Bruxelas acolhe um grande número de debates por ano. Dois terços dos oradores desses painéis são do sexo masculino. No entanto, há muitas mulheres que poderiam trazer experiência e diversidade aos debates da UE. A criação de uma plataforma que possa funcionar como ponto de encontro entre especialistas do sexo feminino e organizadores de painéis de debate à procura de oradores tem sido a base da estratégia da The Brussels Binder para combater este desequilíbrio. O CESE Info falou com Juliane Schmidt sobre a estratégia global da associação para mudar o rosto masculino dos painéis de oradores em Bruxelas.

CESE Info: O que significa este prémio para si e para a sua organização?

Juliane Schmidt: A The Brussels Binder procura induzir uma mudança cultural em que a igualdade de representação entre homens e mulheres passe a ser a norma. O prémio do CESE é o reconhecimento da importância desta nossa luta. Ganhar este prémio significa dar destaque à questão da representação das mulheres, além de honrar os nossos esforços no sentido de contribuir para uma sociedade civil dinâmica em toda a Europa.

Que conselhos daria a outras organizações para obterem bons resultados em atividades e programas deste tipo?

A The Brussels Binder assenta numa abordagem muito integradora, com o objetivo de criar sinergias com diferentes parceiros e, a longo prazo, criar uma rede de organizações e grupos que partilhem da nossa visão em toda a UE. Enquanto organização, seguimos os princípios feministas de liderança, nomeadamente a partilha do «poder com os outros» e a promoção do «poder intrínseco de cada um». Trabalhamos com voluntárias, mulheres movidas pela visão de mudar a sociedade, e valorizamos a inserção e a transparência: todos os membros podem fazer ouvir as suas ideias e opiniões!

Como usarão este financiamento específico em prol da comunidade?

Para além de nos permitir melhorar a qualidade técnica da nossa base de dados e do sítio Web (brusselsbinder.org), este financiamento ajudar-nos-á na realização de ações de formação e seminários (para profissionais qualificadas, bem como para sensibilizar as organizações e as empresas), na disponibilização de ferramentas para organizadores de conferências e respetivos participantes, e na organização de encontros e outros eventos para construir uma comunidade de especialistas e profissionais qualificadas.

As quotas de género fazem parte de uma tendência global para melhorar a representação das mulheres nos órgãos de decisão. Qual é a sua posição relativamente a esta questão? Considera que a definição de quotas é decisiva para alcançar um equilíbrio de género nos painéis de oradores e nos organismos? É necessário outro tipo de medidas?

O estabelecimento de quotas é uma oportunidade para mudar mentalidades, sensibilizar e ajudar a evitar preconceitos e práticas inconscientes. Ao mesmo tempo, é uma abordagem bastante controversa e fraturante. É importante reconhecer que as quotas devem ser um meio para atingir um fim e não um fim em si mesmo. E devem ser acompanhadas de outras medidas, como campanhas de sensibilização e formação (para gestores e profissionais qualificadas).