Michel Barnier disse no CESE que o pior que pode acontecer à Europa é calar-se

O negociador principal da UE para o Brexit, Michel Barnier, participou na 540.ª reunião plenária do Comité Económico e Social Europeu para apresentar os pontos de vista da UE sobre o acordo sobre o Brexit e possíveis cenários futuros.

O presidente do CESE, Luca Jahier, felicitou Michel Barnier pelo seu trabalho e salientou o forte empenho do CESE para com a sociedade civil do Reino Unido: «O CESE está bem preparado para qualquer cenário, seja ele qual for, e irá consolidar a sua relação com os seus homólogos britânicos".

Michel Barnier alertou que a Europa tem de estar preparada para um cenário de ausência de acordo. «Qualquer que seja o resultado, os representantes da sociedade civil organizada terão um papel decisivo na sensibilização dos cidadãos», afirmou.

Solução de último recurso

Os membros do CESE defenderam uma posição firme quanto a uma «solução de último recurso», que, para alguns, seria a segunda melhor solução para a Irlanda do Norte, ao passo que a melhor solução seria permanecer na UE.

Michel Barnier salientou que lhe compete resolver os problemas que se colocam à UE. «Não queremos recorrer a uma solução de último recurso. A situação é comparável a um seguro da casa. Paga-se o seguro na esperança de não vir a precisar dele». Foi o Reino Unido que quis sair da União e foi o Brexit que causou problemas à Irlanda e à Irlanda do Norte. A solução de último recurso tem a ver com pessoas que precisavam de segurança. E, por último, a fronteira com a Irlanda era também a fronteira de 27 países e a fronteira do mercado único. Por conseguinte, tratava-se de uma questão europeia.

«O Brexit não traz nenhum valor acrescentado», concluiu Michel Barnier. «Mas não devemos confundir as consequências com as lições do Brexit. Nem devemos confundir populismo e sentimentos populares. O pior é o silêncio. É preciso falar sobre este assunto. Precisamos de lançar o debate. Podemos ter opiniões diferentes, mas temos de continuar a falar porque os populistas utilizam o silêncio contra a Europa». (sma)