«Climate Reporters», a nova agência de notícias da Lituânia, especializada em assuntos climáticos, pretende combater a fadiga informativa em torno deste tema e voltar a colocar as alterações climáticas no topo da agenda mediática. Esta iniciativa é a ilustração perfeita do jornalismo cidadão, ao conjugar comunicação climática e ativismo para educar a população sobre as alterações climáticas e fazer ouvir a voz do planeta na crise ambiental. 

«Climate Reporters», a nova agência de notícias da Lituânia, especializada em assuntos climáticos, pretende combater a fadiga informativa em torno deste tema e voltar a colocar as alterações climáticas no topo da agenda mediática. Esta iniciativa é a ilustração perfeita do jornalismo cidadão, ao conjugar comunicação climática e ativismo para educar a população sobre as alterações climáticas e fazer ouvir a voz do planeta na crise ambiental.

Por Rūta Trainytė

A agência noticiosa «Climate Reporters», especializada em assuntos climáticos, iniciou a sua atividade este ano na Lituânia. Gerida por organizações não governamentais (ONG), a «Climate Reporters» constitui um exemplo de jornalismo cidadão. Visa prestar apoio aos jornalistas na cobertura dos vários aspetos da crise ambiental através da elaboração de peças jornalísticas que são posteriormente transmitidas às redações.

O trabalho da agência é assegurado por uma comunidade de ativistas. Os textos são redigidos por jornalistas, especialistas em relações públicas, representantes de ONG, defensores do ambiente e cientistas – em suma, cidadãos que se preocupam com o que está a acontecer e querem ver mudanças na sociedade. São também estas pessoas que formam o conselho de administração, cuja missão é assegurar a credibilidade do novo projeto.

Os trabalhadores da «Climate Reporters» não são novatos no mundo da comunicação. Já dispõem de uma experiência considerável em relações públicas, redação jornalística, criação de conteúdos digitais e manutenção de portais Web. Da mesma forma, as questões climáticas não lhes são estranhas. Foi assim que surgiu a ideia de criar a agência. Fazemos aquilo que sabemos fazer melhor, em prol do ativismo climático. O planeta atravessa uma crise ambiental e nós procuramos ser a sua voz.

Naturalmente, estamos em contacto com jornalistas. A ideia instalada nas redações da maioria dos meios de comunicação social é de que as notícias climáticas não interessam o público e não geram cliques. Evitam, assim, notícias com títulos em que figurem os termos «alterações climáticas» ou «crise climática». O que significa esta negação da crise climática? Será uma forma de proteger a sociedade contra as más notícias e a ansiedade climática?

Na verdade, este aspeto poderá não ser tão negativo como se possa pensar à primeira vista. Há que ter em conta que as redações são inundadas diariamente por uma enorme quantidade de notícias, mesmo sem contar com as especificamente dedicadas aos assuntos climáticos. É difícil tratar todas essas notícias, dados os recursos físicos necessariamente limitados. Além disso, para produzir conteúdos jornalísticos sobre assuntos climáticos são necessários conhecimentos especializados. É neste ponto que a «Climate Reporters» tem um papel a desempenhar. A próxima etapa será dar formação aos jornalistas. Parece-nos evidente que, para não caírem na «ecomaquilhagem», os jornalistas têm de estar familiarizados com os assuntos climáticos.

Outra ideia consiste em programas educativos dirigidos a grupos específicos e ministrados de uma forma apelativa. A nossa prioridade é chegar aos jovens, e demo-nos conta de que o humor é uma forma eficaz de captar o seu interesse. Ainda não sabemos exatamente qual será a forma que esta ideia irá tomar no futuro, mas já estamos a refletir nesse sentido.

A agência noticiosa tem apenas seis meses de atividade. Sabemos, com base na nossa própria experiência, que precisamos de ser pacientes. Apresentamos os nossos textos jornalísticos às redações de forma persistente e determinada. Atualmente, algumas das nossas peças já são publicadas nos principais portais de notícias lituanos. Somos também convidados para programas de rádio.

Para assegurar a elevada qualidade do nosso trabalho, é muito importante contar com um apoio significativo das organizações ambientais lituanas, que essas organizações integrem redes internacionais de ONG e que os nossos membros participem em grupos de trabalho a nível da UE e representem a Lituânia no CESE. Desta forma, podemos alargar o nosso leque de temas e mantermo-nos atualizados.

A nossa ligação ao CESE vai além do facto de um dos promotores do projeto, Kęstutis Kupšys, ser membro do Comité. Os membros do CESE podem partilhar experiências dos seus países no domínio do clima, enriquecendo as notícias publicadas pela «Climate Reporters». A este respeito, falámos recentemente com Arnaud Schwartz, membro francês do CESE, por ocasião da cimeira mundial sobre biodiversidade (COP16). As informações que partilhou connosco diretamente de Cali serviram de base a um artigo da «Climate Reporters» e os seus pontos de vista foram veiculados sem demora nos meios de comunicação social lituanos. Este modelo de trabalho, que utiliza os conhecimentos especializados dos membros do CESE em prol da comunicação eficaz de notícias mundiais a públicos locais, demonstrou ser valioso, pelo que não hesitaremos em utilizá-lo novamente no futuro.

Rūta Trainytė exerce o cargo de editora na agência de notícias especializada em assuntos climáticos «Climate Reporters», que faz parte do projeto ŽALINK, financiado pelo Estado. A gestão do projeto ŽALINK está a cargo da Aliança dos Consumidores, da Plataforma de Cooperação para o Desenvolvimento e da ONG Economia Circular. O seu financiamento é assegurado pelo Programa para as Alterações Climáticas da Agência de Gestão de Projetos Ambientais do Ministério do Ambiente da República da Lituânia.

 

Em outubro, o CESE adotou um parecer em que propõe uma reformulação fundamental do funcionamento das finanças da UE e exorta a uma maior transparência e a uma participação acrescida dos cidadãos da UE, de modo a reforçar a democracia e a confiança do público. 

Em outubro, o CESE adotou um parecer em que propõe uma reformulação fundamental do funcionamento das finanças da UE e exorta a uma maior transparência e a uma participação acrescida dos cidadãos da UE, de modo a reforçar a democracia e a confiança do público. 

Para o efeito, o CESE recomenda o estabelecimento de um quadro comum para a transparência orçamental, que associe os cidadãos aos processos orçamentais, e a criação de ferramentas digitais para simplificar as informações sobre o orçamento.

«Imagine que pode acompanhar a par e passo cada euro do financiamento da UE – de Bruxelas até à sua comunidade local, passando pelos governos nacionais», disse a relatora do parecer, Elena Calistru.

Na opinião do CESE, um quadro comum para a transparência orçamental estabelecerá normas claras e coerentes para todos os programas financiados pela UE e assegurará a coerência na comunicação de informações e a acessibilidade das informações orçamentais nos Estados-Membros. A tónica deverá ser colocada na promoção de boas práticas em vez da introdução de novas regulamentações.

A orçamentação participativa permitirá aos cidadãos ter uma palavra a dizer sobre as decisões relativas às despesas públicas, em especial a nível local, incorporando simultaneamente elementos participativos nos processos orçamentais a nível da UE.

O CESE solicitou a criação de uma plataforma digital homogénea de fácil utilização que apresente dados orçamentais em tempo real, visualizações claras e informações sobre a forma como os fundos da UE estão a produzir resultados. Desta forma, o público poderá compreender melhor as informações financeiras e envolver-se mais neste domínio.

O CESE salientou igualmente a importância de sensibilizar a opinião pública, assegurar uma supervisão mais forte e alinhar as práticas financeiras pelos objetivos da UE, como a coesão e a sustentabilidade, a fim de promover a cooperação e a responsabilização.

«As finanças da UE não são apenas números. São o reflexo da confiança e da democracia e fazem com que a Europa produza resultados para os seus cidadãos», concluiu Elena Calistru. (tk)

Alteração Materiais florestais de reprodução da categoria material testado, a sua rotulagem e os nomes das autoridades responsáveis pela aprovação e controlo da produção

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Pelo Grupo dos Trabalhadores

Nos dias que correm, parece fazer todo o sentido parafrasear o lema de campanha de Bill Clinton em 1992 – «É a economia, estúpido!», que na altura encontrou eco junto dos eleitores americanos a braços com uma recessão. Basta olhar para os resultados do último inquérito Eurobarómetro após as eleições europeias, que revelam que a inflação e a economia foram os principais temas que levaram as pessoas a votar.  

Pelo Grupo dos Trabalhadores

Nos dias que correm, parece fazer todo o sentido parafrasear o lema de campanha de Bill Clinton em 1992 – «É a economia, estúpido!», que na altura encontrou eco junto dos eleitores americanos a braços com uma recessão. Basta olhar para os resultados do último inquérito Eurobarómetro após as eleições europeias, que revelam que a inflação e a economia foram os principais temas que levaram as pessoas a votar. 

Não, uma solução única não existe, e as dificuldades económicas não explicam, por si só, toda a instabilidade associada às eleições vindouras. No entanto, podemos afirmar com segurança que o aumento dos preços, o custo de vida e a situação económica foram as principais motivações eleitorais na UE na passada primavera, tal como na outra margem do Atlântico há poucas semanas. Os sinais já estavam presentes: era essa a principal preocupação (seguida da pobreza e da exclusão social) no início de 2023. Embora os indicadores macroeconómicos pareçam reconfortar os decisores políticos, o impacto direto da inflação em bens essenciais, como os alimentos e a energia, continua a ser enorme, afetando desproporcionadamente aqueles que consagram uma fatia maior dos seus rendimentos a essas necessidades. Tal situação acresce à recuperação pós-pandemia e à resposta política catastrófica nesse contexto, com muitos países ainda a sofrerem os efeitos da crise de 2008.

Os salários estão dissociados do crescimento da produtividade há décadas, desacreditando as perspetivas de um futuro melhor para muitos membros das classes médias e de trabalhadores da Europa. O extremismo político e a desestabilização eleitoral chegaram para ficar.

Dar resposta à crise do custo de vida é crucial para o futuro da Europa, uma vez que esta crise põe em evidência problemas estruturais nas nossas sociedades e economias, minando os princípios que sustentam o tecido social das nossas democracias.

Em 26 de novembro, o Grupo dos Trabalhadores reuniu-se com várias partes interessadas para debater esta questão, e convidamo-lo(a) a rever este debate e a juntar-se ao nosso apelo aos decisores políticos para que se deixem de palavras vãs, colmatem os seus próprios défices de competências e se concentrem naquilo que importa. 

O CESE delineou uma rota para transformar os setores da agricultura, das pescas e dos alimentos na UE, assegurando a resiliência e a sustentabilidade em tempos de crise. 

O CESE delineou uma rota para transformar os setores da agricultura, das pescas e dos alimentos na UE, assegurando a resiliência e a sustentabilidade em tempos de crise. 

Num parecer adotado em outubro, o CESE apela para a criação de um sistema alimentar competitivo, resistente a crises e consentâneo com os objetivos ambientais e sociais da UE. Salienta a importância de garantir a segurança alimentar, um rendimento justo para os produtores, a resiliência ambiental e o apoio à próxima geração de produtores de alimentos.

«É essencial assegurar rendimentos estáveis e sustentáveis para os produtores, bem como promover uma política alimentar baseada no conhecimento que impulsione a inovação», afirmou Arnold Puech d’Alissac, presidente da Organização Mundial dos Agricultores e um dos três relatores do parecer.

Para o efeito, o CESE propõe reforçar a posição negocial do setor agrícola no âmbito das negociações de preços e aumentar o financiamento da agricultura e das pescas da UE. Além disso, apela para que os futuros acordos comerciais integrem as normas do Pacto Ecológico e da Estratégia do Prado ao Prato, assegurando uma concorrência leal e a elevada qualidade dos alimentos.

«É fundamental garantir rendimentos justos para os produtores primários», declarou Piroska Kállay, também relatora do parecer.

Com este objetivo em mente, o CESE defende uma aplicação mais rigorosa das práticas comerciais justas e a proibição das vendas a preços inferiores ao custo de produção, a fim de reequilibrar a cadeia de abastecimento alimentar. De extrema importância são também as políticas que fomentam a renovação geracional, centradas nos jovens e nas mulheres, integrando a educação, a formação e o apoio às cooperativas.

Para apoiar a sustentabilidade, o CESE recomenda que se recompensem os esforços do sequestro de carbono, como a gestão sustentável dos solos e a prevenção da fuga de carbono. «Estas medidas ajudariam a alinhar a produção alimentar pelas metas climáticas da UE e pelos compromissos ambientais a nível mundial», asseverou Joe Healy, igualmente relator.

Outra proposta consiste num sistema de seguro público que proteja os produtores de catástrofes relacionadas com o clima, assegurando a continuidade do abastecimento alimentar.

O CESE solicita a adoção de políticas destinadas a restaurar a saúde dos solos e da água, melhorar a eficiência hídrica e reduzir o consumo de água, bem como a redução da burocracia e uma maior transparência através da digitalização para a recolha de dados sobre os preços e os custos.

Por último, o CESE recomenda a criação de um conselho europeu de política alimentar para reforçar o diálogo sobre questões relacionadas com a alimentação e alinhar a política alimentar por objetivos sociais e ambientais mais vastos. Estas propostas representam um roteiro para tornar os sistemas alimentares da UE mais resilientes, sustentáveis e equitativos perante os desafios mundiais. (ks)

Por Séamus Boland, presidente do Grupo das Organizações da Sociedade Civil do CESE

Apesar de a União Europeia ser mais rica do que grande parte do resto do mundo, milhões de crianças ainda dependem da sua escola para ter acesso diário a alimentos. Com efeito, cada vez mais Estados-Membros fornecem alimentos às crianças durante as férias escolares. Isto é um indicador claro de que a pobreza, ao seu nível mais elementar, não só existe como está a aumentar, devendo ser combatida com firmeza e sem hesitação pela próxima Comissão Europeia. 

Por Séamus Boland, presidente do Grupo das Organizações da Sociedade Civil do CESE

Apesar de a União Europeia ser mais rica do que grande parte do resto do mundo, milhões de crianças ainda dependem da sua escola para ter acesso diário a alimentos. Com efeito, cada vez mais Estados-Membros fornecem alimentos às crianças durante as férias escolares. Isto é um indicador claro de que a pobreza, ao seu nível mais elementar, não só existe como está a aumentar, devendo ser combatida com firmeza e sem hesitação pela próxima Comissão Europeia.

As estatísticas europeias sobre a pobreza são devastadoras. Cerca de 21% da população da UE está em risco de pobreza e exclusão social (dados do Eurostat relativos a 2023) e quase 25% das crianças correm o risco de cair no círculo vicioso da pobreza (dados do Eurostat relativos a 2023). O problema seria possivelmente mais grave sem as atuais iniciativas da UE para impulsionar a mudança neste domínio, mas há que admitir que não são suficientes. Por esse motivo, o Comité Económico e Social Europeu (CESE) e o seu Grupo das Organizações da Sociedade Civil aplaudem o anúncio da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, de que a Comissão Europeia vai elaborar uma estratégia da UE de luta contra a pobreza para combater as causas profundas da pobreza, durante o mandato 2024-2029. O CESE, e o grupo de que sou presidente em particular, há muito que solicitam essa estratégia.

Infelizmente, a pobreza não significa apenas uma «falta de acesso» a recursos básicos de que as famílias necessitam diariamente. É o resultado de uma série de circunstâncias de longa data intrinsecamente ligadas à privação. Esta privação está associada a sistemas políticos que, na melhor das hipóteses, ignoram certas franjas da população e, na pior, as discriminam.

As soluções passarão por analisar as causas históricas profundas da pobreza. Isto significa examinar todas as fases da vida das pessoas, desde o nascimento até à morte. O mesmo se aplica à oferta de habitação, que se está a tornar um dos problemas mais graves das sociedades europeias. É por esta razão que, a pedido do Grupo das Organizações da Sociedade Civil, o CESE encomendou um estudo sobre a habitação sustentável a preços acessíveis na UE. Foi apresentado na nossa conferência de 21 de novembro sobre a proteção das pessoas mais vulneráveis da Europa através de habitação sustentável e a preços acessíveis. Com esta conferência, demonstrou-se que a habitação a preços acessíveis é um dos principais instrumentos de combate à pobreza.

Congratulamo-nos com o facto de a nova Comissão Europeia integrar um comissário da Energia e Habitação, contribuindo assim para erradicar a pobreza. No entanto, é preocupante que a maioria dos responsáveis políticos continue a considerar a erradicação da pobreza um problema que deve ser resolvido por grandes orçamentos geridos de forma burocrática. Os recursos só chegarão às pessoas afetadas se esta mentalidade mudar. A pobreza é uma questão transversal e os novos comissários europeus responsáveis pela energia e habitação, pela igualdade, pela coesão e reformas e pela transição justa devem assumir urgentemente a responsabilidade de impulsionar esta mudança.

O CESE insta a UE a assumir uma posição de liderança através da adoção de um modelo de bioeconomia sustentável, coerente com o Pacto Ecológico Europeu e os objetivos climáticos. 

O CESE insta a UE a assumir uma posição de liderança através da adoção de um modelo de bioeconomia sustentável, coerente com o Pacto Ecológico Europeu e os objetivos climáticos.

No seu Parecer – Harmonizar a economia circular e a bioeconomia, o CESE expõe a forma como uma bioeconomia robusta pode multiplicar os benefícios económicos e ecológicos, reforçar a resiliência e apoiar uma transição justa na Europa. O investimento estratégico na cooperação intersetorial e na mobilização das comunidades pode tornar a bioeconomia da UE uma referência para o crescimento sustentável em todo o mundo.

A bioeconomia, para ser sustentável, deve estar em consonância com quadros da UE como o Pacto Ecológico, a economia circular e os objetivos em matéria de biodiversidade. Desta forma, garante-se que as atividades da bioeconomia contribuem para os objetivos em matéria de clima e biodiversidade e respeitam os limites do planeta.

«É essencial adotar uma estratégia abrangente e ambiciosa para a bioeconomia. Enquadrada pelos princípios da economia circular e pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a bioeconomia pode funcionar como uma vantagem competitiva para a UE, criando empregos sustentáveis e bem remunerados e assegurando um crescimento que respeita os limites ecológicos», afirmou Cillian Lohan, relator do parecer.

A bioeconomia pode explorar os princípios da economia circular, reduzindo os resíduos e melhorando a eficiência através da utilização em cascata dos recursos e da recirculação dos materiais biológicos. Proporciona benefícios sociais, em especial nas zonas rurais, através da criação de postos de trabalho e de oportunidades de desenvolvimento de competências. É fundamental apoiar as comunidades rurais e a participação dos jovens neste domínio.

A educação para a bioeconomia pode contribuir para a formação de uma mão de obra qualificada, bem como para sensibilizar para as questões da sustentabilidade. Contribui também para uma melhor saúde pública ao reduzir os custos dos cuidados de saúde. Para concretizar este modelo, é fundamental promover o progresso tecnológico e a utilização sustentável dos solos, através nomeadamente da agricultura e da silvicultura regenerativas, que potenciam o armazenamento de carbono e a biodiversidade.

A agricultura urbana e as plataformas alimentares circulares podem reduzir o desperdício alimentar e reforçar os sistemas alimentares locais. A UE deve assegurar normas elevadas no setor empresarial e da inovação, incentivando a rápida adoção de tecnologias de base biológica. O financiamento deve privilegiar os inovadores e apoiar as pequenas e médias empresas.

Para integrar a bioeconomia nas políticas da UE, é necessária uma definição clara de bioeconomia. A atualização da Estratégia para a Bioeconomia, que deverá estar concluída até 2025, tem de estar em consonância com o Pacto Ecológico e o Acordo de Paris, de modo a proporcionar um roteiro para uma bioeconomia sustentável e resiliente. (ks) 

O CESE solicitou a adoção de uma iniciativa emblemática europeia de promoção da saúde propondo a criação de uma União Europeia da Saúde e instando a Comissão Europeia a apresentar um plano de ação para as doenças raras com metas claramente alcançáveis.

O CESE solicitou a adoção de uma iniciativa emblemática europeia de promoção da saúde propondo a criação de uma União Europeia da Saúde e instando a Comissão Europeia a apresentar um plano de ação para as doenças raras com metas claramente alcançáveis.

No debate sobre uma iniciativa emblemática europeia de promoção da saúde, realizado na reunião plenária de outubro, o CESE instou a UE a adotar uma iniciativa ambiciosa visando estabelecer na UE uma estrutura transversal no domínio da saúde. Também se discutiu a possibilidade de criar um plano de ação europeu para as doenças raras.

No discurso de abertura do debate, o presidente do CESE, Oliver Röpke, declarou: «É fundamental que todas as pessoas que vivem na UE tenham um acesso fácil a cuidados de saúde de qualidade e acessíveis do ponto de vista financeiro. Temos de investir em sistemas de saúde inovadores e sustentáveis e tomar medidas firmes para combater as desigualdades no domínio da saúde, tanto na UE como a nível mundial. As doenças raras tornam ainda mais notórias as desigualdades e vulnerabilidades que persistem. Precisamos, por isso, de uma ação europeia abrangente em matéria de doenças raras.»

Alain Coheur, relator do parecer sobre a iniciativa emblemática europeia para a saúde, afirmou: «Hoje, temos a intenção de adotar um roteiro para os futuros comissários europeus que promova a saúde para todos e proteja as pessoas contra crises futuras.» Ágnes Cser, relatora do parecer sobre as doenças raras acrescentou: «Temos de elaborar um plano de ação. No entanto, não nos devemos centrar apenas no plano de ação para doenças raras, mas na saúde em geral – a saúde é fundamental para a competitividade. A nossa União da Saúde não pode continuar a ser uma expressão vazia de sentido.»

O parecer sobre a iniciativa emblemática europeia para a saúde define os pilares estratégicos para reforçar a solidariedade e a cooperação entre os Estados-Membros no domínio da saúde. Destes, destaca-se a criação de uma garantia europeia da saúde e da prestação de cuidados que defina objetivos plurianuais em matéria de saúde a nível da UE. Essa garantia poderia evoluir para um texto jurídico vinculativo, como uma diretiva.

Outro pilar seria a aplicação da Abordagem «Uma Só Saúde», que articula as políticas de saúde humana, animal, vegetal e ambiental. O parecer sobre a luta contra as doenças raras exorta a Comissão a publicar uma comunicação que contenha um plano de ação europeu abrangente para as doenças raras, com objetivos SMART (específicos, mensuráveis, atingíveis, realistas e definidos no tempo) alcançáveis até 2030. (lm) 

O Comité Económico e Social Europeu (CESE) acolhe o evento «Encontros com energia: visualizar o fim da pobreza energética», uma exposição fotográfica pungente que exibe o trabalho da fotógrafa Miriam Strong. Organizada em parceria com a Friends of the Earth Europa, a exposição destaca o ativismo, o coletivismo e a capacitação das comunidades de toda a Europa que são afetadas pela pobreza energética. Lançada por iniciativa do Grupo das Organizações da Sociedade Civil do CESE, a exposição pode ser visitada no edifício JDE do CESE, na rue Belliard 99-101, em Bruxelas, de 4 a 16 de dezembro.

O Comité Económico e Social Europeu (CESE) acolhe o evento «Encontros com energia: visualizar o fim da pobreza energética», uma exposição fotográfica pungente que exibe o trabalho da fotógrafa Miriam Strong. Organizada em parceria com a Friends of the Earth Europa, a exposição destaca o ativismo, o coletivismo e a capacitação das comunidades de toda a Europa que são afetadas pela pobreza energética. Lançada por iniciativa do Grupo das Organizações da Sociedade Civil do CESE, a exposição pode ser visitada no edifício JDE do CESE, na rue Belliard 99-101, de 4 a 16 de dezembro.

No evento de abertura, o vice-presidente do CESE responsável pela Comunicação, Aurel Laurențiu Plosceanu, e o presidente do Grupo das Organizações da Sociedade Civil, Séamus Boland, realçaram o empenho do CESE em erradicar a pobreza, promover a energia a preços acessíveis, estimular a mudança sistémica e cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

No seu discurso, Séamus Boland referiu o aumento do custo de vida e os níveis de pobreza cada vez mais elevados na Europa, frisando a necessidade de uma resposta política forte por parte da nova Comissão Europeia e do Parlamento Europeu. «A primeira Estratégia da UE de Combate à Pobreza de sempre e o Pacto da Indústria Limpa, anunciados pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, nas suas orientações políticas para a nova Comissão Europeia, terão de propor soluções sustentáveis para as realidades no terreno», declarou Séamus Boland.

Laia Segura, ativista pela justiça energética, e Yvonne Lemmen, responsável pela comunicação da Friends of the Earth, salientaram que este projeto fotográfico explora a forma como as pessoas enfrentam a pobreza energética e se batem pelo seu direito a habitações dignas e resilientes às alterações climáticas, alimentadas por energia limpa e a preços acessíveis. Para mais informações, clique aqui.

Por Stefano Mallia, presidente do Grupo dos Empregadores

Donald Trump ganhou as eleições nos EUA e será presidente pela segunda vez. A votação foi clara e deve ser respeitada. Mas o que vai acontecer agora? 

Por Stefano Mallia, presidente do Grupo dos Empregadores

Donald Trump ganhou as eleições nos EUA e será presidente pela segunda vez. A votação foi clara e deve ser respeitada. Mas o que vai acontecer agora?

A UE e os EUA continuam a ser parceiros geopolíticos e comerciais fundamentais, pois mantêm uma relação assente no princípio da reciprocidade. Não há margem para isolacionismo ou protecionismo no mundo interligado de hoje, uma vez que tais abordagens comprometem a nossa cooperação mútua e a nível mundial, bem como a nossa prosperidade económica.

A UE e os EUA são os principais parceiros comerciais um do outro. O comércio bilateral entre a UE e os EUA atingiu um máximo histórico, com mais de 1,6 biliões de euros em 2023 e um volume de investimentos bilaterais superior a 5 biliões de euros. Os EUA são uma importante fonte de investimento direto estrangeiro (IDE) na UE: o IDE dos EUA na Europa está estimado em cerca de 3,6 biliões de dólares, enquanto o investimento da UE nos EUA atinge cerca de 3 biliões de dólares. Este investimento mútuo reforça a interdependência económica e cria milhões de postos de trabalho em ambos os lados do Atlântico.

Por este motivo, é importante continuar a desenvolver as nossas relações. A imposição de direitos aduaneiros sobre as mercadorias da UE, como já proposto por Donald Trump, aplicando 10% a 20% sobre as importações provenientes de todos os países, incluindo a UE, é um beco sem saída. É por esta razão que defendemos um diálogo mais aberto e uma agenda para a cooperação orientada para o futuro.

O Conselho de Comércio e Tecnologia UE-EUA tem facilitado o diálogo sobre questões críticas como a inteligência artificial e os semicondutores. Se, por um lado, importa reforçar e melhorar o diálogo, por outro, a UE deve acelerar as suas reformas políticas, organizar-se de forma eficaz e procurar a melhor forma de cooperar com os EUA.

Devemos também preparar-nos para um cenário em que, em questões importantes como as alterações climáticas e a Ucrânia, tenhamos de avançar sozinhos. Trata-se de uma possibilidade muito concreta, pelo que devemos começar a encará-la como a nova realidade.