovens, práticas que não estão suficientemente generalizadas. Esta dificuldade não põe em causa a importância e a legitimidade do projeto nem a necessidade de o desenvolver ao longo do tempo de forma sistemática, para que os cerca de 6 000 jovens que saem anualmente do sistema de acolhimento em Itália quando atingem os 18 anos possam todos ter a possibilidade de aderir à CLN.

Que conselho dariam a outras organizações para obterem resultados em atividades e programas deste tipo?
Recomendamos que facilitem as vias para a participação ativa e a liderança dos jovens, quer se trate de jovens saídos do acolhimento, quer de outros jovens em situações difíceis, para que possam organizar-se em associações e construírem juntos percursos de apoio e de autoajuda mútua, promovendo ações para envolver outros jovens em estreita cooperação com organizações que exprimam os pontos de vista dos profissionais e dos adultos a nível local, nacional e europeu.

Acham que a UE faz o suficiente para ajudar os jovens desfavorecidos? Têm ideias ou recomendações para ações específicas?
Em comparação com o passado, a UE está a prestar uma atenção mais significativa e concreta aos jovens que vivem em condições desfavorecidas, mas há ainda muito a fazer em termos de promoção dos direitos universais e de oportunidades para a sua plena inclusão. Propomos que se invista de forma considerável na participação dos jovens em todos os domínios de atividade e da vida, promovendo assim a sua capacitação e facilitando processos de responsabilização que possam fomentar uma participação social forte e construtiva. Algo que poderia fazer uma diferença significativa seria exortar os Estados-Membros da UE a criar mecanismos, incluindo mecanismos institucionais, para garantir este tipo de medidas eficazes de participação, com uma afetação de recursos direcionada e adequada.

 

A minha casa é a tua casa

Até à data, a SUS Inima ajudou dezenas de milhares de refugiados ucranianos, fornecendo-lhes alojamento, satisfazendo as suas necessidades básicas e assegurando a sua formação. A associação propõe também apoio psicológico para ajudar os refugiados a fazer face a traumas de guerra. Atualmente, está a ser criada uma infraestrutura para ajudar os refugiados a orientarem-se no quadro económico e jurídico da Roménia. Todas estas ações visam permitir-lhes uma integração tão harmoniosa quanto possível na sociedade romena, para que se sintam em casa. Falámos com Lu Knobloch, da SUS Inima.

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Até à data, a SUS Inima ajudou dezenas de milhares de refugiados ucranianos, fornecendo-lhes alojamento, satisfazendo as suas necessidades básicas e assegurando a sua formação. A associação propõe também apoio psicológico para ajudar os refugiados a fazer face a traumas de guerra. Atualmente, está a ser criada uma infraestrutura para ajudar os refugiados a orientarem-se no quadro económico e jurídico da Roménia. Todas estas ações visam permitir-lhes uma integração tão harmoniosa quanto possível na sociedade romena, para que se sintam em casa. Falámos com Lu Knobloch, da SUS Inima.

CESE Info: O que motivou este projeto/iniciativa?

A SUS INIMA desenvolveu os seus programas de intervenção e resposta a crises porque havia a necessidade, a nível local, de uma entidade que colaborasse com os organismos públicos e privados, assegurando simultaneamente a transparência, e de uma plataforma de colaboração que facilitasse a prestação de assistência por todas as partes interessadas. Além disso, a maioria dos refugiados ucranianos eram mulheres e crianças, muitas viviam no estrangeiro pela primeira vez e não estavam familiarizadas com formalidades administrativas nem habituadas a planificar viagens, entre outros aspetos. A barreira linguística tornou a situação ainda mais complicada.

Como foi recebido o seu projeto? Teve alguma reação das pessoas que ajudou? (Pode dar um exemplo, se tiver?)

Inicialmente, as pessoas recebiam as nossas ofertas de ajuda com alguma relutância. No entanto, é cada vez maior o número de pessoas que acolhem com gratidão todos os tipos de ações de intervenção, apoio ou serviços, como alojamento, transporte, satisfação de necessidades básicas (alimentação e iniciativas de resposta a crises), bem como ações de formação.

De que modo tenciona aplicar este financiamento específico para prestar mais ajuda à comunidade? Já está a planear novos projetos?

O financiamento específico será utilizado para duas finalidades: 1) prestar apoio psicológico aos refugiados, sobretudo às crianças, para ajudá-los a lidar com os traumas; 2) desenvolver uma nova iniciativa para reforçar a coesão económica e social, ou seja, criar uma infraestrutura capaz de acompanhar e aconselhar os refugiados, fornecendo-lhes conhecimentos básicos sobre o contexto jurídico e económico romeno e ajudando-os ativamente a encontrar emprego ou a abrir um negócio local, promovendo assim a cidadania ativa e a inclusão social sustentável.

Que conselho daria a outras organizações para obterem resultados em atividades e programas deste tipo?

  • Concentrarem-se na cooperação com os órgãos de poder local, as partes interessadas e as ONG em vez de entrarem numa lógica de competição;
  • Basearem todos os projetos de programas ou iniciativas na análise das necessidades concretas dos beneficiários.

Considera que pode surgir uma certa fadiga da solidariedade face aos refugiados ucranianos com o prolongamento da guerra na Ucrânia? O que podem e devem fazer as organizações da sociedade civil para evitar que se chegue a este ponto? A UE poderia desempenhar um papel positivo a este respeito?

A solidariedade continua bem viva. No entanto, o volume de apoio prestado pelas comunidades locais está a diminuir devido ao esgotamento dos recursos. Uma das soluções para as necessidades existentes é continuar a prestar apoio e assistência aos refugiados com vista à sua integração nas comunidades em que vivem. Além disso, importa simplificar, em certa medida, os procedimentos e formalidades administrativas impostos aos refugiados para poderem trabalhar, criar uma empresa, abrir uma conta bancária, subscrever um seguro e aceder a serviços médicos. Esta abordagem é necessária para assegurar uma redução sustentável da dependência financeira de fontes externas. A sociedade civil desempenha um papel fundamental na conceção e na implementação da ajuda e do apoio aos refugiados. A UE pode contribuir para estes esforços criando redes mais vastas a nível da Comissão, apoiando e facilitando assim um intercâmbio de conhecimentos que pode ser benéfico para todas as partes envolvidas: os responsáveis pelos programas de ajuda e os seus beneficiários.

A união faz a força

Quando as notícias sobre a evacuação de crianças com cancro da Ucrânia chegaram à Fundação Villavecchia, o seu pessoal não hesitou nem por um segundo. Voluntariaram-se de imediato para acolher e ajudar as crianças e as suas famílias. Porém, para poder prestar a estas crianças os cuidados e a ajuda de que realmente necessitavam, a fundação teve de colaborar com hospitais e muitas outras entidades e voluntários. Juntos conseguiram criar um espaço seguro para estes jovens doentes em Barcelona. Natàlia Ferrer Ametller partilhou connosco a sua história.

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Quando as notícias sobre a evacuação de crianças com cancro da Ucrânia chegaram à Fundação Villavecchia, o seu pessoal não hesitou nem por um segundo. Voluntariaram-se de imediato para acolher e ajudar as crianças e as suas famílias. Porém, para poder prestar a estas crianças os cuidados e a ajuda de que realmente necessitavam, a fundação teve de colaborar com hospitais e muitas outras entidades e voluntários. Juntos conseguiram criar um espaço seguro para estes jovens doentes em Barcelona. Natàlia Ferrer Ametller partilhou connosco a sua história.

CESE Info: O que motivou este projeto/iniciativa?

Fomos informados de que havia crianças com cancro a ser evacuadas da Ucrânia e oferecemos a nossa ajuda às administrações envolvidas e à organização internacional que geria a evacuação. Quando nos confiaram a missão de organizar toda a operação, recebemos o apoio imediato da Fundação Internacional Josep Carreras para gerirmos em conjunto toda a operação. Muitas outras entidades ofereceram-se para ajudar. Não hesitámos nem por um segundo. Tínhamos de contribuir com aquilo que sabemos fazer: acolher e ajudar as crianças com cancro e acompanhar as suas famílias, em coordenação com os hospitais de referência.

Como foi recebido o projeto? Tiveram alguma reação das pessoas que ajudaram? (Pode dar um exemplo, se tiver?)

Foi uma experiência muito intensa e aprendemos muitas coisas. Acima de tudo, aprendemos a dureza da situação das pessoas refugiadas. A maior dificuldade foi a língua, assim como alguns aspetos culturais. No entanto, tivemos ajuda de muitos voluntários, que fizeram um trabalho tremendo como intérpretes, acompanhando as crianças durante todas as estadias no hospital, nas ambulâncias, nas visitas e nas diligências administrativas. Muitos tratamentos tiveram uma evolução muito positiva e muitas crianças já terminaram o seu tratamento agudo e encontram-se em fase de estabilização. Algumas delas puderam regressar a casa. Eis, por exemplo, uma fotografia de uma das crianças, Mykola, e da sua mãe, juntamente com a nossa assistente social do hospital. Partilhámos um momento muito difícil e o melhor presente foi ver o sorriso das crianças e a tranquilidade das mães.

De que modo tencionam aplicar este financiamento específico para prestar mais ajuda à comunidade?

Continuar a trabalhar. Temos três famílias, cujos filhos ainda se encontram numa fase aguda, por complicações no tratamento. Precisam de alojamento, manutenção, transporte, assistência com a medicação, tradução, etc., e o resto das famílias tem de sentir que continuamos por perto.

Já estão a planear novos projetos?

Sim, estamos a trabalhar para criar o Pavilhão Victoria, que será o primeiro estabelecimento pediátrico deste género em Espanha. Será um local para cuidar das crianças com doenças incuráveis em fases avançadas ou nos seus últimos dias de vida. Para o efeito, vamos reabilitar um edifício histórico num local muito emblemático da cidade de Barcelona, o Hospital Sant Pau.

Que conselho daria a outras organizações para obterem resultados em atividades e programas deste tipo?

Consideramos muito importante identificar claramente as necessidades e conceber projetos que visem as necessidades a suprir, independentemente da sua dificuldade. É necessário saber ouvir, aprender, deixar-se ajudar e juntar-se a outras entidades que trabalham de forma complementar. Temos de apreciar o trabalho dos outros e avançar todos juntos rumo ao mesmo objetivo.

Considera que poderá surgir uma certa «fadiga de solidariedade» para com os refugiados ucranianos se a guerra na Ucrânia persistir?

Sim, infelizmente, a atualidade é efémera e a solidariedade que desperta pode ser breve. No entanto, também é verdade que as pessoas têm uma enorme capacidade de persistir e lutar pelos direitos e pela justiça social.

O que podem e devem as organizações da sociedade civil fazer para evitar que tal aconteça?

Apelar às administrações para que mantenham as ajudas e reforcem o papel das organizações sociais.

Poderá a UE desempenhar um papel positivo a este respeito?

Sim, pode fomentar recomendações a nível europeu para que os governos e as administrações colaborem e facilitem o trabalho das organizações. Não é a melhor forma de funcionar com as administrações a trabalharem de um lado e as organizações do outro, sem ligação entre si. As administrações públicas têm de contar com a sociedade civil, a qual não pode nem deve ser isolada. São muitas as organizações sociais que têm trabalhado sem o apoio da administração pública. Sabemos que a abertura e o trabalho em rede exige esforço, mas também que há certamente a possibilidade de trabalhar em conjunto.

Moldar futuras gerações de cidadãos empenhados

A Associação Polaca de Guias e Escuteiros (ZHP), a maior organização de educação não formal de jovens do país, mobilizou-se para ajudar os refugiados ucranianos desde o início da guerra, respondendo às suas diversas necessidades, em constante evolução. A ZHP orgulha-se de os seus membros terem decidido, sem hesitação, apoiar a Ucrânia, também por mérito da própria associação. Os ideais que a ZHP instila nos seus jovens membros incentivam-nos a lutar por um mundo melhor, um esforço a realizar diariamente por cada um de nós. Fizemos várias perguntas a Olga Junkuszew, porta-voz da associação.

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A Associação Polaca de Guias e Escuteiros (ZHP), a maior organização de educação não formal de jovens do país, mobilizou-se para ajudar os refugiados ucranianos desde o início da guerra, respondendo às suas diversas necessidades, em constante evolução. A ZHP orgulha-se de os seus membros terem decidido, sem hesitação, apoiar a Ucrânia, também por mérito da própria associação. Os ideais que a ZHP instila nos seus jovens membros incentivam-nos a lutar por um mundo melhor, um esforço a realizar diariamente por cada um de nós. Fizemos várias perguntas a Olga Junkuszew, porta-voz da associação.

CESE Info: O que motivou este projeto?
Era óbvio que devíamos responder a esta crise – ajudar é um aspeto extremamente importante do trabalho educativo da Associação Polaca de Guias e Escuteiros. A reação dos membros da ZHP demonstrou que o nosso trabalho educativo permanente e os ideais que transmitimos aos jovens têm um impacto real nas suas vidas, apoiando-os e encorajando-os a lutar por um mundo melhor. Orgulhamo-nos de os nossos membros terem decidido, sem hesitação, apoiar a Ucrânia.

Como foi recebido o projeto? Teve alguma reação das pessoas que ajudaram? (Pode dar um exemplo, se tiver?)
O nosso projeto foi muito bem recebido. Estimamos que um em cada três refugiados ucranianos recebeu apoio em centros dirigidos por escuteiros e que cerca de 6000 crianças tiveram a oportunidade de frequentar campos de verão. Sabemos que tal proporcionou às crianças a possibilidade de beneficiarem do repouso físico, mental e emocional de que tanto necessitavam. As nossas ações evoluíram à medida que as necessidades mudavam. Sabemos que o facto de termos sido capazes de enfrentar sempre um desafio após outro foi aplaudido. Chegaram-nos igualmente reações positivas das organizações de escuteiros ucranianas com quem mantemos contacto.

De que modo tenciona aplicar este financiamento específico para prestar mais ajuda à comunidade? Já estão a planear novos projetos?
O prémio monetário vai permitir-nos desenvolver o nosso programa educativo, que nos dá a oportunidade de moldar futuras gerações de cidadãos empenhados que tomam a iniciativa e vão onde são necessários, respondendo aos desafios do mundo de hoje. Graças a esses fundos, os membros da ZHP poderão continuar a crescer entre amigos, enquanto adquirem competências para a vida e constroem o seu caráter segundo os valores dos escuteiros.

Que conselho daria a outras organizações para obterem resultados em atividades e programas deste tipo?
Acreditamos que, para obter resultados, uma organização tem de se reger sempre pelos seus valores e agir apenas em harmonia com a sua missão. Desta forma, nunca terá de se preocupar com os resultados ou com o empenho dos seus membros.

Estima que, se a guerra na Ucrânia persistir, sentir-se-á uma fadiga na solidariedade com os refugiados ucranianos? O que podem e devem as organizações da sociedade civil fazer para evitar que tal aconteça? Pode a UE desempenhar um papel positivo nesta matéria?
Claro! Enquanto escutas da Associação Polaca de Guias e Escuteiros, acreditamos que cada um de nós deve esforçar-se todos os dias para deixar o mundo um pouco melhor do que antes. Isto significa que as pessoas devem ser incentivadas a realizar, diariamente, pequenas ações que continuem a mudar o mundo que nos rodeia. Ajudar a Ucrânia é uma maratona, não uma corrida. Temos de nos recordar disto e ajudar os outros na nossa vida quotidiana e imediata.

Editores

Ewa Haczyk-Plumley (editor-in-chief)
Daniela Marangoni (dm)
 

Colaboraram nesta edição

Laura Lui (ll)
 

Coordination

Agata Berdys (ab)
Giorgia Battiato (gb)

Technical support
Bernhard Knoblach (bk)
Joris Vanderlinden (jv)

Endereço

Comité Económico e Social Europeu
Edifício Jacques Delors, Rue Belliard, 99, B-1040
Bruxelas, Bélgica
Tel. +32 2 546 94 76
Correio eletrónico: eescinfo@eesc.europa.eu

O CESE Info é publicado nove vezes por ano, por ocasião das reuniões plenárias do CESE. Está disponível em 23 línguas.
O CESE Info não pode ser considerado como o relato oficial dos trabalhos do CESE, que se encontra
no Jornal Oficial da União Europeia e noutras publicações do Comité.
A reprodução, com menção do CESE Info como fonte, é autorizada (mediante envio da hiperligação à redação).
 

February 2023
02/2023

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