Política e sociedade partilham a responsabilidade pelo combate à radicalização dos jovens

Apesar de algumas iniciativas de qualidade, não está a ser feito o suficiente para evitar que os jovens caiam nas malhas do extremismo violento, afirma o CESE.

Na luta contra a radicalização dos jovens, os Estados-Membros e a UE devem associar mais eficazmente as organizações da sociedade civil enquanto parceiros capazes de dar um contributo fundamental para a resiliência social de valores contra as ideias extremistas, defendeu o CESE na sua reunião plenária de dezembro.

Em vez de se concentrarem em políticas de segurança punitivas e de curto prazo, motivadas pela ocorrência de «crises», as políticas da UE devem apostar mais em esforços de prevenção imediatos, mas também de longo prazo e coordenados, declarou o CESE no seu parecer sobre a «Cooperação com a sociedade civil para prevenir a radicalização dos jovens».

O relator, Christian Moos (Interesses Diversos, DE), salientou que os jovens são especialmente vulneráveis à propaganda extremista, uma vez que não têm um forte sentido de identidade e, muitas vezes, sentem-se excluídos da sociedade.

Segundo o CESE, a prevenção exige uma abordagem multifacetada que congregue os responsáveis políticos, as autoridades policiais e os estabelecimentos prisionais, os assistentes sociais, as escolas, os meios de comunicação social, as empresas e as organizações da sociedade civil.

Christian Moos elogiou o trabalho da Comissão Europeia neste domínio. A sua Rede de Sensibilização para a Radicalização reúne agentes da primeira linha e das bases e promove o intercâmbio de boas práticas e da experiência no terreno, enquanto o seu Grupo de Peritos de Alto Nível sobre a Radicalização presta aconselhamento sobre a evolução futura das políticas da UE e uma cooperação mais estruturada entre as partes interessadas e os Estados-Membros.

Não obstante, o CESE afirma que estas iniciativas não são suficientes.

O CESE coloca especial ênfase no ensino formal e não formal para promover a participação ativa numa sociedade diversificada o desenvolvimento do pensamento crítico e da literacia mediática.

Considera-se igualmente útil lutar contra as tendências xenófobas e populistas através de uma maior sensibilização cultural e também de um firme entendimento dos valores da UE.

Foram destacadas as organizações de jovens por proporcionarem valiosas oportunidades alternativas para desenvolver um sentido de identidade pessoal são. O CESE realçou também o papel dos sindicatos e das comunidades religiosas, bem como dos serviços e redes de apoio que ajudam as escolas e as famílias a detetarem os primeiros sinais de radicalização.

O CESE recomendou ainda que a luta contra o desemprego e a pobreza ocupe um lugar de destaque na ordem do dia. (ll)