Adam Mokhtari, estudante de 17 anos, foi um dos representantes da Irlanda no evento «A tua Europa, a tua voz», realizado em março, em Bruxelas, subordinado ao tema «Dar voz aos jovens». Posteriormente, apresentou as recomendações da iniciativa «A tua Europa, a tua voz» na Semana da Sociedade Civil do CESE, na qual interveio numa sessão intitulada «Traçar a via da Europa – Reconectar sociedades polarizadas através da aprendizagem comunitária e da educação para a cidadania». Adam descreve o que mais gostou no evento «A tua Europa, a tua voz» e partilha a sua história pessoal para explicar por que razão quer uma Europa em que todas as pessoas se sintam incluídas.

Adam Mokhtari, estudante de 17 anos, foi um dos representantes da Irlanda no evento «A tua Europa, a tua voz», realizado em março, em Bruxelas, subordinado ao tema «Dar voz aos jovens». Posteriormente, apresentou as recomendações da iniciativa «A tua Europa, a tua voz» na Semana da Sociedade Civil do CESE, na qual interveio numa sessão intitulada «Traçar a via da Europa – Reconectar sociedades polarizadas através da aprendizagem comunitária e da educação para a cidadania». Adam descreve o que mais gostou no evento «A tua Europa, a tua voz» e partilha a sua história pessoal para explicar por que razão quer uma Europa em que todas as pessoas se sintam incluídas.

Por Adam Mokhtari

Olá, o meu nome é Adam Mokhtari, e tive uma experiência fantástica como representante da Irlanda no evento «A tua Europa, a tua voz» de 2025. Cerca de 90 jovens de toda a Europa reuniram-se para trocar ideias e definir o futuro.  

Uma das atividades de que mais gostei foi trabalhar em grupos para debater questões importantes e tomar decisões. Também gostei muito da atividade em que debatemos o que a Europa significa para cada um de nós, desempenhando alternadamente o papel de ouvinte, orador e observador. Cada um de nós tinha sete minutos para falar, o que permitiu que todos fossemos ouvidos.

No final, chegámos a acordo sobre cinco recomendações fundamentais: tornar os governos mais transparentes e incluir os jovens, ensinar a cidadania ativa nas escolas, garantir a igualdade para todos, dar aos jovens uma verdadeira voz na política e criar um plano sólido de ação climática.

Tive a honra de representar todos os participantes do evento «A tua Europa, a tua voz» na Semana da Sociedade Civil do CESE e partilhar as nossas recomendações com os decisores políticos. Esta experiência mostrou-me que as vozes dos jovens contam!

O poder da educação

A educação desempenha um papel fundamental para ajudar os jovens a participar na democracia. Ensina-nos a pensar de forma crítica, a detetar notícias falsas e a agir. Sem o apoio da minha escola, não teria tido esta oportunidade. Agora, quero incentivar outros a participarem também.

No evento «A tua Europa, a tua voz», o presidente do CESE, Oliver Röpke, e a coordenadora da UE para a Juventude, Biliana Sirakova, ouviram as nossas ideias e incentivaram-nos a continuar a promover a mudança.

A minha história e por que motivo a inclusão é importante

Nasci na Irlanda, mas os meus pais mudaram-se para esse país no final da década de 90. Quando chegaram, sentiram afeto e respeito por parte do povo irlandês. A minha mãe e o meu pai contaram-me que, nessa época, havia muito pouca diversidade na Irlanda. Apesar disso, os meus pais viveram bem nos anos 90.

Sou irlandês e europeu, de ascendência argelina.  Já me aconteceu sentir-me diferente, mas, na maior parte do tempo, sinto-me como todos os outros.  Aprendi muito com culturas diferentes e penso que a diversidade enriquece a vida. Se fôssemos todos iguais, seria aborrecido.  Há que estar aberto às diferenças e compreender os outros.

Infelizmente, hoje, alguns migrantes e jovens são vítimas de discriminação, ódio e tratamento injusto, que podem ser incentivados pelas redes sociais. A situação tem de mudar. Entristece-me assistir a isto. Atualmente, alguns imigrantes na Irlanda estão a passar por dificuldades, vivem na rua e são vistos como um problema. Não é fácil, e é muito triste.

Tive a sorte de frequentar escolas em que todos se sentem incluídos, mas nem todos os jovens têm essa experiência. Temos de assegurar que todos os jovens se sentem aceites, que têm um sentimento de pertença, para que não se sintam excluídos ou desligados da sociedade.

Construir um futuro melhor

Para tornar a Irlanda e a União Europeia mais inclusivas, precisamos de uma melhor educação sobre as diferentes culturas e sobre o que a UE faz por nós.  Tal favorecerá a compreensão e melhorará a inclusão.

Precisamos de eventos comunitários que reúnam as pessoas e favoreçam uma interação positiva. É necessário que um maior número de jovens participem nas decisões a nível local, também em clubes de jovens, clubes desportivos e escolas, ou a nível da UE, para que se sintam incluídos nos assuntos que são importantes para eles. É preciso mostrar aos jovens de que modo podem participar.

Precisamos do apoio da UE para fazer da inclusão uma prioridade.  Foi muito bom ouvir que a inclusão é uma prioridade para o CESE.

O que quero para a Europa

Muitos jovens têm pouco conhecimento do que a UE faz por eles. A UE devia fazer mais para nos ajudar a participar na política e a votar. 

Quero uma Europa unida, justa e acolhedora, onde todos se sintam incluídos, independentemente da sua origem.

O evento «A tua Europa, a tua voz» mostrou-me que os jovens podem fazer a diferença. Mesmo que as nossas ideias não sejam aceites imediatamente, pelo menos são ouvidas. Enquanto jovem irlandês de ascendência argelina, sinto que a minha voz conta e quero que outros tenham a mesma oportunidade.

A educação pode ajudar a aproximar as pessoas, a combater a discriminação e a dar voz aos jovens. Vou levar esta experiência comigo e encorajar outros a participar. O futuro está nas nossas mãos.  É a nossa Europa e temos uma palavra a dizer!

Adam Mokhtari é um estudante irlandês de 17 anos. Frequenta a escola secundária Bremore Educate Together em Balbriggan, perto de Dublim. Apaixonado pela UE e por tornar as sociedades mais inclusivas e prósperas, Adam participou na iniciativa «A tua Europa, a tua voz» de 2025 e representou a mesma na Semana da Sociedade Civil deste ano.

Por Javier Garat Pérez

Em resposta à iniciativa do Pacto Europeu dos Oceanos da presidente Ursula von der Leyen, o Comité Económico e Social Europeu apresentou recomendações fundamentais para promover uma abordagem abrangente e equilibrada da governação dos oceanos. A sua visão centra-se em assegurar oceanos saudáveis e produtivos, impulsionar a economia azul da UE, reforçar a investigação e a inovação marinhas e preservar os ecossistemas marinhos para as gerações futuras.

Por Javier Garat Pérez

Em resposta à iniciativa do Pacto Europeu dos Oceanos da presidente Ursula von der Leyen, o Comité Económico e Social Europeu apresentou recomendações fundamentais para promover uma abordagem abrangente e equilibrada da governação dos oceanos. A sua visão centra-se em assegurar oceanos saudáveis e produtivos, impulsionar a economia azul da UE, reforçar a investigação e a inovação marinhas e preservar os ecossistemas marinhos para as gerações futuras.

Libertar o potencial da economia azul

O CESE sublinha a importância de desenvolver uma economia azul sólida e competitiva. Para tal, importa simplificar os quadros regulamentares, assegurar a autonomia estratégica, promover a inovação e avançar rumo à descarbonização.

A fim de garantir um futuro próspero para a indústria marítima, o CESE defende o investimento urgente nos combustíveis de síntese, na energia de fontes renováveis ao largo e nas tecnologias marinhas inovadoras. Além disso, a criação de um polo marítimo forte, com objetivos claros em matéria de sustentabilidade, contribuirá para manter a liderança da Europa no domínio das indústrias marinhas. É, por isso, fundamental criar uma «Aliança Industrial para as Cadeias de Valor da Economia Azul» e reforçar a Estratégia de Segurança Marítima da UE.

Além disso, o CESE recomenda que se avaliem as políticas existentes, como a política comum das pescas. A pesca sustentável deve receber apoio contínuo, ao passo que a dependência dos produtos do mar deve ser reduzida. As importações devem estar sujeitas às mesmas normas sociais e ambientais. O CESE também insta a Comissão Europeia a elaborar um plano de ação da UE para os «alimentos da economia azul» até 2026.

Reforçar o conhecimento, a investigação e a inovação no domínio marinho

O CESE preconiza que se aumente o financiamento da investigação e inovação marinhas e salienta a necessidade de uma colaboração entre equipas científicas a nível mundial e de tecnologias mais eficazes no setor marítimo. Para o efeito, propõe a criação de centros da economia azul, assim como de um observatório europeu dos oceanos.

Impulsionar o investimento e o financiamento no domínio da sustentabilidade dos oceanos

O CESE frisa a necessidade de mobilizar financiamento público e privado considerável para apoiar o décimo quarto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (Proteger a Vida Marinha). Para o efeito, cumpre criar rubricas orçamentais específicas para projetos relacionados com os oceanos no âmbito de programas de financiamento da UE, como o Horizonte Europa. O Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (FEAMPA) deve também ser reforçado para apoiar setores competitivos e descarbonizados.

Uma transição socialmente justa e inclusiva

Uma economia marítima resiliente deve assegurar um tratamento justo dos trabalhadores marítimos. O CESE recomenda que se adotem medidas para fazer face à escassez de mão de obra, incentivar a renovação geracional e proporcionar oportunidades de requalificação profissional. Cumpre estabelecer sistemas de apoio social abrangentes para proteger os trabalhadores, em especial aqueles que não podem transitar para novas funções devido à evolução tecnológica.

Assegurar oceanos saudáveis e resilientes

Os nossos oceanos estão sujeitos a muitas ameaças decorrentes das alterações climáticas, da poluição, dos plásticos e da pressão humana. Por conseguinte, o CESE insta a que se intensifiquem os esforços em matéria de restauração e proteção do meio marinho e a uma conservação sustentável em consonância com os compromissos em matéria de biodiversidade a nível mundial. A consecução de um «bom estado ambiental» é igualmente crucial para a estabilidade económica e a resiliência às alterações climáticas. Além disso, importa investir com urgência em infraestruturas verdes, na redução da poluição e num Plano Europeu de Adaptação às Alterações Climáticas, reforçando simultaneamente a liderança da UE na governação mundial do meio marinho.

Assegurar um quadro abrangente de governação dos oceanos

Para aumentar a prosperidade económica e respeitar simultaneamente os limites do nosso planeta, o CESE apela para uma cooperação regional com as comunidades locais, a fim de harmonizar as políticas. Insiste também na melhoria dos acordos internacionais, no reforço da diplomacia oceânica da UE e na criação de grupos de trabalho centrados em questões marítimas nas instituições da UE.

Por último, o CESE recomenda igualmente que se melhore o ordenamento do espaço marítimo, a fim de equilibrar os diferentes interesses, como a expansão da energia ao largo, com a pesca e a aquicultura. O objetivo é promover a coexistência e a sustentabilidade, assegurando simultaneamente a preservação das comunidades piscatórias tradicionais e a sua participação nas decisões.

Regulamento Armazenamento de Gás 2025

Document Type
PAC

Superar as divisões: a capacidade da sociedade civil para combater a polarização nociva

Num momento em que as nossas sociedades se veem a braços com uma polarização crescente e em que a confiança nas instituições democráticas se degrada, a sociedade civil tem de estar à altura do desafio. A polarização em si nem sempre é negativa: o debate democrático alimenta-se da diversidade de pontos de vista. No entanto, quando a polarização leva à hostilidade, à desinformação e à divisão, coloca em risco os próprios alicerces das nossas democracias.

Superar as divisões: a capacidade da sociedade civil para combater a polarização nociva

Num momento em que as nossas sociedades se veem a braços com uma polarização crescente e em que a confiança nas instituições democráticas se degrada, a sociedade civil tem de estar à altura do desafio. A polarização em si nem sempre é negativa: o debate democrático alimenta-se da diversidade de pontos de vista. No entanto, quando a polarização leva à hostilidade, à desinformação e à divisão, coloca em risco os próprios alicerces das nossas democracias.

Na edição deste ano da Semana da Sociedade Civil, assistimos a exemplos notáveis de iniciativas que combatem a polarização nociva. O Prémio CESE para a Sociedade Civil destacou organizações ativas na literacia mediática, no combate à desinformação e na promoção do diálogo intergeracional. Estes são os tipos de projetos que devem ser apoiados para construir sociedades resilientes e coesas.

Em toda a Europa, verificamos uma fragmentação crescente da sociedade. Os desafios são inúmeros: desigualdades económicas, exclusão social, desinformação digital e extremismo político. O recente aumento dos movimentos populistas em toda a Europa, a diminuição do pluralismo dos meios de comunicação social e a erosão da confiança nas instituições ilustram como o descontentamento culmina na polarização. Estas tendências enfraquecem as estruturas democráticas e corroem a coesão social. Em tempos assim, a sociedade civil é mais do que apenas participante no processo democrático – é guardiã da sua resiliência.

Há muito que as organizações da sociedade civil estão na linha da frente da defesa dos valores democráticos. Exercem a função de mediadores, trazendo várias vozes para a mesa, combatendo a desinformação e promovendo debates públicos informados. Proporcionam uma plataforma para quem sente que não é escutado, lutando por políticas inclusivas que superam as divisões em vez de as acentuar. Através da participação cívica, de debates fundamentados em factos e de iniciativas que promovem a tolerância, a sociedade civil combate ativamente as forças divisórias.

O CESE está firmemente convicto de que o reforço da participação e do diálogo é a única via a seguir. Todos os dias o constatamos no nosso trabalho: os nossos membros, que representam empregadores, sindicatos e organizações não governamentais, participam em debates acesos, mas sempre com o objetivo de chegar a um entendimento. A nossa força reside no consenso, e é este modelo que deve ser propagado por toda a Europa.

A sociedade civil deve ser capacitada para desempenhar plenamente o seu papel contra a polarização. Para tal, há que garantir o seu acesso a financiamento, proteger a sua capacidade de operar livremente e fomentar um ambiente em que os seus contributos para a vida democrática são reconhecidos e valorizados. Importa reforçar os mecanismos de participação, seja através de consultas aos cidadãos, de iniciativas cidadãs ou de instrumentos de democracia deliberativa, para assegurar que as pessoas se sentem incluídas na tomada de decisões.

A Europa só terá futuro se os seus cidadãos se sentirem representados, envolvidos e escutados. A sociedade civil não é um acessório da democracia – é a sua espinha dorsal. Enquanto atravessamos uma era de divisão, temos de assegurar que a sociedade civil dispõe dos instrumentos adequados, do reconhecimento devido e do espaço necessário para continuar a salvaguardar os nossos valores democráticos. Ao fomentar o diálogo, promover a inclusão social e combater o extremismo, a sociedade civil pode ser a força que leva a polarização a deixar de ser uma fonte de conflito e a transformar-se numa locomotiva do debate construtivo e do progresso social.

Vamos unir esforços para garantir que a divisão não define o nosso futuro. Vamos construir uma Europa em que a diversidade de opiniões reforça a nossa unidade, em que a participação restabelece a confiança e em que a sociedade civil abre caminho para superar as divisões.

Oliver Röpke

Presidente do CESE

Nesta edição:

  • Defesa europeia: despesa deve ser sensata e eficiente, pelo membro do CESE Marcin Nowacki
  • O plano Rearmar a Europa, por Nicolas Gros-Verheyde
  • «A tua Europa, a tua voz» em destaque:

    Participação dos jovens não deve ser mera formalidade, por Bruno António

    Incentivar para capacitar, por Kristýna Bulvasová

    Jovens da Moldávia no evento «A tua Europa, a tua voz»: construir uma geração que vê para lá do horizonte

Nesta edição:

  • Defesa europeia: despesa deve ser sensata e eficiente, pelo membro do CESE Marcin Nowacki
  • O plano Rearmar a Europa, por Nicolas Gros-Verheyde
  • «A tua Europa, a tua voz» em destaque:

    Participação dos jovens não deve ser mera formalidade, por Bruno António

    Incentivar para capacitar, por Kristýna Bulvasová

    Jovens da Moldávia no evento «A tua Europa, a tua voz»: construir uma geração que vê para lá do horizonte

Perguntámos a Javier Garat Pérez, relator do Parecer do CESE – Recomendações da sociedade civil para um Pacto Europeu dos Oceanos, quais as propostas mais importantes do CESE sobre a iniciativa da Comissão Europeia, que define uma visão global para todas as políticas ligadas aos oceanos. Que medidas concretas devem ser tomadas para proteger os oceanos da devastação e da poluição e para preservar a sua biodiversidade? Quais são as maiores ameaças ao estado de conservação dos oceanos e que soluções propõe o Comité? 

Perguntámos a Javier Garat Pérez, relator do Parecer do CESE – Recomendações da sociedade civil para um Pacto Europeu dos Oceanos, quais as propostas mais importantes do CESE sobre a iniciativa da Comissão Europeia, que define uma visão global para todas as políticas ligadas aos oceanos. Que medidas concretas devem ser tomadas para proteger os oceanos da devastação e da poluição e para preservar a sua biodiversidade? Quais são as maiores ameaças ao estado de conservação dos oceanos e que soluções propõe o Comité? 

Nunca tivemos uma geração tão instruída e com tanto potencial, mas também sob tanta pressão e com tantas incertezas sobre o futuro, afirma Bruno António, especialista em juventude e orador principal da edição de 2025 de «A tua Europa, a tua voz». Bruno António explicou ao CESE Info como amplificar as vozes dos jovens e por que razão é crucial que os futuros programas da UE para a juventude continuem a ensinar-lhes a importância da democracia, num momento em que a discriminação e a xenofobia estão a aumentar na Europa.

Nunca tivemos uma geração tão instruída e com tanto potencial, mas também sob tanta pressão e com tantas incertezas sobre o futuro, afirma Bruno António, especialista em juventude e orador principal da edição de 2025 de «A tua Europa, a tua voz». Bruno António explicou ao CESE Info como amplificar as vozes dos jovens e por que razão é crucial que os futuros programas da UE para a juventude continuem a ensinar-lhes a importância da democracia, num momento em que a discriminação e a xenofobia estão a aumentar na Europa.

1. Os jovens de hoje são passivos ou ativos na vida política e comunitária? De que forma podem participar mais na elaboração das políticas?

Vários estudos mostram que os jovens se preocupam e participam ativamente. Se definirmos a participação política como uma tomada de consciência das questões críticas da sociedade, é evidente que os jovens estão a agir para promover a mudança. A forma como escolhem participar é particularmente interessante. As modalidades tradicionais de participação, como o voto, o voluntariado em organizações não governamentais (ONG) ou a adesão às alas jovens dos partidos políticos, parecem ser hoje menos populares entre os jovens, que preferem influenciar a elaboração de políticas públicas através da assinatura de petições, da participação em manifestações ou de outras formas inovadoras. Na Rede DYPALL, analisamos estes instrumentos de participação, que incluem consultas, participação em conselhos locais de juventude e outros mecanismos de diálogo com a juventude a nível local. Constatamos que os jovens têm um forte interesse em participar, mas os mecanismos tradicionais não estão, na sua maioria, adaptados aos jovens nem têm um verdadeiro impacto.

2. Os resultados das recentes eleições europeias e as sondagens nacionais mostram que muitos jovens votaram em partidos de direita. Na sua opinião, porque é que isto acontece? Considera que se trata de uma tendência preocupante que pode pôr em causa valores europeus como a igualdade e a inclusão?

O aumento dos votos de direita entre os jovens é uma tendência preocupante. Na nossa opinião, resulta da insatisfação com a política tradicional, de uma profunda desconfiança em relação às instituições políticas, do desejo de uma identidade nacional forte e dos receios em relação à segurança económica e social. Temos de conseguir compreender as causas profundas destas tendências de voto alarmantes. Esta geração cresceu num período de crises constantes e de incerteza quanto ao seu futuro. Nunca tivemos uma geração tão instruída e com tanto potencial, mas também sob tanta pressão e com tantas incertezas sobre o futuro. Os algoritmos das redes sociais amplificam os conteúdos polarizantes, influenciando os pontos de vista.

Tudo isto gera incerteza quanto ao futuro. Por um lado, o voto nos partidos populistas pode ser uma forma de protesto e uma manifestação de insatisfação geral. Mas, por outro lado, também pode refletir o desejo de uma voz forte no poder que traga uma sensação de segurança. No entanto, a história tem demonstrado que quando esses partidos populistas de direita chegam ao poder, os jovens perdem frequentemente a esperança e sentem-se traídos. Muitas vezes apercebem-se demasiado tarde de que os direitos, as liberdades e outros valores que lhes são caros estão a ser retirados ou postos em causa.

Esta tendência já está a pôr em risco os nossos valores europeus, algo que podemos constatar não só no discurso político, mas também na vida quotidiana das pessoas nas nossas comunidades, em que se estão a normalizar os atos de xenofobia ou de discriminação contra aqueles que são diferentes. Por isso, é essencial que os futuros programas da UE para a juventude continuem a ajudar os jovens a compreender a importância da democracia, a aprender em que consiste e a vivê-la, contribuindo simultaneamente para desenvolver as competências necessárias para resistir às ameaças colocadas pelos movimentos antidemocráticos.

3. Em que medida é que os jovens europeus estão conscientes do que a UE faz por eles? Como é que se pode incentivá-los a interessarem-se mais pela UE? Como avalia os esforços de comunicação da UE?

É certo que os jovens têm mais consciência do que a UE faz por eles do que nas gerações precedentes. Os programas para a juventude, como o Erasmus+, o Corpo Europeu de Solidariedade e a DiscoverEU, contribuem para a criação de um sentimento de pertença a uma identidade europeia, e devem ser reforçados e ser acessíveis a todos os jovens europeus.

Mas será que estes estão verdadeiramente conscientes do que a Europa faz por eles? Na nossa opinião, não. A UE deve aumentar a visibilidade e facilitar a compreensão do seu impacto na sociedade, e em particular nos jovens. As decisões tomadas pelas instituições da UE têm um impacto enorme, o que deveria levar os jovens a interessarem-se mais pelos assuntos europeus. De que forma? Vêm-me à mente duas ideias: as instituições da UE devem enviar uma mensagem que mostre aos jovens que o que é decidido a nível da UE afeta diretamente as suas vidas. Além disso, devem alargar os programas que proporcionam aos jovens mais oportunidades para conhecer a UE, vivê-la e descobri-la. Tal pode aumentar o sentimento de pertença, bem como a empatia, a ligação e a amizade entre os europeus.

Diversas instituições da UE envidaram esforços consideráveis para chegar aos cidadãos, e registaram-se melhorias significativas em várias campanhas e instrumentos, mas isso não é suficiente. Na prática, as instituições estão muitas vezes longe da realidade dos jovens.

Embora a UE tenha feito progressos em termos de presença nas redes sociais e de campanhas dirigidas aos jovens, as suas mensagens continuam a ser pouco compreensíveis, especialmente para a diversidade de jovens das nossas sociedades. Os esforços de comunicação da UE devem continuar a ser desenvolvidos e estruturados através da incorporação de novos métodos de sensibilização, como o recurso a ONG ligadas à juventude enquanto embaixadores das vozes dos jovens, a criação de plataformas descentralizadas para a sensibilização e a organização de campanhas narrativas que associem as políticas da UE a experiências concretas da vida quotidiana. Neste contexto, é fundamental experimentar novas abordagens de comunicação e associar diretamente os jovens à criação e execução de campanhas e outras iniciativas de comunicação. 

4. Como é que podemos amplificar as vozes dos jovens?

Levando-os a sério e reconhecendo o seu valor. As instituições têm o poder e a capacidade de fazer ouvir as vozes dos jovens, mas o que por vezes falta é a vontade de proporcionar o espaço, o apoio, as oportunidades e os instrumentos necessários para os associar de forma significativa. A participação dos jovens não deve ser tratada como uma formalidade: convidar os jovens para eventos públicos, tirar fotografias para as redes sociais, e depois negligenciar os seus contributos. Deve ter impacto, ou seja, os jovens devem ver os resultados da sua participação e as mudanças decorrentes da mesma.

Para amplificar as vozes dos jovens é necessário dispor de apoio institucional, como a representação dos jovens nos órgãos de decisão. É também necessário reforçar a confiança, o que exige tempo, espaços de qualidade e processos de colaboração. Para o efeito, há que atribuir um financiamento adequado, e as instituições precisam de capacidade para trabalhar melhor e associar os jovens à tomada de decisões, o que exige investimento, um empenho genuíno e tempo.

Bruno António é diretor executivo da Rede DYPALL, uma plataforma europeia de organizações da sociedade civil, órgãos de poder local e instituições de investigação que promove a participação dos jovens na tomada de decisões a nível local. Nos últimos 12 anos, tem trabalhado como especialista em juventude e consultor externo para várias instituições, como a Comissão Europeia e o Conselho da Europa. Anteriormente, ocupou as funções de secretário-geral da associação Juventude para o Intercâmbio e a Compreensão, bem como de diretor executivo da ECOS – Cooperativa de Educação, Cooperação e Desenvolvimento. É licenciado em educação social pela Universidade do Algarve, em Faro, Portugal.

 

Por Kristýna Bulvasová

Num mundo de incertezas, em que convicções antigas começam a vacilar e valores anteriormente partilhados deixaram de nos unir e agora nos dividem, os jovens devem ter a oportunidade de participar de forma significativa, aqui e agora, para resolver os vários problemas urgentes que não param de surgir. Os debates na reunião plenária dos jovens de 2025 mostraram claramente que não há um tema que possa ser descrito como «tema da juventude» e que os jovens estão preocupados, com razão, com uma série de problemas muito diversos, da luta contra a corrupção à promoção da igualdade e à luta contra as alterações climáticas, escreve Kristýna Bulvasová, estudante checa e participante no evento «A tua Europa, a tua voz».

Por Kristýna Bulvasová

Num mundo de incertezas, em que convicções antigas começam a vacilar e valores anteriormente partilhados deixaram de nos unir e agora nos dividem, os jovens devem ter a oportunidade de participar de forma significativa, aqui e agora, para resolver os vários problemas urgentes que não param de surgir. Os debates na reunião plenária dos jovens de 2025 mostraram claramente que não há um tema que possa ser descrito como «tema da juventude» e que os jovens estão preocupados, com razão, com uma série de problemas muito diversos, da luta contra a corrupção à promoção da igualdade e à luta contra as alterações climáticas, escreve Kristýna Bulvasová, estudante checa e participante no evento «A tua Europa, a tua voz».

Quantas vezes já me disseram, enquanto jovem da Geração Z: «a tua geração enfrenta mais problemas do que nunca» ou «terão de ser vocês a ajudar a enfrentar os desafios atuais»!  Está muita coisa em jogo, mas os desafios também são enormes: um recuo sem precedentes da democracia, a polarização das nossas sociedades por questões que anteriormente eram «valores comuns», a desestabilização de convicções e sistemas de longa data, para não falar da precariedade cada vez maior.

As expectativas elevadas exercem pressão não só sobre os jovens mas também sobre as organizações da sociedade civil subfinanciadas e sobre a sua missão vital de orientação dos valores dos jovens, bem como sobre os sistemas de ensino. A educação formal deve ser capaz de equipar os jovens das competências e ferramentas de que necessitam para resolverem os problemas e se tornarem os líderes de hoje e de amanhã. Infelizmente, muitos sistemas de ensino são demasiado rígidos para resistirem ao século XXI, e as escolas não conseguem proporcionar educação sobre as alterações climáticas ou questões gerais de saúde (mental ou reprodutiva). Também não dispõem de tecnologia de ponta nem de acesso adequado para grupos vulneráveis.

Mesmo saber quem é «vulnerável» é uma questão que se tornou política (ou, o que é pior, instrumentalizada), aumentando a pressão sobre os mais desprovidos, que não deveriam ser deixados para trás.

Já não há consenso nas nossas sociedades sobre o que é vulnerabilidade e como reconhecê-la, como pude constatar em primeira mão quando moderei um seminário numa escola perto da fronteira checo-eslovaca, em que falei sobre as disparidades salariais entre homens e mulheres e outras desigualdades de género. Os alunos e os professores reagiram com incredulidade, incapazes de aceitar que há desigualdades na nossa sociedade. O que me leva a crer que são precisos mais debates e mais reforço de capacidades para abordar as vulnerabilidades e desigualdades já existentes, independentemente do grupo etário.

A igualdade de acesso à educação e às oportunidades para os jovens (incluindo as mulheres e raparigas desfavorecidas, as pessoas com deficiência e os jovens oriundos da migração) é um sonho que continua a ser difícil de realizar. Se o nosso objetivo comum é dar aos jovens bases sólidas para realizarem o seu potencial e os seus sonhos, temos de começar a agir. Propor soluções não é simples, mas reforçar os laços dos Estados-Membros com as sociedades civis (sobretudo no que toca à educação informal) pode ajudar a colmatar as lacunas uma vez identificados os domínios mais vulneráveis. A subsequente requalificação dos professores e de todos os técnicos de juventude em práticas de construção de comunidades pode proporcionar um quadro para algumas das soluções específicas e sistemáticas.

A sociedade civil chamou a si a tarefa de encorajar a participação cívica ativa, mas o envolvimento dos jovens na tomada de decisões e na governação democrática permanece reduzido. Há um desfasamento evidente entre as aspirações dos jovens e os espaços e as oportunidades de que dispõem para as concretizar. As eleições, por si sós, não produzem os resultados desejados, uma vez que em alguns países continua a ser um desafio lutar contra a cultura política e a desinformação. No entanto, não votar não significa não ter uma opinião, ou questões a resolver. Para incentivar a cidadania ativa, os jovens precisam não só de experiências positivas de ação democrática como também de resultados concretos, sem medidas de fachada, simbolismos ou seletividade. Continuo esperançosa de que os Estados-Membros conseguirão criar espaços deste tipo e porventura conseguir que os jovens não tenham de esperar que lhes sejam dadas oportunidades de participação e cocriação. Mas não podemos esperar três, cinco ou dez anos. A mudança tem de vir agora, para evitar o agravamento das clivagens sociais.

Na reunião plenária dos jovens de 2025, tive o prazer de contribuir para a elaboração de uma recomendação, designadamente sobre as alterações climáticas, porque é minha convicção pessoal que a tripla crise planetária é um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta. A elaboração de uma estratégia coerente da UE em matéria de clima foi uma das cinco recomendações da plenária, juntamente com a luta contra a corrupção através da transparência e da participação dos jovens, a cidadania ativa, a igualdade e a ideia de que «a juventude merece um lugar à mesa». Uma vez que esta estratégia foi incluída entre as recomendações aprovadas por todos, é patente que os jovens participantes a veem como um desafio fundamental a superar. É, no entanto, a perspetiva de um grupo de jovens já bastante capacitados e não pode ser considerada representativa de todos os Estados-Membros. Poder-se-ia pensar que esta recomendação específica seria a mais importante para os participantes na reunião plenária dos jovens, mas ficou em último lugar na votação final. O que vem confirmar que não há um tema que possa ser descrito como o «tema da juventude». Os jovens estão preocupados, com razão, com todas as questões atuais, e a agenda para a juventude é necessariamente vasta e intersetorial.

Alguns jovens reconhecem a importância da proteção do ambiente e da sustentabilidade, ao passo que outros não as veem como prioritárias porque têm dificuldade em satisfazer as suas necessidades básicas. Aludi à tripla crise planetária como um dos principais desafios que se colocam à humanidade, mas quando recordamos que é necessário enfrentar todos os grandes problemas ao mesmo tempo para conseguirmos soluções eficazes, o caso muda de figura. A conjuntura geopolítica atual e a tentativa da UE de preservar a sua competitividade mundial estão a desviar a atenção e a atrasar os processos de transição. No fim de contas, porém, nem nós nem as gerações futuras têm um «planeta B» em que poderão solucionar estas crises, e não podemos dar-nos ao luxo de exceder a capacidade do nosso planeta.

Voltando ao que está em jogo, os jovens, em toda a sua diversidade, devem continuar a poder viver a sua juventude com todos os seus privilégios, desafios e beleza. Contudo, um relatório recente das Nações Unidas revela uma clara queda no nível de satisfação com a vida e de felicidade entre os jovens ao longo da última década. Mesmo face aos graves desafios que enfrentamos, estou convicta de que se conseguirmos inspirar os jovens através dos resultados concretos das suas ações, teremos uma hipótese de resolver problemas urgentes e de melhorar a qualidade de vida para todos.

Kristýna Bulvasová é membro da Rede da Juventude Europeia para o Desenvolvimento Sustentável. Foi delegada da juventude no Congresso dos Poderes Locais e Regionais do Conselho da Europa, bem como delegada da juventude da República Checa nas Nações Unidas. Antiga porta-voz do Fórum da Juventude Checo-Alemão, continua a estar ativamente empenhada no reforço da cooperação checo-alemã. Ativista pela juventude, centrada na educação orientada para o futuro e na sustentabilidade, Kristýna dirige a ONG checa MOB – Jovens Cidadãos e está a concluir os seus estudos na Universidade de Praga e na Universidade de Regensburg. Além da sua participação ativa na reunião plenária dos jovens, Kristýna foi também oradora na Semana da Sociedade Civil do CESE, na sessão dedicada ao tema «Prospetiva para uma transição justa inclusiva e um crescimento verde e azul».

A jovem moldava Mădălina-Mihaela Antoci foi uma das representantes dos países candidatos à adesão à União Europeia (UE) na edição deste ano do evento anual do Comité Económico e Social Europeu (CESE) A tua Europa, a tua voz. Participou também na Semana da Sociedade Civil do CESE, em que proferiu um discurso inspirador no painel de abertura sobre o tema «Continuamos unidos na diversidade». Na qualidade de presidente da Rede de Estudantes Erasmus da Moldávia e membro da direção do Conselho Nacional da Juventude do país, Mădălina-Mihaela explicou o que a UE significa para os jovens da Moldávia e falou-nos da sua missão de incentivar os jovens do seu país a estudar no estrangeiro e a adotar uma perspetiva voltada para o mundo.

A jovem moldava Mădălina-Mihaela Antoci foi uma das representantes dos países candidatos à adesão à União Europeia (UE) na edição deste ano do evento anual do Comité Económico e Social Europeu (CESE) A tua Europa, a tua voz. Participou também na Semana da Sociedade Civil do CESE, em que proferiu um discurso inspirador no painel de abertura sobre o tema «Continuamos unidos na diversidade». Na qualidade de presidente da Rede de Estudantes Erasmus da Moldávia e membro da direção do Conselho Nacional da Juventude do país, Mădălina-Mihaela explicou o que a UE significa para os jovens da Moldávia e falou-nos da sua missão de incentivar os jovens do seu país a estudar no estrangeiro e a adotar uma perspetiva voltada para o mundo.

1. O Conselho Nacional da Juventude da Moldávia está a incluir os jovens nos debates sobre a integração na UE? Como é que os jovens moldavos veem a UE?

Sem dúvida que sim! O Conselho Nacional da Juventude da Moldávia garante que as vozes dos jovens são ouvidas no processo de integração da Moldávia na UE, através de consultas, campanhas de sensibilização e contactos diretos com os decisores políticos. Para muitos jovens da Moldávia, a UE representa o progresso, novos horizontes e um futuro em que os seus talentos são reconhecidos e valorizados. No entanto, ainda é preciso melhorar a sensibilização, e é aí que nós intervimos – transformando a curiosidade em participação ativa.

Organizamos fóruns, debates e seminários sobre a integração na UE, políticas e os direitos dos jovens.
Apelamos para a participação dos jovens nos processos de decisão nacionais.
Lançamos campanhas para informar e educar os jovens moldavos sobre os benefícios da adesão à UE.

2. Pode apresentar sucintamente o seu trabalho na Rede de Estudantes Erasmus da Moldávia?

Enquanto presidente da Rede de Estudantes Erasmus da Moldávia, tenho a missão de dar aos jovens acesso a oportunidades internacionais que mudam as suas vidas. A nossa equipa trabalha para promover a mobilidade, criar um ambiente acolhedor para os estudantes de intercâmbio e defender uma educação internacional. Uma das minhas principais iniciativas é o Erasmus nas Escolas, em que inspiramos os estudantes do ensino secundário a sonhar além-fronteiras e a adotar uma perspetiva voltada para o mundo.

3. Poderia partilhar alguns dados sobre o número de estudantes da Moldávia que beneficiaram do programa académico Erasmus+ até à data, no total ou anualmente?

Neste momento, a Moldávia não acolhe estudantes Erasmus+, mas os nossos jovens estão a dar cartas no estrangeiro! Todos os anos, entre 500 e 700 estudantes da Moldávia estudam ou fazem estágios em estabelecimentos europeus de topo através do Erasmus+. Desde o lançamento do programa, milhares de pessoas adquiriram experiência internacional, trazendo de volta inovação, liderança e uma nova perspetiva. Através do programa Erasmus nas Escolas, procuro tornar a mobilidade uma realidade para ainda mais jovens da Moldávia, mostrando-lhes que as portas do mundo estão abertas para eles.

4. Na sua opinião, qual é o valor de tais programas de intercâmbio académico para os jovens de um país candidato como a Moldávia?

O Erasmus+ não é apenas um programa de intercâmbio – é uma rampa de lançamento para o futuro da Moldávia. Dá muito mais aos jovens do que apenas uma educação, permitindo-lhes desenvolver a sua adaptabilidade, resiliência e uma perspetiva europeia. Num país candidato como a Moldávia, trata-se de construir uma geração que vê para lá do horizonte, inova, colabora e está pronta para conduzir o nosso país rumo a um futuro europeu.

5. Quais eram as suas expectativas em relação ao evento «A tua Europa, a tua voz» e à Semana da Sociedade Civil?

Esperava debates com impacto, ideias arrojadas e compromissos reais para a integração dos jovens no processo de elaboração de políticas. Estes eventos são mais do que meras reuniões – são plataformas em que os jovens que promovem a mudança desafiam o statu quo e lutam por uma Europa mais forte e mais inclusiva. Para a Moldávia, este é mais um passo para reduzir o fosso entre a realidade local no terreno e as ambições europeias, provando que os nossos jovens não estão à espera do futuro – estamos a construí-lo.

Mădălina-Mihaela Antoci é uma jovem líder de 21 anos com uma paixão pela educação, pela participação cívica e pela capacitação dos jovens. Atualmente, é presidente da Rede de Estudantes Erasmus da Moldávia e membro da direção do Conselho Nacional da Juventude da Moldávia.

Defensora incansável do programa académico Erasmus+, tem incentivado, com enorme sucesso, os jovens a explorar oportunidades internacionais, promovendo simultaneamente o valor da educação no seu país. Através dos seus esforços, inspirou centenas de estudantes a participarem na mobilidade académica e a contribuírem ativamente para as suas comunidades locais.

O evento «A tua Europa, a tua voz», na sua edição de 2025, reuniu cerca de 90 estudantes provenientes da UE, dos países candidatos e do Reino Unido. Valeriia Makarenko veio desde Carcóvia, uma cidade ucraniana devastada pela guerra, para representar o seu país. Contou-nos por que razão a participação na iniciativa «A tua Europa, a tua voz» foi muito importante para os jovens ucranianos e manifestou a esperança de que a sua geração, moldada pela resiliência e pelo sentimento de unidade que emergiram na guerra, conduza a Ucrânia a um futuro melhor. 

O evento «A tua Europa, a tua voz», na sua edição de 2025, reuniu cerca de 90 estudantes provenientes da UE, dos países candidatos e do Reino Unido. Valeriia Makarenko veio desde Carcóvia, uma cidade ucraniana devastada pela guerra, para representar o seu país. Contou-nos por que razão a participação na iniciativa «A tua Europa, a tua voz» foi muito importante para os jovens ucranianos e manifestou a esperança de que a sua geração, moldada pela resiliência e pelo sentimento de unidade que emergiram na guerra, conduza a Ucrânia a um futuro melhor.

1) Na tua opinião, por que razão é importante que os jovens participem em eventos da UE como «A tua Europa, a tua voz»?

Acredito que a participação em eventos da UE como «A tua Europa, a tua voz» é fundamental para os jovens, uma vez que lhes proporciona uma plataforma para dar voz às suas opiniões, participar em debates importantes e definir ativamente o futuro da Europa. Estes eventos proporcionam oportunidades verdadeiramente inestimáveis para aprender sobre os processos de decisão, desenvolver competências de liderança e estabelecer contactos com os nossos pares de diferentes países. Para nós, jovens ucranianos, a participação é ainda mais importante, pois permite-nos partilhar as nossas experiências autênticas, defender a integração europeia da Ucrânia e estimular a solidariedade entre os jovens europeus.

2) Como pensas que a guerra afetou os jovens na Ucrânia?
Não há dúvida de que uma guerra desta dimensão trouxe grandes mudanças à vida dos jovens da Ucrânia, afetando a sua educação, saúde mental e sensação geral de segurança. Por exemplo, muitos começaram a ter aulas à distância ou tiveram de mudar de cidade, muitas vezes em condições instáveis. No entanto, a guerra também forjou a resiliência: os jovens ucranianos são agora símbolos de poder e força, mas também estão mais empenhados no voluntariado, no ativismo e nos esforços de reconstrução, como os projetos urbanísticos. Apesar das dificuldades, continuamos determinados em proteger a nossa identidade e contribuir para o futuro do nosso país.

3) Quais são as tuas esperanças para o futuro dos jovens na Ucrânia?
É claro que a questão do futuro é complicada para quase todos os adolescentes ucranianos. A minha comunidade e eu esperamos que todos os jovens da Ucrânia venham a ter acesso a uma educação de qualidade, a oportunidades de crescimento profissional e a um futuro seguro numa Ucrânia forte e independente. Espero também que a comunidade internacional continue a apoiar a Ucrânia na reconstrução, para que os jovens possam prosperar e não apenas sobreviver. Os jovens ucranianos são verdadeiramente poderosos e é inspirador ver cada vez mais jovens a participarem em projetos de diversos domínios, como a educação, a ciência, a recuperação de infraestruturas e outros. Mais importante ainda, espero que a nossa geração, moldada pela resiliência e pelo sentimento de unidade, conduza a Ucrânia a um futuro mais brilhante, mais inovador e democrático.

4) Queres dizer umas últimas palavras sobre o evento?  

Foi realmente inspirador. O simples facto de trocar ideias, escutar e analisar o que os outros participantes diziam... posso dizer que este é, de facto, um cenário verdadeiramente poderoso. Basta unirmo-nos e conseguimos mostrar aquilo de que somos realmente capazes. Por exemplo, alguns projetos que realizámos ajudaram-nos mesmo a compreender melhor outros países. Ouvi muita informação sobre diferentes países que, para mim, era novidade. Fiquei encantada! E senti orgulho por estar presente. 

Valeriia Makarenko tem 16 anos e é estudante em Carcóvia, na Ucrânia. Frequenta o 10.º ano na escola secundária Kharkiv Lyceum n.º 99.