Combater as notícias falsas sobre a COVID-19 através de meios de comunicação social de confiança

Pelo Grupo Diversidade Europa do CESE

Comer alho, beber água quente, evitar os gelados... Pode ter encontrado algumas destas «dicas» na Internet para não contrair a COVID-19. Recentemente, uma amiga (não citarei nomes) falou-me da frustração que sentia por não conseguir encontrar informações verdadeiras sobre o vírus.

Confiar nos meios de comunicação social – é este o grande problema. No outro dia, passei mais de uma hora ao telefone com um agricultor, membro da minha organização, a LTO (Organização Neerlandesa de Agricultura e Horticultura), e tive de me esforçar muito para combater todas as teorias da conspiração em que acredita. Foi no início de março.

Disse-lhe que muitas das informações que circulam são materiais mal editados, criados para aumentar o número de visualizações – algo crucial para o CV do escritor –, que são depois divulgados através das redes sociais por pessoas que procuram uma confirmação para os seus preconceitos. Mas, evidentemente, a realidade sobre o vírus é muito mais complexa. Além disso, há também falsificações profundas («deep fakes»).

É triste verificar que o próprio presidente Donald Trump está a propagar a desinformação, ao mesmo tempo que critica os «meios de comunicação social que publicam notícias falsas» e os seus opositores políticos. No início da pandemia, declarou que o vírus era um «embuste», o que não é apenas uma afirmação enganosa, mas uma mentira completa. Quando lhe perguntaram, em 12 de março, se assumia a responsabilidade pelos problemas que surgiram com os testes, afirmou: «Não assumo qualquer responsabilidade». São palavras que o perseguirão até ao fim do seu mandato.

Se há uma lição a retirar desta crise, deve ser a necessidade de informações fiáveis provenientes de meios de comunicação social de confiança. E, felizmente, estes meios de comunicação social ainda são numerosos, apesar de terem sido afetados por cortes orçamentais. As pessoas querem informações fiáveis e independentes e, sim, sabem onde as encontrar. Espero que o agricultor da minha organização também o saiba agora.

Para um jornalista imparcial, o desafio continua a ser saber como transmitir a informação melhor e mais fiável, e como evitar cair na propaganda governamental. Estou certo de que muitos se debatem com este dilema. Mas quem afirma que já não confia nos meios de comunicação social e não sabe onde encontrar informações fiáveis sobre a COVID-19 não pode ter procurado muito.

É verdade, o agricultor com quem falei agradeceu-me o tempo que passei com ele ao telefone. É algo que não acontece todos os dias, afirmou. 

Klaas Johan Osinga, membro do CESE