Em 2013, o hospital de Lapinlahti, a primeira unidade hospitalar psiquiátrica da Finlândia e emblema dos cuidados de saúde mental no país, com uma história de 170 anos, estava vazio e votado ao esquecimento. Até que um grupo de ativistas da saúde mental decidiu meter mãos à obra com o projeto de transformar aquele pedaço de património degradado num centro aberto para a saúde mental, a cultura e as artes. Siru Valleala, representante da Pro Lapinlahti, a associação que gere o centro, partilhou connosco que Lapinlahden Lähde é agora, antes de mais, um espaço inclusivo em que o estigma e os preconceitos ficam à porta e onde todos se sentem bem-vindos.

Em 2013, o hospital de Lapinlahti, a primeira unidade hospitalar psiquiátrica da Finlândia e emblema dos cuidados de saúde mental no país, com uma história de 170 anos, estava vazio e votado ao esquecimento. Até que um grupo de ativistas da saúde mental decidiu meter mãos à obra com o projeto de transformar aquele pedaço de património degradado num centro aberto para a saúde mental, a cultura e as artes. Siru Valleala, representante da Pro Lapinlahti, a associação que gere o centro, partilhou connosco que Lapinlahden Lähde é agora, antes de mais, um espaço inclusivo em que o estigma e os preconceitos ficam à porta e onde todos se sentem bem-vindos.

Como surgiu a ideia de lançar este projeto?

Em 2013, o hospital de Lapinlahti, a primeira unidade hospitalar psiquiátrica da Finlândia, construída em 1841, estava vazio e o município de Helsínquia não tinha planos para o seu futuro. Rico em património e rodeado por magníficos espaços verdes, o sítio histórico foi esquecido e foi-se degradando. Preocupado com esta situação trágica, um grupo de ativistas da saúde mental começou a partilhar a sua visão e os seus sonhos para o lugar – transformar o hospital de Lapinlahti e os seus espaços verdes num centro aberto para a saúde mental, a cultura e as artes.

Foi o início do que hoje é conhecido por Lapinlahden Lähde, «a primavera de Lapinlahti».  As atividades são inspiradas pela história e arquitetura da zona no coração da baía de Lapinlahti e por 170 anos de trabalho no domínio da saúde mental. A ênfase foi transferida do tratamento da doença para a promoção do bem-estar em todos os quadrantes da vida. Lapinlahden Lähde é agora um exemplo vivo da luta contra o estigma e de uma mudança de paradigma apostada em promover um olhar positivo.

No passado, o hospital de Lapinlahti foi a instituição de referência no domínio da psiquiatria e um local onde os cuidados de saúde mental estavam em permanente evolução. Porém, os ativistas da saúde mental que trabalhavam para a Associação de Saúde Mental Pro Lapinlahti, fundada em 1988 – quando Lapinlahti ainda era um hospital em funcionamento – pretendiam criar algo diferente: um centro inovador para promover a saúde mental à luz dos conhecimentos disponíveis no século XXI, um lugar que incorporasse uma verdadeira mudança de paradigma assente não no tratamento das doenças mentais, mas na promoção do bem-estar mental.

Como foi recebido o projeto? Tiveram alguma reação das pessoas que ajudaram?  Tem algum exemplo que possa partilhar?

No início, foi um desafio as pessoas atravessarem os portões. A zona esteve encerrada ao público durante 170 anos enquanto funcionou como hospital psiquiátrico e, apesar do interesse e da curiosidade, foi difícil convencer as pessoas de que eram bem-vindas e podiam vir conhecer o espaço. A pouco e pouco, começaram a juntar-se às atividades e aos eventos e ajudaram entusiasticamente a desenvolvê-los, voluntariando-se e partilhando ideias. Artistas e intérpretes trouxeram as suas obras de arte e eventos culturais para Lapinlahden Lähde e, hoje, realizamos mais de 400 eventos e 50 a 60 exposições de arte por ano. Lapinlahti tornou-se um espaço vivo e aberto para todos em Helsínquia, promovendo o bem-estar mental e combatendo a solidão e a exclusão social todos os dias do ano.

«Quando me juntei a esta iniciativa, senti que era verdadeiramente maravilhoso poder estar aqui para ajudar a dar uma nova vida a este espaço, um novo fôlego que apague o peso do passado» (Cresswell-Smith et al., 2022).

O hospital de Lapinlahti é hoje considerado um lugar muito seguro e inclusivo. Um lugar onde cada pessoa se sente sempre bem-vinda, independentemente do humor do dia ou da situação de vida que atravessa. O facto de Lapinlahti ter sido um hospital psiquiátrico tem o seu significado. Permite-nos ser vulneráveis. Sentimos que há uma atitude de abertura face às dificuldades de saúde mental que é absolutamente única. Contamos com um forte sentimento de comunidade e todos podem explorar com segurança os seus próprios pontos fortes. O estigma e a discriminação ficam à porta. Em Lapinlahden Lähde orgulhamo-nos de incluir toda a gente.

As atividades de Lapinlahti são desenvolvidas em cooperação com o proprietário, o município de Helsínquia, e este trabalho de desenvolvimento tem sido o ponto de partida para toda a operação. Estão atualmente a ser tomadas decisões políticas de grande alcance sobre o futuro regime de propriedade da zona e esperamos que o êxito das atuais atividades seja plenamente tido em conta.

De que modo tencionam aplicar este financiamento específico para prestar mais ajuda à comunidade? Já estão a planear novos projetos?

Continuaremos a desenvolver as nossas atividades para que mais pessoas possam participar e beneficiar delas. Lançámos recentemente um projeto estimulante para as pessoas que estão a recuperar de doenças mentais, que visa reforçar o acesso, e até mesmo o direito, às atividades culturais. Mais especificamente, pretendemos ajudar as pessoas a encontrarem a sua própria forma de expressão cultural e a descobrirem o que faz sentido para elas do ponto de vista da cultura do bem-estar mental e das artes. É nisto que utilizaremos o generoso prémio que nos foi atribuído.

Na sua opinião, que tipo de ação coletiva é necessária para reduzir o estigma que frequentemente acompanha os problemas de saúde mental? A arte pode desempenhar um papel na capacitação das pessoas com problemas de saúde mental?      

Temos de oferecer atividades em que pessoas com experiências e origens diferentes possam reunir-se. Desenhar atividades que não se centrem no estado de saúde ou nas circunstâncias de vida ajuda a proporcionar encontros humanos únicos e a estabelecer laços valiosos entre pessoas de diferentes origens. Abordar a saúde mental de diferentes formas, por exemplo, através das artes, promoveu a consciência e a compreensão. A arte tem o dom de aproximar as pessoas e oferece novas formas de lidar com questões por vezes dolorosas. A arte canaliza a expressão e abre um espaço para as pessoas serem vistas e ouvidas. O poder de ser ouvido pode mudar a vida de uma pessoa e a sua perceção de si própria.

QFP: Alterações dos montantes para determinados programas e fundos

Document Type
PAC

Iniciativa EuroHPC

Document Type
PAC

Concluindo que havia ainda margem para inovação e para novas abordagens em matéria de saúde mental, a Fundação Lilinkoti, na Finlândia, concebeu um jogo, intitulado «The World of Recovery (TWoR)» [O mundo da recuperação], em dois formatos: um jogo digital e um jogo de tabuleiro. Ambos os jogos de simulação requerem que os jogadores vistam a pele de uma determinada personagem. Os jogos, que se passam num mundo futurístico de esperança, promovem o percurso de recuperação do jogador, que tanto pode ser uma pessoa a recuperar de problemas de saúde mental ou de consumo abusivo de substâncias, como um profissional. Reetta Sedergre e Venla Leimu, representantes da Fundação Lilinkoti, afirmaram que os jogos têm um enorme potencial para melhorar a saúde mental, mas que este potencial continua, em grande medida, por explorar. 

Concluindo que havia ainda margem para inovação e para novas abordagens em matéria de saúde mental, a Fundação Lilinkoti, na Finlândia, concebeu um jogo, intitulado «The World of Recovery (TWoR)» [O mundo da recuperação], em dois formatos: um jogo digital e um jogo de tabuleiro. Ambos os jogos de simulação requerem que os jogadores vistam a pele de uma determinada personagem. Os jogos, que se passam num mundo futurístico de esperança, promovem o percurso de recuperação do jogador, que tanto pode ser uma pessoa a recuperar de problemas de saúde mental ou de consumo abusivo de substâncias, como um profissional. Reetta Sedergre e Venla Leimu, representantes da Fundação Lilinkoti, afirmaram que os jogos têm um enorme potencial para melhorar a saúde mental, mas que este potencial continua, em grande medida, por explorar. 

Como surgiu a ideia de lançar este projeto? 

Há alguns anos, nós, na Fundação Lilinkoti, sentimos que havia ainda muita margem para inovação e para novas abordagens no domínio da recuperação em saúde mental. O recurso, cada vez mais frequente, a terapias centradas na recuperação pessoal constituiu um enorme passo em frente neste campo, mas faltavam instrumentos modernos e inovadores para as aplicar. A nossa organização trabalhou com pessoas que estavam há décadas a recuperar de problemas de saúde mental e, então, tivemos um sonho: e se houvesse uma forma moderna de melhorar a saúde mental – um jogo digital em que o jogador veste a pele de uma personagem? 

O vosso projeto foi bem recebido? Tiveram alguma reação das pessoas a quem prestaram ajuda?   

Os jogos «The World of Recovery» foram desenvolvidos conjuntamente por pessoas que estavam a recuperar de problemas de saúde mental e por profissionais, o que nos permitiu obter ao longo de todo o processo de conceção do jogo reações que nos foram orientando para o resultado final. 

Na sua esmagadora maioria, as reações dos jogadores de ambos os jogos, recebidas de forma anónima e pessoal, foram positivas. Por exemplo, mais de 90% dos respondentes afirmaram que o jogo digital tinha contribuído para aumentar o seu bem-estar e os tinha encorajado a serem mais ativos, ao passo que o jogo de tabuleiro os tinha ajudado a desenvolver competências sociais.  

Talvez as melhores reações tenham sido as gargalhadas e as conversas sobre sentimentos, desafios e pontos fortes, bem como sobre a forma como estes jogos tinham reunido os jogadores, independentemente dos seus papéis e antecedentes. 

Que conselho dariam a outras organizações no que toca a obter resultados com atividades e programas deste tipo? 

O facto de estar na linha da frente da inovação traz muitos benefícios. É um trabalho verdadeiramente inspirador e tem-se o sentimento de estar a fazer algo novo. Agarrem-se a isso, não tentem encaixar-se em padrões. Sigam o vosso instinto, tenham curiosidade em ouvir as opiniões de todos. Acima de tudo, envolvam no processo de conceção pessoas que estão a recuperar e «peritos pela experiência». Se estão a conceber jogos, é preciso estarem preparados para fazer face a muitos preconceitos por parte de profissionais. É comum que, no domínio da saúde mental, os jogos em geral sejam considerados como causadores de dependência ou nocivos. Não se deixem desencorajar! Sejam ousados, sejam criativos e atrevam-se a sonhar! 

Qual é o potencial dos jogos de computador e dos jogos de vídeo para melhorar a saúde mental? Na sua opinião, estes jogos deveriam ser mais utilizados no tratamento de pessoas que sofrem de problemas de saúde mental? 

O potencial dos jogos de computador e dos jogos de vídeo – e especificamente dos jogos de simulação – para melhorar a saúde mental é enorme. Dado o número assustador de pessoas que sofrem de problemas de saúde mental, precisamos de formas novas e versáteis para melhorar a saúde mental. É lamentável que o potencial dos jogos não tenha sido mais explorado. Não é por falta de interesse, mas sim por falta de financiamento suficiente. Não há uma forma rápida e fácil de desenvolver bons jogos vocacionados para melhorar a saúde mental. Precisamos de mais financiamento, de mais projetos co-concebidos e de mais profissionais do setor da saúde mental e da indústria de produção de jogos a trabalharem para alcançar este objetivo. E precisamos de investigação, de muita investigação. 

Mais de 55 milhões de pessoas em todo o mundo, muitas das quais adolescentes, sofrem de perturbações alimentares que afetam a sua saúde mental e física. O estigma impede muitas delas de procurar ajuda. O projeto «Contar histórias para sensibilizar», gerido pela organização italiana Animenta, visa eliminar os estereótipos, promover a deteção precoce e prestar apoio. Desde 2021, chegou a mais de 10 000 estudantes em Itália. Falámos com Aurora Caporossi, presidente e fundadora da Animenta.

Mais de 55 milhões de pessoas em todo o mundo, muitas das quais adolescentes, sofrem de perturbações alimentares que afetam a sua saúde mental e física. O estigma impede muitas delas de procurar ajuda. O projeto «Contar histórias para sensibilizar», gerido pela organização italiana Animenta, visa eliminar os estereótipos, promover a deteção precoce e prestar apoio. Desde 2021, chegou a mais de 10 000 estudantes em Itália. Falámos com Aurora Caporossi, presidente e fundadora da Animenta.

O que a levou a lançar o seu projeto?

A Animenta nasceu da necessidade de dar voz não só a todas as pessoas que sofrem de perturbações alimentares mas também a todos os que lhes são próximos. A associação visa assegurar um acesso adequado ao tratamento a todos os doentes, uma vez que com uma terapêutica correta os doentes podem curar-se a si próprios.

Como foi recebido o vosso projeto? Teve alguma reação das pessoas que ajudou?  Tem um exemplo que nos possa dar?

«Foi na Animenta que encontrei apoio quando percebi que, apesar de não ter um peso inferior ao normal, sofria de uma perturbação alimentar.» Este é o exemplo de uma mensagem que nos chegou através da nossa comunidade e que nos permite compreender a importância e o impacto do nosso trabalho. A Animenta foi recebida com curiosidade, mas também com a esperança de que possa originar mudanças.

De que modo tencionam aplicar este financiamento específico para prestar mais ajuda à comunidade? Já estão a planear novos projetos?

Gostaríamos de investir cada vez mais nos projetos que realizamos nas escolas para alargar o nosso impacto. Além disso, o financiamento será utilizado para criar grupos de autoajuda para as pessoas que sofrem de perturbações alimentares. Os projetos da Animenta incluem os Animenta Camps, atividades realizadas na natureza, com a duração de seis dias, em que as pessoas redescobrem a sua relação consigo próprias, com os seus corpos e com os alimentos.

Que conselho dariam a outras organizações para obterem resultados em atividades e programas deste tipo?

Comecem por contar histórias que permitam conhecer as experiências da comunidade a que se dirigem. Peçam ao público para comentar a história e distribuam questionários para compreender as suas necessidades. Mas, acima de tudo, contem a vossa história pessoal, a história da vossa luta e da mudança que pretendem alcançar. Ao mesmo tempo, é fundamental estabelecer redes de contactos, para criar um sistema de apoio eficiente e eficaz.

Na sua opinião, as perturbações alimentares são hoje devidamente reconhecidas como um problema grave de saúde mental? As pessoas afetadas recebem um apoio adequado? O que deve ser feito para o melhorar?

Hoje em dia, fala-se mais sobre as perturbações alimentares, pelo que podemos dizer que há mais informação. No entanto, estas doenças continuam a estar rodeadas de um grande estigma social e são objeto de uma representação muito estereotipada. Ainda hoje, existe quem considere que as perturbações alimentares são fruto de falta de força de vontade ou de um capricho. Na realidade, trata-se de doenças psiquiátricas complexas que exigem uma terapêutica adequada, nem sempre disponível, pois não existem centros de tratamento suficientes, o que impede o acesso de um grande número de doentes ao percurso de tratamento.

A fundação irlandesa de beneficência Third Age está a lutar contra a solidão dos idosos através do programa de ação social AgeWell [envelhecer bem]. Os «companheiros AgeWell», eles próprios com mais de 50 anos, visitam idosos nos seus domicílios uma vez por semana. Para além de oferecerem a sua companhia, vigiam a saúde e o bem-estar dos idosos com a ajuda de um questionário integrado numa aplicação de telemóvel. Alison Branigan, da Fundação Third Age, afirmou que, até à data, mais de 500 pessoas receberam este apoio no condado de Meath, na Irlanda. Algumas descreveram o serviço como uma «boia de salvação» ou mesmo uma «luz ao fundo de um longo túnel escuro».

A fundação irlandesa de beneficência Third Age está a lutar contra a solidão dos idosos através do programa de ação social AgeWell [envelhecer bem]. Os «companheiros AgeWell», eles próprios com mais de 50 anos, visitam idosos nos seus domicílios uma vez por semana. Para além de oferecerem a sua companhia, vigiam a saúde e o bem-estar dos idosos com a ajuda de um questionário integrado numa aplicação de telemóvel. Alison Branigan, da Fundação Third Age, afirmou que, até à data, mais de 500 pessoas receberam este apoio no condado de Meath, na Irlanda. Algumas descreveram o serviço como uma «boia de salvação» ou mesmo uma «luz ao fundo de um longo túnel escuro».

O que vos levou a lançar o projeto?

Lançámos o programa AgeWell no condado de Meath para apoiar a sua crescente população idosa, que tem necessidades específicas de cuidados a nível social, emocional, psicológico e físico. O nosso sistema de saúde está sob enorme pressão, a nossa população está a aumentar e a envelhecer e existem longas listas de espera nos serviços, incluindo o apoio domiciliário. O programa AgeWell fornece uma resposta prática e atempada que complementa e reforça os serviços de saúde existentes, apoiando as pessoas idosas isoladas, sós, frágeis, confinadas à sua casa e em risco, a fim de as ajudar a viver melhor e mais tempo no lugar da sua escolha, proporcionando-lhes ligações sociais e um acompanhamento contínuo da sua saúde e do seu bem-estar, bem como identificando e enfrentando eventuais problemas antes que se agravem. O AgeWell está também em consonância com o espírito da nossa organização Third Age, que apoia diretamente os idosos através de serviços e programas inovadores e cria oportunidades de voluntariado únicas, em que as pessoas mais velhas podem apoiar os seus pares e outros grupos da comunidade. 

Como foi recebido o projeto? Tiveram alguma reação das pessoas que ajudaram?  (Pode dar um exemplo)

Até à data, o AgeWell apoiou mais de 500 pessoas idosas no condado de Meath. Muitas destas pessoas apreciam verdadeiramente o aspeto social do programa: construíram uma relação especial de confiança com os seus «companheiros AgeWell», o que nos ajuda a compreender as suas necessidades e receios, permitindo-nos assim prestar um melhor apoio.

Eis alguns comentários dos idosos que participam no programa: «o serviço é uma boia de salvação», «não sabia que precisava de apoio antes de o ter», «estou muito grato pelo serviço e pela pessoa que me acompanha, que alegra a minha semana», «sentia-me muito só, não via ninguém durante dias a fio, aguardo sempre com entusiasmo as visitas da pessoa que me acompanha». Um idoso que atravessava um período muito difícil e admitiu ter pensado várias vezes no suicídio afirmou: «o AgeWell surgiu no momento certo, ajudou-me a ver a luz ao fundo de um longo túnel escuro. Toda a gente deveria ter acesso a este serviço».

Os «companheiros» voluntários, que também são pessoas mais velhas, afirmam: «adoro ser voluntário», «é bom sentir que se está a fazer a diferença» e «com este trabalho, aprendi muito sobre as pessoas e sobre mim».

Podemos demonstrar estatisticamente que o programa AgeWell contribui para o bem-estar e oferece apoio social, emocional e informativo, reduz o isolamento e a solidão, melhora a saúde percecionada e aumenta os níveis de atividade física.

Além disso, há que referir a tranquilidade dos familiares dos idosos e o reconhecimento do nosso trabalho por parte dos prestadores de cuidados de saúde, que amiúde orientam os idosos diretamente para a nossa organização.

Que conselho dariam a outras organizações para obterem resultados em atividades e programas deste tipo?

É importante conhecer o vosso grupo-alvo, envolver os utentes no processo e ouvir as suas sugestões e necessidades. É fundamental acreditar no que se sabe e no que se pode alcançar, ter coragem, criatividade e determinação: se a vossa ideia for suficientemente boa, encontrarão uma forma de a concretizar. Importa também ter disponibilidade para trabalhar com os outros e, se possível, obter financiamento e/ou apoio/promoção da parte do Estado ou do serviço nacional de saúde, o que pode contribuir em grande medida para a credibilidade, o impacto e o êxito do programa.

Na vossa opinião, qual é a principal causa da deterioração da saúde mental dos idosos, para além dos fatores fisiológicos? Podemos, enquanto sociedade, melhorar a saúde mental dos idosos?

A solidão e o isolamento têm sido sempre fatores que contribuem para a deterioração da saúde mental dos idosos; este problema existe na Irlanda rural, mas está igualmente generalizado em vilas e cidades dinâmicas. Nos últimos anos, os efeitos da pandemia, o isolamento forçado, a tendência de ficar no aconchego do lar e proteger-se das doenças, bem como a perda de contacto social, de acesso a atividades e de liberdade criaram uma epidemia de medo, ansiedade, depressão e problemas de saúde mental. Os acontecimentos a nível nacional e mundial, nomeadamente o aumento do custo de vida, a guerra e os conflitos, também contribuíram para esta situação. À medida que as pessoas envelhecem, os seus círculos sociais podem diminuir, as doenças podem afetar a sua capacidade de se deslocar e de sair de casa ou até a sua independência; todos estes fatores podem prejudicar a sua autoestima, o seu amor-próprio, o seu estado de espírito e as suas perspetivas. É importante não esquecer os idosos, ainda que possam estar pouco visíveis: devemos recordar a importância da comunidade e das intervenções comunitárias, bem como o poder dos contactos sociais e das iniciativas de prescrição social. 

Não haverá Pacto Ecológico sem um pacto social

Pelo Grupo dos Trabalhadores do CESE

Não haverá Pacto Ecológico sem um pacto social

Pelo Grupo dos Trabalhadores do CESE

Em 26 de fevereiro, os agricultores e os seus tratores bloquearam as ruas de Bruxelas em protesto, pela segunda vez em poucas semanas. Em flagrante contraste com os habituais fatos e cortes de cabelo bem aparados, as ruas do bairro europeu foram invadidas por camiões, tratores, feno e pilhas de pneus a arder. As razões complexas subjacentes ao protesto dos agricultores vão desde a política agrícola comum (PAC) e as políticas ambientais a outras questões completamente diferentes.

Na verdade, as zonas rurais europeias há muito tempo que se encontram numa situação difícil. O Grupo dos Trabalhadores e o CESE no seu conjunto alertaram repetidamente para o facto de que não haverá Pacto Ecológico sem um pacto social. E, embora possa ser tentador rejeitar este facto como outro subproduto do jargão de Bruxelas, fazê-lo seria um erro grave. As zonas rurais enfrentam problemas sérios, nomeadamente intermediários que pagam uma ninharia aos produtores, mas que cobram preços escandalosos ao consumidor, auxílios insuficientes para a realização de reformas ambientais, um comércio livre (não justo), condições de trabalho difíceis e as alterações climáticas.

A resposta da Comissão Europeia, que pôs de lado apressadamente as regras em matéria de pesticidas, é ainda mais preocupante do que a falta de consulta e participação adequadas dos parceiros sociais e a inação a nível da política social. Tal como acontece com as medidas ambientais, o abandono destas medidas pode fazer com que os nossos responsáveis políticos ganhem algum tempo, mas também nos levará para além do ponto de não retorno no que se refere ao ambiente.

Além disso, com a aproximação das eleições, a extrema-direita está a tentar tirar partido deste descontentamento e, em certa medida, está a conseguir orientar o protesto contra os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o Pacto Ecológico e a Agenda 2030.

Em 23 de fevereiro, o Comité Económico e Social Europeu (CESE) e a Comissão Europeia realizaram um evento emblemático no âmbito do Ano Europeu das Competências, que reuniu mais de 400 jovens de todos os Estados-Membros da UE e pôs em foco as competências necessárias para os empregos de hoje e de amanhã.

Em 23 de fevereiro, o Comité Económico e Social Europeu (CESE) e a Comissão Europeia realizaram um evento emblemático no âmbito do Ano Europeu das Competências, que reuniu mais de 400 jovens de todos os Estados-Membros da UE e pôs em foco as competências necessárias para os empregos de hoje e de amanhã.

O evento «Meet the Champions of Excellence» [Vem conhecer os campeões da excelência] contou com a presença de 35 jovens da UE que venceram recentemente os concursos WorldSkills, EuroSkills e Abylimpics («olimpíadas» das competências para pessoas com deficiência). Os jparticipantes competiram em mais de 20 disciplinas diferentes, como a robótica móvel, as TIC, a mecânica, o design gráfico, as tecnologias automóveis e a construção.

Estes jovens campeões partilharam histórias inspiradoras sobre os seus percursos de aprendizagem e profissionais. O público jovem teve a oportunidade de observar e aprender, quer sobre as competências tradicionais, quer sobre as novas competências, durante demonstrações específicas em domínios como os arranjos florais, a pintura de automóveis, a robótica e a realidade virtual, que incluíram apresentações sobre a integração de sistemas robóticos, um robô de desminagem para a Ucrânia e a conceção assistida por computador (CAD) no domínio da engenharia mecânica.

O evento pretendia promover os benefícios e as oportunidades oferecidos pelo ensino e formação profissionais (EFP), especialmente no contexto das transições ecológica e digital e do mundo do trabalho do futuro. O EFP também é relevante no atual contexto de escassez de mão de obra e de competências e de inadequação das competências na UE, onde mais de três quartos das empresas dizem ter dificuldades em encontrar trabalhadores com as competências necessárias.

Oliver Röpke, presidente do CESE, declarou: «As competências são um elemento essencial para que os jovens possam prosperar tanto na sua vida pessoal como profissional. Com as transições digital e ecológica em curso, temos a possibilidade de, através das competências, não só adaptar mas também moldar os empregos de amanhã.»

Nicolas Schmit, comissário do Emprego e Direitos Sociais, afirmou: «A formação profissional oferece um mar de oportunidades no mercado de trabalho atual. Estou convencido de que o EFP nos pode ajudar a resolver a inadequação de competências e a escassez de mão de obra que entravam as indústrias europeias.»

O evento demonstrou que o EFP é uma excelente aposta que oferece boas perspetivas de carreira e oportunidades de emprego mais precoces, não só para os jovens mas também para os adultos que pretendem mudar de emprego ou simplesmente atualizar o seu leque de competências. No entanto, continua a ser, amiúde, uma segunda escolha para muitos potenciais estudantes. Em 2021, pouco mais de metade de todos os estudantes inscritos no ensino médio na UE estavam em programas profissionalizantes.

Em 2022, quase 80% dos recém-diplomados do EFP conseguiram encontrar emprego. O objetivo da UE é que este valor chegue aos 82% até 2025. (ll)

Quer mudar o sistema educativo? Tem problemas com produtos alimentares contaminados? Quer contribuir para a transição do transporte rodoviário para o transporte ferroviário? Ou tem problemas com o registo da sua empresa noutro país? Os cidadãos da UE têm muitos direitos e também enfrentam escolhas difíceis, mas devem saber onde e como podem fazer a diferença e quais são as suas opções.

Quer mudar o sistema educativo? Tem problemas com produtos alimentares contaminados? Quer contribuir para a transição do transporte rodoviário para o transporte ferroviário? Ou tem problemas com o registo da sua empresa noutro país? Os cidadãos da UE têm muitos direitos e também enfrentam escolhas difíceis, mas devem saber onde e como podem fazer a diferença e quais são as suas opções.

O nosso popular Passaporte Europeu para a Democracia tem as respostas e acaba de ser atualizado! Este passaporte inclui fichas informativas, informações de base, guias e um navegador para todos os aspetos da democracia europeia moderna, incluindo ferramentas para os vários instrumentos de participação e um manual pormenorizado sobre a Iniciativa de Cidadania Europeia (ICE).

A nova versão já está disponível em várias línguas e vamos acrescentar mais nas próximas semanas. (cw)

Em 15 de fevereiro, o Comité Económico e Social Europeu (CESE) lançou oficialmente a sua iniciativa de acolher representantes da sociedade civil dos países candidatos à adesão à UE. No total, foram selecionados 131 «membros por um país candidato à adesão» para constituir o grupo de peritos da sociedade civil que participarão nos trabalhos do Comité, fazendo do CESE a primeira instituição europeia a abrir as suas portas aos países candidatos.

Em 15 de fevereiro, o Comité Económico e Social Europeu (CESE) lançou oficialmente a sua iniciativa de acolher representantes da sociedade civil dos países candidatos à adesão à UE. No total, foram selecionados 131 «membros por um país candidato à adesão» para constituir o grupo de peritos da sociedade civil que participarão nos trabalhos do Comité, fazendo do CESE a primeira instituição europeia a abrir as suas portas aos países candidatos.

Esta iniciativa é uma prioridade política do presidente do CESE, Oliver Röpke, e estabelece um novo paradigma para associar os países candidatos às atividades da UE, facilitando a sua integração gradual e concreta na União Europeia.

A iniciativa foi lançada na reunião plenária do CESE, na presença de Věra Jourová, vice-presidente da Comissão Europeia, Milojko Spajić, primeiro-ministro do Montenegro, e Edi Rama, primeiro-ministro da Albânia, que a acolheram muito favoravelmente. Estiveram ainda presentes representantes da sociedade civil de nove países candidatos à adesão à UE (Albânia, Bósnia-Herzegovina, Geórgia, Moldávia, Montenegro, Macedónia do Norte, Sérvia, Turquia e Ucrânia), a que se juntaram em linha outros membros por um país candidato à adesão. Todos eles participaram pela primeira vez num debate em plenária do CESE.

Nesta ocasião histórica, o presidente Oliver Röpke salientou: «Não podemos deixar por muito mais tempo os países candidatos à espera. Foi por esta razão que o CESE decidiu abrir as suas portas a esses países, associando ao seu trabalho os seus representantes, que designou de “membros por um país candidato à adesão”.»

O primeiro-ministro Milojko Spajić declarou: «Damos muito valor a este aspeto de integração gradual. Não o consideramos como um substituto da adesão, mas sim como uma forma de preparar, quer a União Europeia quer os países da região dos Balcãs Ocidentais (em consonância com uma abordagem assente no mérito), para a integração.»

O primeiro-ministro Edi Rama declarou: «Estou verdadeiramente convicto de que esta iniciativa do CESE deveria também ter lugar no Parlamento Europeu, na Comissão Europeia e no Conselho Europeu. Só dessa forma será possível tranquilizar as pessoas e instilar uma energia muito concreta.»

Věra Jourová, vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelos Valores e Transparência, afirmou: «O alargamento é do nosso interesse mútuo. Continua a ser um investimento geoestratégico da União. É por isso que apoiamos o lançamento da iniciativa de hoje e de todas as iniciativas que ajudam os nossos países parceiros a executarem reformas que resultem no reforço da economia e numa democracia mais forte.»

Consulte nesta página Web a lista completa dos membros selecionados por um país candidato. (at)