Por Pietro Vittorio Barbieri

O desporto adaptado teve origem no período pós-guerra, para tornar a fisioterapia mais atrativa e agradável. Através da prática desportiva e do lazer, as pessoas redescobriam a alegria de viver e ultrapassavam acontecimentos traumáticos, habituando-se à sua nova condição ou aprendendo a aceitar as suas limitações congénitas.

Por Pietro Vittorio Barbieri

O desporto adaptado teve origem no período pós-guerra, para tornar a fisioterapia mais atrativa e agradável. Através da prática desportiva e do lazer, as pessoas redescobriam a alegria de viver e ultrapassavam acontecimentos traumáticos, habituando-se à sua nova condição ou aprendendo a aceitar as suas limitações congénitas.

Os dois objetivos principais do desporto adaptado consistiam em reforçar a autonomia física de cada indivíduo e em ajudá-lo a recuperar uma identidade autêntica e robusta. Operava-se assim a transição de um paradigma centrado na reabilitação para um paradigma centrado na capacitação. Ou seja, dava-se poder às pessoas que o tinham perdido ou que se sentiam desde sempre incapazes. O poder sobre si próprio e as suas próprias decisões, que constitui o núcleo dos direitos humanos.

A forma mais natural de capacitar as pessoas passa pela sua imagem social, isto é, pela forma como são vistas pelos outros. O caminho de recuperação pessoal surge imediatamente associado à comunidade em que os indivíduos vivem. Neste contexto, a prática desportiva é um meio para as pessoas com deficiência reivindicarem os seus direitos fundamentais e a sua dignidade.

Este processo foi em grande parte feito às cegas, com base nos esforços pioneiros de algumas pessoas na década de 1960 cuja importância só hoje é devidamente reconhecida. No entanto, é a essas pessoas que se devem os progressos atuais, que levaram várias décadas a alcançar. Um exemplo foi a árdua luta pelo reconhecimento da capacidade desportiva dos atletas paralímpicos.

A este respeito, os Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, ocupam um lugar de destaque na História. Este evento desportivo constituiu o ponto culminante da batalha pelo reconhecimento das pessoas com deficiência no mundo do desporto, um setor em que o estigma, associado a ideais físicos, sensoriais e mentais, era tão grande que originava obstáculos superiores aos da inclusão no mundo do trabalho, em que prevalecia um preconceito de falta de produtividade. Nesses Jogos Olímpicos históricos, por decisão do Comité Olímpico Internacional, as competições para atletas com deficiência foram alternadas com competições para pessoas sem deficiência. Tratou-se, no entanto, de uma experiência isolada, porque as questões organizacionais – em especial as relacionadas com a acessibilidade – dificultaram a prossecução dessa via. Embora possa ser discutível, esta escolha deu origem aos Jogos Paralímpicos tal como hoje os conhecemos, que dão o devido reconhecimento aos esforços desportivos dos atletas paralímpicos. Finalmente o mundo do desporto abria-se a todas as pessoas. Iniciava-se uma nova era.

O novo desafio era agora como tornar o desporto paralímpico apelativo para o maior número de pessoas, quer nos estádios, quer na televisão. Em Seul, em 1988, os comentadores televisivos estavam tão afastados da realidade paralímpica que nem sequer sabiam os nomes dos atletas favoritos em cada competição individual. Como se pode imaginar, os resultados foram desastrosos. Com o tempo, os jornalistas desportivos passaram a acompanhar o percurso dos atletas com deficiência, o que foi fundamental para alterar a narrativa associada a estes desportistas.

Os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, constituem outro marco histórico. A sua organização impecável, bem como a forte divulgação televisiva, sobretudo no Reino Unido, resultaram em estádios cheios em todas as competições. Foi também em Londres que, graças à nova narrativa jornalística, alguns atletas paralímpicos alcançaram a fama, tal como os seus congéneres olímpicos.

O mundo mudou desde a década de 1950. As pessoas com deficiência conquistaram coletivamente um certo grau de visibilidade. Esperamos que o que sucedeu no mundo do desporto se repita em todos os domínios da vida das pessoas e que, tal como almejado pela Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, se verifique uma mudança de paradigma. No desporto, apesar de tudo, essa mudança já ocorreu.

O impacto da demografia na Europa social

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Photo by Tomislav Štuka

Jan Štuka, de 11 anos, oriundo de Zagrebe (Croácia) tem espinha bífida e só pode andar com a ajuda de canadianas e de um andarilho, mas isso não o impede de ser um atleta bem-sucedido. Em 2023, Jan ganhou o prémio de melhor jovem jogador croata de parabasquetebol. Também participou em competições de natação e, agora, pratica esqui nórdico. No seu tempo livre, joga futebol com os amigos, marcando golos com a mão. Jan e a sua mãe, Jasmina Bogdanović, falaram connosco sobre as oportunidades desportivas para crianças com deficiência e explicaram por que razão é importante tratá-las o menos possível como pessoas com necessidades especiais.

Jan Štuka, de 11 anos, oriundo de Zagrebe (Croácia) tem espinha bífida e só pode andar com a ajuda de canadianas e de um andarilho, mas isso não o impede de ser um atleta bem-sucedido. Em 2023, Jan ganhou o prémio de melhor jovem jogador croata de parabasquetebol. Também participou em competições de natação e, agora, pratica esqui nórdico. No seu tempo livre, joga futebol com os amigos, marcando golos com a mão. Jan e a sua mãe, Jasmina Bogdanović, falaram connosco sobre as oportunidades desportivas para crianças com deficiência e explicaram por que razão é importante tratá-las o menos possível como pessoas com necessidades especiais.

JAN:

Quando é que começaste a fazer desporto e que desportos praticaste até agora?

Comecei a praticar natação na escola de natação quando tinha 2 anos. Aos 4 anos, mudei para o clube de paranatação Natator, onde aprendi todas as técnicas de natação e participei em algumas competições. Deixei a natação aos 11 anos porque começou a tornar-se um pouco aborrecido.

Aos 8 anos, comecei a praticar esqui nórdico e a jogar basquetebol numa cadeira de rodas. Continuo a praticar estes dois desportos, que agora são os meus favoritos.

Também tentei a escalada algumas vezes e gostei muito, mas não tenho tempo para praticar mais este desporto. Além disso, fiz um ciclo de treino de Krav Maga durante um verão. Foi ótimo e gostaria de repetir de vez em quando.

Que prémios ganhaste e qual é o que tem mais significado para ti?

Ganhei vários prémios com o clube de basquetebol e o meu favorito é o prémio para o melhor jovem paratleta de 2023 na minha categoria, da Associação de Paradesporto de Zagrebe.

Como é o teu dia quando tens treino? Quantas vezes costumas treinar por semana?

De manhã vou à escola. Depois de fazer os meus trabalhos de casa, vou ter com os meus amigos e, ao final da tarde, vou a uma das sessões de treino. Até agora, tenho treinado esqui seco uma vez por semana, basquetebol uma vez por semana e natação uma a duas vezes por semana. A partir deste ano letivo, vou deixar a natação e aumentar o treino de esqui para duas a três vezes por semana.

No inverno, vou também a estágios de esqui em Planica, na Eslovénia, e a algumas estâncias de esqui austríacas. Gosto desses estágios porque os meus amigos também vão: além do treino, é também uma boa oportunidade para estarmos juntos.

Com o basquetebol, às vezes temos jogos noutras cidades da Croácia. No outono passado, estivemos também em Roma e jogámos contra a equipa de basquetebol do Lácio.

Admiras algum ou alguma desportista? Gostarias de participar um dia numa importante competição desportiva internacional?

O meu desportista preferido era Luka Modrić, mas, neste momento, não tenho ídolos, por isso não sigo ninguém em particular.

Gostaria de participar em competições desportivas internacionais... Tanto de basquetebol como de esqui, espero.

JASMINA:

Qual é a atenção dada ao desporto para as crianças com deficiência na Croácia?

Enquanto mãe, tenho a perceção de que se dá efetivamente muita atenção. Infelizmente, os pais não estão suficientemente informados sobre as possibilidades, e os clubes precisam muito de novos membros; esta situação é lamentável. Naturalmente, a situação é muito mais favorável nas grandes cidades.

Uma criança com deficiência tem oportunidades e incentivos suficientes para praticar desporto ou tal exige um grande envolvimento dos pais?

As crianças têm oportunidades e incentivos... desde que tanto elas como os seus pais estejam interessados. Como referi, os pais estão pouco informados e alguns não querem assumir mais compromissos ou receiam que a criança se lesione ao praticar desporto... É uma pena que pensem dessa forma. Além disso, para as pessoas com deficiência, a prática do desporto é gratuita e, na minha opinião, muito estimulante tanto para a saúde física como mental, favorecendo ainda a integração social. Não diria que o envolvimento dos pais é maior do que no caso de crianças saudáveis da mesma idade. Existem, evidentemente, exceções relacionadas com diagnósticos específicos: por exemplo, o Jan ainda tem de ser acompanhado por um de nós quando participa em estágios de esqui no inverno ou em jogos noutra cidade, mas, à medida que cresce, é provável que tal seja menos necessário, e esperamos que a nossa presença passe a ser opcional. O objetivo é que se torne independente em todos estes aspetos. Treina regularmente sem a nossa assistência.

O que acrescentaria enquanto mãe de uma criança com necessidades especiais?

Devemos tratá-las o menos possível como crianças com necessidades especiais e incluí-las nas atividades quotidianas de acordo com a sua idade e as suas capacidades, para que se possam sentir como as outras. Terão uma imagem de si próprias como crianças normais que fazem algumas coisas de uma forma «um pouco diferente», mas fazem-nas na mesma! O Jan anda numa bicicleta com três rodas e não duas; nada e mergulha como todas as outras crianças, mas utiliza menos as pernas, e outras vezes não as utiliza; joga futebol com a equipa, mas marca os golos com a mão. «Podemos fazer tudo, ainda que façamos algumas coisas de uma forma um pouco diferente» – se as crianças com deficiência se aceitarem assim, os outros aceitá-las-ão de igual modo.

Jan Štuka é um estudante de 11 anos oriundo de Zagrebe, atualmente no quinto ano do ensino primário. Foi membro do clube de natação Natator. É membro do KKI Zagrebe (basquetebol em cadeiras de rodas) e do clube de esqui Monoski Zagrebe para pessoas com deficiência, onde treina regularmente no programa de esqui nórdico para pessoas com deficiência.

Jasmina Bogdanović é licenciada em design pela Escola de Design da Faculdade de Arquitetura de Zagrebe. Trabalhou em diversas agências de marketing durante 20 anos. Atualmente trabalha a tempo parcial e à distância num pequeno estúdio gráfico, o que lhe permite acompanhar Jan nos seus estágios de esqui e nas suas outras atividades desportivas. É também uma apaixonada por ciclismo que vai a todo o lado de bicicleta.

A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia custou a vida a quase 500 atletas ucranianos e pôs termo ao seu sonho de participar nos Jogos Olímpicos e em competições desportivas futuras. Para manter viva a sua memória, a ONG ucraniana BRAND UKRAINE está a utilizar a inteligência artificial (IA) para fazer renascer por alguns dias seis atletas ucranianos e contar a sua história trágica. Falámos com Tim Makarov, diretor do departamento de Conteúdos Digitais da Brand Ukraine, que nos revelou que o objetivo principal do projeto, apresentado nos Jogos Olímpicos de Paris, é levar as pessoas a refletir sobre o valor da vida humana.

A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia custou a vida a quase 500 atletas ucranianos e pôs termo ao seu sonho de participar nos Jogos Olímpicos e em competições desportivas futuras. Para manter viva a sua memória, a ONG ucraniana BRAND UKRAINE está a utilizar a inteligência artificial (IA) para fazer renascer por alguns dias seis atletas ucranianos e contar a sua história trágica. Falámos com Tim Makarov, diretor do departamento de Conteúdos Digitais da Brand Ukraine, que nos revelou que o objetivo principal do projeto, apresentado nos Jogos Olímpicos de Paris, é levar as pessoas a refletir sobre o valor da vida humana.

Como surgiu a ideia para este projeto?

A ideia para este projeto surgiu de uma iniciativa da BBDO, uma agência criativa de Berlim, que nos propôs um projeto conceptual para dar a conhecer a história trágica dos atletas ucranianos que não puderam participar nos Jogos Olímpicos. Nós desenvolvemos a ideia original da BBDO e alargámos o conjunto de parceiros, associando os Ministérios ucranianos da Juventude e do Desporto, assim como dos Negócios Estrangeiros e o Gabinete do Presidente da Ucrânia. A versão final resultou do trabalho conjunto das duas partes, mas a componente técnica permaneceu a cargo da BBDO. A BRAND UKRAINE, por seu lado, ocupou-se da estratégia de comunicação, da distribuição de conteúdos e do apoio jurídico. O projeto foi apresentado na Casa da Ucrânia em Paris – a Maison Volia – e divulgado junto de influenciadores.

Foi difícil recolher as histórias e produzir o vídeo? Quais foram as técnicas utilizadas para «fazer renascer» os protagonistas?

A ideia em si era muito simples: contar as histórias de atletas ucranianos que tiveram uma morte trágica e criar os seus avatares digitais. Trabalhámos afincadamente. Digitalizámos gravações de voz, usámos fotografias e materiais de vídeo de arquivo e efetuámos o seu tratamento com a ajuda da IA. O objetivo era que a cópia digital de cada pessoa fosse o mais humana possível, evocando um sentimento de estranheza que mesclasse realidade e irrealidade. Era este o conceito. As histórias destes atletas são, por si só, muito poderosas e, com a ajuda das tecnologias de IA, não deixam ninguém indiferente. Para ser honesto, este projeto é demasiado radical. Nos debates que tivemos entre nós, predominava o receio de não sermos compreendidos, de o público não perceber a sobriedade, a vulnerabilidade, a dor e o desespero patentes nas palavras destes atletas e se focasse apenas nos aspetos mais mórbidos. O projeto tem um conceito muito simples: pessoas que nutrem um amor sincero pelo seu país, que querem viver a sua vida e alcançar os seus objetivos e que acabam enredadas nas circunstâncias históricas e veem o fim abrupto dos seus sonhos, dos seus projetos e mesmo das suas vidas. Essas pessoas merecem ser recordadas. Todas as ações têm um preço e, por vezes, esse preço paga-se em vidas e destinos humanos.

Deve ter sido muito difícil para as famílias dos atletas participar no projeto e assistir aos vídeos. Quais foram as reações dos familiares ao projeto?

Como é evidente, este projeto só podia ser realizado com o consentimento dos familiares mais próximos. É fundamental sublinhar que o projeto foi apresentado e explicado previamente aos entes queridos dos atletas mortos. Inicialmente, a lista incluía várias dezenas de histórias, mas acabámos por selecionar apenas seis. Esse processo estendeu-se por diversas semanas, marcadas por negociações difíceis. No entanto, quando apresentámos o resultado final, os familiares não conseguiram conter as lágrimas. «Obrigado pelo trabalho extraordinário que estão a fazer e por ajudarem a manter viva a memória dos nossos filhos», disseram-nos. Tanto quanto sei, nenhum familiar se arrependeu de ter participado. Só depois de termos tratado de toda a documentação legal necessária é que o projeto teve luz verde. Finalmente, tudo estava pronto para os Jogos Olímpicos. Esperavam-nos duas semanas, em que iríamos contar e mostrar ao mundo seis histórias extraordinárias. Não esperávamos um êxito tão retumbante. As reações ao projeto ultrapassaram todas as nossas expectativas. E, no fim de contas, não é de estranhar, pois no mundo moderno, caracterizado pela comunicação global, as histórias reais suscitam emoções complexas e contraditórias.

Qual é a mensagem principal do projeto? O que espera que os espetadores levem consigo depois de assistirem a estes vídeos?

A BRAND UKRAINE está empenhada em contar a verdade sobre a Ucrânia e as condições de vida reais no país face à agressão russa. Para alcançar esse objetivo, recorremos a histórias de interesse humano, pois estamos convictos de que são essas histórias que melhor exprimem o nosso sofrimento, a nossa dignidade, o nosso empenho, as nossas vitórias e as nossas derrotas, todas as coisas que nos tornam humanos e fazem de nós uma nação forte e corajosa. É esta a nossa missão: não apenas falar sobre a Ucrânia, mas também impor o nosso país como uma marca que conquiste o afeto das pessoas de todo o mundo. Estamos a trabalhar para criar mais projetos com a mesma força, que toquem os corações do público e deem a cada pessoa a oportunidade de parar e refletir sobre o valor da vida humana.

Os vídeos e as fotografias do projeto estão disponíveis nesta página e no Instagram:

https://www.instagram.com/p/C-Dd7B7tueo/

https://www.instagram.com/p/C-SkUtONRJR/

https://www.instagram.com/p/C-VHXOdtdps/

https://www.instagram.com/p/C-YG_wHtNke/

https://www.instagram.com/p/C-ajpwSN7A6/

https://www.instagram.com/p/C-dWm1vNzDW/

Tim Makarov é o diretor do Departamento de Conteúdos Digitais da BRAND UKRAINE. Trabalha há 20 anos em jornalismo, marketing e comunicações digitais. A sua vocação é contar histórias e criar projetos que façam do mundo um lugar melhor.


 

A associação neerlandesa Oogvereniging, com a ajuda da rede da União Europeia de Cegos, lançou a iniciativa «Acessibilidade do Desporto», que procura oferecer soluções práticas para eliminar as barreiras que dissuadem as pessoas cegas ou com baixa visão de se juntarem a clubes e associações desportivas na União Europeia. Peter van Bleijswijk, ativista no domínio da deficiência e voluntário na Oogvereniging e na União Europeia de Cegos, conta-nos tudo acerca deste projeto de colaboração pioneiro, que abre caminho a um desporto verdadeiramente inclusivo. Pode também dar o seu contributo respondendo ao inquérito sobre a acessibilidade do desporto e das atividades recreativas para pessoas com deficiência visual na sua região.

A associação neerlandesa Oogvereniging, com a ajuda da rede da União Europeia de Cegos, lançou a iniciativa «Acessibilidade do Desporto», que procura oferecer soluções práticas para eliminar as barreiras que dissuadem as pessoas cegas ou com baixa visão de se juntarem a clubes e associações desportivas na União Europeia. Peter van Bleijswijk, ativista no domínio da deficiência e voluntário na Oogvereniging e na União Europeia de Cegos, conta-nos tudo acerca deste projeto de colaboração pioneiro, que abre caminho a um desporto verdadeiramente inclusivo. Pode também dar o seu contributo respondendo ao inquérito sobre a acessibilidade do desporto e das atividades recreativas para pessoas com deficiência visual na sua região.

Por Peter van Bleijswijk

Na prossecução de uma verdadeira inclusividade no desporto, a iniciativa «Acessibilidade do Desporto», lançada nos Países Baixos, está a abrir um novo caminho ao centrar-se nos desafios únicos enfrentados pelas pessoas cegas ou com baixa visão. Trata-se de um projeto vanguardista que visa abordar e eliminar os obstáculos que impedem as pessoas com deficiência visual de participarem plenamente no desporto e em atividades físicas em clubes e associações desportivas.

O projeto assenta numa compreensão profunda dos obstáculos que estas pessoas enfrentam. Após uma investigação aprofundada e com base em várias experiências anteriores, a iniciativa identificou 10 grandes barreiras, que incluem a disponibilidade de treinadores especializados, a necessidade de atletas-guia, a acessibilidade física das instalações desportivas e os problemas ligados ao transporte. Amiúde ignorados, estes obstáculos são fatores importantes que impedem as pessoas com deficiência visual de usufruírem dos benefícios do desporto.

Para abordar estes desafios de forma cabal, a iniciativa introduziu o conceito de «Sport Proeftuinen», ou seja, «laboratórios desportivos». Estes laboratórios são criados em clubes desportivos existentes ou em parceria com prestadores de serviços desportivos, proporcionando um ambiente real para testar potenciais soluções. Para cada obstáculo identificado, são propostas e ensaiadas três soluções diferentes. A solução mais eficaz é então aperfeiçoada e testada várias vezes, a fim de garantir a sua exequibilidade e eficácia.

Os resultados dessas experiências são compilados num «Plano Digital para o Desporto», um guia completo que será disponibilizado aos clubes desportivos, aos prestadores de serviços e aos municípios. O plano pretende ajudar a melhorar a acessibilidade e a inclusividade do desporto, oferecendo soluções práticas que podem ser aplicadas em vários contextos.

A ambição do projeto não termina nas fronteiras dos Países Baixos. Recentemente, foram contactados vários parceiros europeus, incluindo a União Europeia de Cegos, no intuito de recolher informações e boas práticas de diferentes países. A iniciativa foi acolhida com entusiasmo, tendo muitas organizações e países manifestado o seu interesse em participar. Esta colaboração europeia visa reforçar a acessibilidade e a inclusividade do desporto a uma escala mais alargada, assegurando que as pessoas com deficiência visual em todo o continente podem beneficiar destes esforços.

A força da iniciativa «Acessibilidade do Desporto» reside na sua abordagem colaborativa. O projeto é apoiado por uma coligação de governos locais, pela associação neerlandesa Oogvereniging, pelo Centro de Conhecimento para o Desporto e a Atividade Física, pela União de Atletismo e por outras organizações dedicadas à promoção da inclusividade. Ao reunir todos estes parceiros, a iniciativa mobiliza um vasto leque de conhecimentos especializados e de recursos para criar soluções sustentáveis e com impacto.

À medida que o projeto continua a ganhar ímpeto, os responsáveis pela iniciativa apelam para uma maior participação das instituições de ensino europeias e das organizações de saúde visual, considerando que se trata de um passo crucial para promover uma cultura desportiva verdadeiramente inclusiva em toda a Europa, em que todos, independentemente das suas capacidades visuais, possam praticar desporto e usufruir da atividade desportiva.

A iniciativa «Acessibilidade do Desporto» é mais do que um simples projeto; é um movimento rumo a um futuro em que ninguém é deixado de lado. Através dos esforços combinados de parceiros específicos em toda a Europa, a iniciativa almeja ter um impacto duradouro neste domínio, abrindo caminho a um ambiente mais inclusivo e equitativo para todos.

Aos que se sentem tentados a fazer parte desta jornada transformadora ou a conhecê-la melhor, convidamo-los a participarem e a ajudarem a garantir que todos têm a oportunidade de viver os momentos de alegria e os benefícios que o desporto nos proporciona. Pode dar o seu contributo preenchendo, até 27 de setembro, o inquérito sobre a acessibilidade do desporto e das atividades recreativas para as pessoas cegas e com baixa visão no seu município ou região.

Antigo diretor de inovação, gestão de instalações e TIC e gestor em organizações com e sem fins lucrativos, nos últimos anos Peter van Bleijswijk tem-se dedicado a defender os interesses dos seus clientes. Está ativamente empenhado nas questões da inclusividade e em tornar o desporto mais acessível para as pessoas cegas e com baixa visão. Além disso, é voluntário na associação neerlandesa Oogvereniging e na União Europeia de Cegos e participa ativamente nos grupos de trabalho que colaboram com os governos locais e nacionais. O seu trabalho é marcado por um profundo empenho em melhorar a qualidade de vida dos grupos vulneráveis da sociedade e em assegurar que estes têm acesso às mesmas oportunidades que os demais.

Por Thomas Kattnig

O hidrogénio verde é uma pedra angular da nossa transição energética, pelo que a sua rápida implantação é extremamente importante para o futuro sistema energético, bem como para o bem-estar social e económico da UE. 

Por Thomas Kattnig

O hidrogénio verde é uma pedra angular da nossa transição energética, pelo que a sua rápida implantação é extremamente importante para o futuro sistema energético, bem como para o bem-estar social e económico da UE.

Contudo, o estabelecimento da oferta, da procura, das infraestruturas e da produção no que diz respeito ao hidrogénio implica vários desafios. O hidrogénio é dispendioso e depende de condições-quadro adequadas. Por um lado, temos, em primeiro lugar, de direcionar a sua utilização para setores cuja eletrificação é difícil e de o utilizar como meio de armazenamento de energia. Por outro lado, temos de assegurar a criação das condições necessárias para uma expansão rápida e eficiente das infraestruturas de hidrogénio.

Neste contexto, são particularmente importantes três aspetos:

  1. Há que assegurar o financiamento necessário da infraestrutura. Uma vez que a construção de uma infraestrutura de transportes implicará custos significativos, o CESE salienta a importância de uma afetação eficiente dos recursos, que exigirá um planeamento inteligente e integrado, incluindo além-fronteiras, e um regime regulamentar que permita os investimentos necessários na infraestrutura, promovendo simultaneamente a sustentabilidade ambiental do sistema energético no seu conjunto e protegendo os utilizadores da rede de tarifas de rede excessivas. Ao mesmo tempo, há que evitar por absoluto encargos adicionais sob a forma da subsidiação cruzada das redes de hidrogénio pelos utilizadores da rede de gás. Este aspeto é especialmente importante, uma vez que os futuros utilizadores da infraestrutura da rede de hidrogénio diferem consideravelmente dos atuais utilizadores da rede de gás. Por conseguinte, é importante aplicar, tanto quanto possível, o princípio do utilizador-pagador e, assim, assegurar que as infraestruturas de hidrogénio sejam financiadas principalmente pelos utilizadores das mesmas.
  2. Além do financiamento, cabe garantir a mão de obra necessária à expansão e à produção. A par da criação de novos empregos de qualidade, importa em especial reafetar os atuais trabalhadores. Para que isso aconteça os trabalhadores atuais terão de receber formação adequada, bem como ações de requalificação e melhoria de competências, e a mão de obra terá de ser mantida através da oferta de boas condições de trabalho. Neste contexto, os operadores de rede têm de estar vinculados pelas convenções coletivas aplicáveis e as condições de trabalho têm de ser melhoradas, a fim de atrair mão de obra qualificada. O CESE advoga, por isso, um diálogo social eficaz e conclusivo no setor do gás, tanto a nível europeu como nacional.
  3. A certificação uniforme, rastreável e obrigatória do hidrogénio produzido deve ser assegurada por um sistema de certificação central da UE. Além dos critérios ecológicos, esses sistemas de certificação também devem prever normas sociais, que devem incluir condições de trabalho justas e seguras, bem como o respeito pelos direitos laborais, sociais e sindicais.

Por conseguinte, o CESE insta a Comissão a rever a estratégia para o hidrogénio, que foi – e bem – criticada pelo Tribunal de Contas Europeu. Em colaboração com a sociedade civil a nível nacional e europeu, cabe assegurar a elaboração de uma estratégia abrangente que tenha em conta a certificação, o financiamento, as necessidades em matéria de mão de obra, a promoção e a defesa dos consumidores. Só assim será possível promover um futuro risonho para o setor europeu do hidrogénio.

Na nossa coluna «Direto ao assunto», o relator do Parecer do CESE – Hidrogénio – Infraestruturas, necessidades de desenvolvimento, financiamento, utilização e limites, Thomas Kattnig, enumera as condições cruciais a cumprir para que o setor europeu do hidrogénio tenha um futuro radioso. 

Na nossa coluna «Direto ao assunto», o relator do Parecer do CESE – Hidrogénio – Infraestruturas, necessidades de desenvolvimento, financiamento, utilização e limites, Thomas Kattnig, enumera as condições cruciais a cumprir para que o setor europeu do hidrogénio tenha um futuro radioso. 

O nosso convidado surpresa é Pyrros Dimas, triplo vencedor de uma medalha de ouro olímpica e ex-halterofilista grego, que nos disse o que mais lhe interessa quando vê os Jogos Olímpicos. Apesar de os Jogos Olímpicos terem mudado de muitas formas ao longo do tempo, os princípios olímpicos e as emoções dos atletas concorrentes mantêm-se inalterados. 

O nosso convidado surpresa é Pyrros Dimas, triplo vencedor de uma medalha de ouro olímpica e ex-halterofilista grego, que nos disse o que mais lhe interessa quando vê os Jogos Olímpicos. Apesar de os Jogos Olímpicos terem mudado de muitas formas ao longo do tempo, os princípios olímpicos e as emoções dos atletas concorrentes mantêm-se inalterados.

Pyrros Dimas é vice-presidente da Federação Internacional de Halterofilismo e treinador da equipa dos EUA. Conquistou três medalhas de ouro olímpicas e uma de bronze. Foi deputado ao Parlamento grego e presidente da Federação Helénica de Halterofilismo.

 

 

Entre numa viagem que lhe dá poderes para exercer uma cidadania europeia mais informada, participativa e ativa. Quer seja estudante, jovem profissional ou membro ativo da comunidade, o Passaporte Europeu para a Democracia do CESE abre-lhe o caminho para explorar todo o potencial dos seus direitos cívicos. 

Entre numa viagem que lhe dá poderes para exercer uma cidadania europeia mais informada, participativa e ativa. Quer seja estudante, jovem profissional ou membro ativo da comunidade, o Passaporte Europeu para a Democracia do CESE abre-lhe o caminho para explorar todo o potencial dos seus direitos cívicos.

Este passaporte inclui fichas informativas, informações de base, guias e um navegador para todos os aspetos da democracia europeia moderna, incluindo ferramentas para os vários instrumentos de participação e um manual pormenorizado sobre a Iniciativa de Cidadania Europeia.

Tem interesse na nova edição (2023-2024) da brochura sobre o Passaporte Europeu para a Democracia? Escreva-nos e nós encarregamo-nos do seu envio. A brochura está agora disponível nas 24 línguas da UE.

Pode também consultar a nossa versão digital interativa em inglês, francês ou alemão (serão acrescentadas mais línguas gradualmente). Entre num mundo em que a sua voz realmente importa!  (ep)

Pelo Grupo dos Trabalhadores do CESE 

Há uma tendência para classificar em demasia alguns acontecimentos como momentos e eventos decisivos do século, o que conduz à utilização excessiva desta expressão. No entanto, com uma nova Comissão Europeia prestes a ser formada, vivemos precisamente um desses momentos decisivos: a ascensão da extrema-direita, uma vaga de descontentamento em todo o continente, a prossecução da guerra na Ucrânia e o risco de a guerra em Gaza se tornar uma guerra aberta a nível regional. 

Pelo Grupo dos Trabalhadores do CESE 

Há uma tendência para classificar em demasia alguns acontecimentos como momentos e eventos decisivos do século, o que conduz à utilização excessiva desta expressão. No entanto, com uma nova Comissão Europeia prestes a ser formada, vivemos precisamente um desses momentos decisivos: a ascensão da extrema-direita, uma vaga de descontentamento em todo o continente, a prossecução da guerra na Ucrânia e o risco de a guerra em Gaza se tornar uma guerra aberta a nível regional. 

Os dados ainda não foram lançados do outro lado do Atlântico, mas o aumento dos direitos aduaneiros e a guerra comercial em crescendo com a China persistem, o que deverá resultar em choques com impacto nas cadeias de abastecimento e nos preços no consumidor, cujos efeitos serão, em última análise, sentidos pela população.

Entretanto, o Parlamento Europeu e o Conselho da UE chegaram a acordo na primavera sobre as novas regras de austeridade para a UE, e os Estados-Membros ditos «frugais» continuam a bloquear a decisão sobre a possibilidade de recursos próprios adicionais ou de contração de empréstimos. A UE faz face a uma pressão climática crescente, agitação social, movimentos extremistas e fascistas, o descrédito da democracia e a ascensão do autoritarismo, aspetos que – juntamente com a ameaça da aniquilação nuclear e da guerra aberta nas suas fronteiras – devem dar um pequeno empurrão aos dirigentes da UE para que deixem a sua visão míope e acabem com as lutas internas. Toda a política que descure a justiça e a desigualdade (ou simplesmente a enalteça sem intervir) está condenada a falhar. Os cidadãos estão cansados de ouvir a mesma retórica e os mesmos discursos que soam bem, para depois se verem em situações cada vez mais difíceis lutando por chegar ao fim do mês com as contas todas pagas, ou verem os seus empregos a desaparecer e os seus rendimentos a encolher. O populismo de extrema-direita tira partido de tudo isto, omitindo questões fundamentais ao pôr a culpa nos imigrantes.

Sem justiça social, não haverá estabilidade nem parceiros fiáveis em nenhum Estado-Membro. E sem isso, não haverá a unidade necessária para fazer face aos desafios que a UE enfrenta. Vamos fazer do progresso social a força unificadora subjacente à nova legislatura da UE.